quinta-feira, 29 de março de 2018

Devocional: Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos! (Mt 27:25)

Meu Pai, o povo clamou teu sangue!  Movidos por violenta paixão, clamaram a responsabilidade pelo teu sangue, desde que o vissem derramado!

Tua morte fora tão desejada por eles, que ofereceram sua descendência como ré junto deles, não se importando de ver seus filhos culpados e sujeitos às consequências!

Pai, eles não se oporiam a enfrentar o vingador do Teu sangue, e a este entregariam suas crianças, tamanha a vontade de ver-Te na cruz!

Ah, meu Pai! Se soubessem quão aprazível é ter o Seu sangue sobre eles, e quão abençoados serão os filhos deles se tiverem a mesma sorte! Pois Teu sangue não traz a perseguição do vingador, nem a sentença de morte da Lei.

Teu sangue derramado é a remissão no próprio crime a remir; a inocência declarada na culpa! Pai, ainda desejariam Seu sangue se soubessem o valor que tem?

Pois eu o quero, Senhor. Não amo ser culpado por ele, mas por ele ser também alvo do Teu perdão, Pai! Teu sangue que cobre meus umbrais evitando a morte eterna de minha alma, Cordeiro Santo de Deus!

Quero-o sobre mim, humilhado por saber que não pode ser de outra forma, e que nada posso fazer sobre isso! Tua morte venceu a morte! Compraste-me pelo preço imensurável do seu sangue!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Quais são as qualificações dos presbíteros?

No artigo anterior eu havia falado para vocês acerca dos presbíteros e suas funções. Mas de qual forma tais homens são selecionados (ou ao menos deveriam ser) para o exercício do governo da igreja? A escolha de um presbítero não se dá levando em consideração critérios humanos como influência social, eloquência, posição hierárquica no trabalho ou o valor do dízimo devolvido ao Senhor.

Assim como a vida de cada cristão deve refletir a santidade de Deus, o governo da igreja também deve fazê-lo, de forma que os critérios para eleição dos líderes da igreja levam em conta os atributos comunicáveis do Senhor e a evidência dos frutos do Espírito na vida do candidato à presbítero. Tais características são apresentadas nos texto de I Timóteo 3:1-11 e Tito 1:6-16, transcritos abaixo para consulta do leitor: 

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;

Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );
Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;
Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
(I Timóteo 3:1-11)

Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.
Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;
Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;
Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.
Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão,
Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.
Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.
Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.
Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade.
Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.
Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.
(Tito 1:6-16)

Os textos acima apresentam um rol de qualidades a serem observadas nos candidatos ao episcopado, e, tomando como referência a listagem apresentada no livro "Eu sou chamado?", de Dave Harvey, elenquei 11 características, que são:

  1. Não ser neófito (I Timóteo 3:6)
  2. Ser santo e irrepreensível (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6-7)
  3. Ser esposo de uma só mulher (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  4. Ser temperante e sóbrio (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  5. Ser respeitável e ter bom testemunho dos de fora (I Timóteo 3:2,7)
  6. Ser hospitaleiro (I Timóteo 3:2 e Tito 1:8)
  7. Ser apto a ensinar e fiel à Palavra (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  8. Não ser intolerante ou arrogante (Tito 1:7) 
  9. Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso de ganho desonesto (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  10. Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou de insubordinação (I Timóteo 3:4-5 e Tito 1:6)
  11. Não ser dado vinho (I Timóteo 3:8 e Tito 1:7)

Cumpre ressaltar que ter tais requisitos não necessariamente significa que um homem deve ser presbítero, nem que a ausência de alguns deles evidencie que um homem não tem tal chamado. Aliás, essa é a palavra a se observar: Chamado.

As características acima são parâmetros com os quais podemos identificar um homem chamado ao presbitério e ao pastorado, e não possuir todas elas não significa que um homem não tem o chamado de Deus, e sim que precisa desenvolver as demais qualidades durante a sua caminhada com Cristo. Aliás, visto que refletem a perfeição de Deus, tais qualidades devem ser buscadas por todo e qualquer cristão no curso da sua vida.

Não ser neófito

O presbítero não pode ser um novo convertido. Tal disposiçao pode ser analisada pelos seguintes pontos: (1) Pouco conhecimento da Palavra; (2) Falta de maturidade cristã.

Não há um critério temporal para ser considerado neófito, e por esta razão os pontos acima são extremamente necessários. 

Devemos considerar, ainda, a parábola do semeador, e ponderar que há possibilidade de agir sem cautela e eleger um cristão sem raízes como presbítero (Mateus 13:5-6,20-21). Isso acontece caso consideremos alguém para presbítero em razão do impacto inicial da Palavra no homem que a recebe com alegria, o qual, vindo as tribulações e aflições, esmorece na caminhada.

Outrossim, o conhecimento da Palavra por si só não basta para não ser considerado neófito, visto que tal conhecimento sem ação do Espírito Santo poderá ser instrumento do diabo para ensoberbecer o homem. Neste caso, é mais seguro analisar o conhecimento de tal homem acerca da sua própria salvação. Um homem que compreende a Teologia da Cruz é aquele a quem podemos considerar um cristão maduro, e tal compreensão poderá levar, em alguns casos, dois anos; em outros, dez.

Logo, observamos se um homem é neófito não por seu tempo na igreja, e sim por sua compreensão da Palavra e o que ela ensina acerca de Cristo. Podemos também, considerando a maturidade cristã, observar os frutos do Espírito que evidenciem que tal homem é filho de Deus.

Ser santo e irrepreensível

É necessário que o presbítero seja santo, ou seja, separado para Deus, separado do poder do pecado. Neste mesmo sentido, o presbítero tem que ser um homem irrepreensível, no sentido de ser um homem sem culpa.

Ser santo e irrepreensível é não ser escravo do pecado, e nem ter pecados não confessos que não foram apresentados diante de Deus em uma atitude de arrependimento. Logo, não pode ser um homem "culpado".

Um presbítero tem sobre si os olhos dos demais cristãos da igreja, que o imitarão em busca do reflexo de Cristo naquele líder (I Corintios 11:1). Logo, a necessidade de santidade e ausência de culpa se analisa no exemplo a ser dado perante a igreja e os de fora.

Não esqueçamos também que as ações da liderança com culpa são pedra de tropeço e razão de escândalo para o mundo e para os demais. A necessidade também se fundamenta na qualidade do testemunho.

Ser esposo de uma só mulher

Neste ponto, há quem defenda que o presbítero deve ser o homem que casou apenas uma vez. Assim, viúvos e homens que se divorciaram, ainda que na hipótese biblicamente permitida, não estão habilitados para ser presbíteros.

Tal posição não merece prosperar, visto que o que Paulo aponta é a necessidade de ter apenas uma esposa. Paulo estava vetando homens que viviam em poligamia (comum na época da igreja Primitiva). Há de se considerar também que, ao analisarmos as características do presbítero, todas elas são apresentadas no tempo presente, ou seja, qualidades que o mesmo possui ao tempo da eleição, e não que já possuiu ou virá a possuir (como se a ordenação revestisse o homem com tais atributos). Podemos considerar também que, se a intenção fosse falar de um único casamento, Paulo poderia ter reestruturado a frase de outra forma, como "casado só uma vez".

Ser temperante e sóbrio

O presbítero deve ser um homem moderado, equilibrado. Um homem impulsivo pode comprometer a igreja agindo por paixão (entendida como excesso de sentimento, seja ele qual for), da mesma forma que um líder apático e omisso poderá comprometer a igreja por não posicionar-se perante a sociedade ou mesmo perante a própria igreja para sustentar as decisões tomadas e lidar com a oposição.

É necessário que haja equilíbrio para ouvir a voz de Deus e fazer aquilo que o Senhor exigir.

Ser respeitável e ter bom testemunho com os de fora

Outro aspecto a se observar em um candidato ao presbitério ou pastorado é o testemunho não apenas dentro da igreja, mas também do lado de fora dela, de forma que haja coerência entre o que se vive e o que se prega.

O igreja deve procurar saber se o candidato é coerente com o Evangelho em sua vida familiar, acadêmica ou profissional, e perante a sociedade como um todo, da mesma forma que é na igreja em suas atividades eclesiásticas.

Cabe ressaltar que bom testemunho e respeito não significam aceitação e agrado, e sim coerência de vida testemunhável ainda que por pessoas que não concordem, visto que a nossa tendência é andar na contramão do mundo,  e não em conformidade com ele (Romanos 12:2). Um bom exemplo de respeitabilidade sem conformidade seria o do pregador John Knox e a Rainha da Inglaterra, Maria a Sanguinária, que chegou a declarar:

"eu temo mais as orações de John Knox do que os exércitos de dez mil homens contra nós"

Hospitaleiro 

A hospitalidade sempre foi um traço da comunidade judaica e da igreja Primitiva. Podemos ressaltar que não se trata meramente do presbítero abrir as portas da sua cada aos demais a todo momento, e sim guardar as condutas inerentes a ser hospitaleiro, como ser atencioso, generoso e acolhedor com os seus visitantes e hóspedes.

A hospitalidade, portanto, pode ser atestada na realização de cultos domésticos, nas visitas ou no acolhimento de um irmão no lar, e não simplesmente em hospedar aos demais.

Apto para ensinar e fiel à Palavra

Conforme podemos concluir pela leitura da carta de Paulo para Tito, o presbítero deve ser um homem apto a ensinar a Palavra: (1) visto que este será responsável por admoestar os membros da igreja de suas incorreções (2), para ser capaz de defender as Escrituras daqueles que se opõem (3) e combater falsos mestres e doutrinas.

Uma igreja saudável necessita de conhecimento da Palavra, cabendo as presbíteros precipuamente o ensino da mesma. Há de se deixar claro que o Senhor, ao dispensar os dons à igreja, capacitará alguns com o dom do ensino, o que não necessariamente significa que tal cristão tenha um chamado para ser presbítero da igreja. Dom de ensino e aptidão para ensinar tem extensões diferentes: o dom é a excelência dada por Deus para edificação da igreja, a aptidão para o ensino é a capacidade de ensinar de maneira correta; todo homem com o dom de ensino é apto para ensinar, mas nem todo homem apto para ensinar tem o dom do Espírito para isso.

Logo, nem todo presbítero terá o dom do ensino, mas todo presbítero tem que ser capaz de ensinar a Palavra corretamente. Todo presbítero tem necessidade de ser teólogo e conhecer a Palavra, a fim de não ensinar incorretamente. Tal disposição encontra fundamento na própria prerrogativa do presbítero de repreender os membros da igreja em seus pecados, o que demonstra no mínimo o conhecimento de que a conduta de tal membro é pecaminosa.

Não apenas apto para admoestar a igreja, o próprio presbítero deve ser fiel àquilo que ensina. Sendo constante e zeloso no seu proceder de acordo com a Palavra de Deus.

Visto que principados e potestades desejam causar o maior dano possível à igreja e seus membros, numa tentativa maligna de embaraçar a proclamação do Evangelho, surgem no seio da igreja falsos mestres e doutrinas, devendo o presbítero ser conhecedor da Palavra, a fim de combatê-los, como Paulo recomendou que fizessem os presbíteros que seriam eleitos na igreja de Creta.

Não ser intolerante ou arrogante

A intolerância é uma evidência da dificuldade de amar ao próximo (que é o segundo grande mandamento), sendo incabível cogitar um presbítero incapaz de compreender o próximo e que haja com repulsa diante daquilo que lhe seja contrário. O líder da igreja encontrará sempre pessoas com valores e ideias que divergem das próprias, devendo ter o coração aberto para ouvir, julgar e reter aquilo que for de acordo com a Palavra, ainda que isso signifique quebrar seus próprios conceitos.

Já a arrogância é um evidência da falta de humildade, de um orgulho agudo, sendo certo que tal característica não pode ser encontrada em um presbítero (ou qualquer cristão), visto que o Senhor rejeita os soberbos (Tiago 4:6). Um homem que tem dificuldade de ser humilde e sujeitar-se ao senhorio de Cristo dificilmente conduzirá a igreja para que assim o faça.

Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso do ganho desonesto

A preocupação com o amor às riquezas terrenas foi motivo de advertências do próprio Senhor Jesus (Mateus 6:19-21 e 24; 19:16-30), razão pela qual o candidato a presbítero não pode mostrar-se demasiadamente preocupado com as riquezas materiais. Podemos considerar a possibilidade de tal tipo de homem não dispensar todos os recursos financeiros necessários à obra pelo desejo maior de guardar dinheiro, ainda que sem razão para fazê-lo. O amor ao dinheiro é idolatria, violação ao primeiro grande mandamento.

Quanto a cobiça de ganho desonesto, podemos considerar o desejo de ganhar injustamente, de tirar vantagem excessiva na prática de serviços e na gestão de seus bens, ainda que isso pressuponha aproveitar-se da boa-fé e inocência alheia. Os homens que tais coisas praticam não devem ser eleitos ao presbitério, visto que desconsideram o agir de forma justa e a dignidade do salário do seu trabalho e dos demais. Vemos o possível exemplo de um homem que praticou e buscou correção de tal postura em Zaqueu, o publicano (Lucas 19:2-10).

Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou insubordinação

Tal disposição tem sua razão de ser visto que, na ordem da criação, ao homem foi dada a responsabilidade de cuidar de sua família antes mesmo da aliança. Um homem que não governa sua casa bem, ou seja, biblicamente, não terá tal capacidade com a sua igreja (I Timóteo 5:8).

Quanto aos filhos, considerando o fato de que a salvação é individual e o chamado de Deus independe da vontade humana, não podemos considerar que um homem esteja desqualificado para exercer o presbitério se um de seus filhos não for cristão. A inteligência do versículo nos leva a ponderar que, quanto aos filhos que são crentes, estes não podem ser abertos à acusação de dissolução ou insubordinação, o que nada mais é que o reflexo da criação recebida de um pai santo e irrepreensível. E, ainda que possua filhos que não são cristãos, estes devem ser subordinados à autoridade do candidato, que, ainda que não tenha poder para converter seus filhos, tem o dever se guiar sua família nos valores morais cristãos.

Fortalecendo o posicionamento acima, consideremos também a hipótese de um candidato solteiro: este regerá bem a sua vida familiar, ainda que não seja o cabeça de sua casa ainda, agindo como o filho obediente, subordinado à autoridade dos pais, honrando-os, da forma que Deus espera dos Seus (Efésios 6:1-3). Não possuir filhos ou esposa não o desqualifica para o exercício do cargo de presbítero, pois, conforme já refletimos, tais recomendações podem não ser totalmente encontradas nos candidatos.

Não ser dado ao vinho

Bem... Esse requisito será abordado em apartado, visto que pretendo me estender um tanto mais no tema!

Concluindo...

Devemos buscar líderes para nossas igrejas dentro daquilo que a bíblia considera importante. Os versículos acima nos apresentaram evidências do chamado de um homem para liderar sua igreja. Não esqueça que somos imperfeitos, e que talvez boa parte das características acima levem uma vida inteira para ser desenvolvidas!


quarta-feira, 14 de março de 2018

Quem são os Presbíteros?


Uma vez que defendo a necessidade do governo eclesiástico, ratifico o que declarei no artigo anterior: Se de fato necessitamos de governo, que seja amparado pela Palavra de Deus. Poder-se-ia, com o avanço da igreja, abordar os líderes com previsão na Palavra de Deus, e aqueles que a igreja inseriu no curso da sua história, como consequência lógica do seu avanço e mudanças sociais.

            Começando pelos oficiais previstos na Palavra de Deus, o primeiro que abordarei nos próximos artigos será o Presbítero. Os presbíteros são aqueles que tem como função dirigir, surpervisionar e cuidar da igreja por amor à Deus e ao próximo, nos termos de I Timóteo 5:17 c/c I Timóteo 3:4-5, que transcrevo abaixo:

“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.” [grifo próprio]
(I Timóteo 5:17)

“... e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);” [grifo próprio]
(I Timóteo 3:4-5)

            É certo que a palavra “presbítero” é sinônima de outras duas: bispo/superintendente (episkopos) e pastor (poimen). Temos um exemplo do uso do termo bispo no texto de I Timóteo 3:2, quando se declara que é necessário que “o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Já o termo pastor ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em Efésios 4:11:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”

            Há na passagem acima uma discussão acerca dos termos pastores e mestres, quanto a hipótese de tratar-se de pastores-mestres. A discussão seria em torno da possibilidade de “poimenas kai didaskalous” não trazer a ideia de um chamado diferente (um para pastor e um para mestre), mas de um aspecto do chamado do pastor. Neste último caso, o pastor seria o responsável pela condução e ensino do rebanho, sendo certo que, ao analisarmos a construção da sentença do versículo 11, fica evidente que se fosse intenção de Paulo abordar dois chamados diferentes, bastaria manter o uso de “outros para”, ainda que alguns possam argumentar a supressão da expressão. Não arrisco a explorar mais a questão, pois está além dos meus conhecimentos.

            Não se tratam de ofícios diversos, visto que as atribuições dos bispos, pastores e presbíteros são as mesmas, havendo, ainda, a ordem de Pedro para que os presbíteros pastoreiem o rebanho de Deus que havia entre eles (1 Pedro 5:2). São, portanto, sinônimos, cujo uso de um ou outro termo ressalta uma característica mais evidente do mesmo.

            Outro argumento favorável está ligado ao uso do termo pastores-mestres abordado anteriormente. Se o pastor tem o dever de ensinar ao seu rebanho, podemos corroborar tratar-se de outra nomenclatura para presbítero, visto que entre as características deste está a aptidão para o ensino (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7).

            Ainda sobre o governo da igreja por parte dos presbíteros, basta uma análise na Palavra de Deus para se chegar a conclusão de que o modelo de governo bíblico é aquele que possui vários presbíteros liderando a igreja que os elegeu (Atos 14:23 c/c Atos 20:17 c/c Tito 1:5). Veja que no texto de Tito 1:5, a razão de Paulo deixar Tito em Creta é, entre outras, para que este estabelecesse os presbíteros de cidade em cidade! Colocando em termos atuais, de igreja local em igreja local. As vantagens da pluralidade de presbíteros são, entre outras:

1 - Exercício do Sacerdócio Universal de Todos os Santos

            Uma equipe de presbíteros é uma forma eficaz de exercer o sacerdócio universal em favor da edificação da igreja, visto que homens com virtudes e peculiaridades exerçam os dons diversos (ou mesmo iguais) que receberam do Senhor, contribuindo para melhor decisão para coletividade.

2 - Unidade de Pensamento

            Uma equipe de presbíteros pode evidenciar aquilo que o Espírito Santo tem a dizer para a comunidade, visto que nosso Pai não é Deus de confusão, e naquilo que dois ou três presbíteros vierem a concordar, a chance de haver erro de direção é menor. Evita-se, ainda, que haja uma liderança déspota e antibíblica.

3 - Uma igreja sempre pronta

            Podemos falar, ainda, de uma liderança com uma agenda flexível, que garanta que haja sempre a possibilidade de atender as demandas da comunidade local, bem como que os presbíteros apoiem-se uns aos outros nas tentações e dificuldades da vida e ministério.

4 - A igreja cresce com as gerações

            Ressalto também a possibilidade de que haja observância da perspectiva de diversas gerações diferentes, podendo haver no corpo de presbíteros a voz do presbítero mais moço, com aquele que poderia ser considerado um ancião na comunidade. Isso é positivo para que a igreja não fique estagnada, e acompanhe as mudanças que o tempo carrega em seu bojo.

domingo, 11 de março de 2018

Governo da Igreja (Introdução)

Sendo certo que a igreja local existe de forma visível, lida com diversas demandas internas e externas. Levando em conta que nossas igrejas tem funções biblicamente estabelecidas, como edificação mútua daqueles que a compõem, instrução dos novos irmãos, pregação e ensino da Palavra, podemos ao menos compreender que há necessidade de organização, a fim de que as funções da igreja sejam realizadas com proveito e esmero.

Não podemos esquecer, ainda, que há necessidade de disciplina eclesiástica (o que foi abordado no artigo sobre a excomunhão dos membros das igrejas locais), o que demanda uma organização apta para pô-la em prática. Logo, é necessário que tenhamos em mente que, diferentemente do que alegam algumas pessoas, a organização de um governo eclesiástico não é uma invenção humana a fim de impor hierarquias e criar relações de poder que não deveriam existir. A liderança em uma igreja é inevitável, e, mesmo no momento da liturgia de um culto, alguém tomará a dianteira para conduzir a adoração ou ministração da Palavra. Portanto, longe de ser contra a existência de Governos Eclesiásticos, defendo a necessidade da existência do mesmo, com fundamentos nas Escrituras.

A fim de que o resumo não tome ares de achismo, fundamentarei as minhas considerações no artigo 22 da síntese doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo), que diz:

"Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo, que é o Mestre, Pontífice, e único cabeça da sua Igreja; mas como Governador da sua Casa, estabeleceu nela diversos cargos como de Pastor, Presbítero, Diácono e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que Ele quer para cumprirem os deveres destes ofícios, e quando existem devem ser reconhecidos pela Igreja como preparados e dados por Deus." [grifo próprio]

Vejam que, conforme o artigo acima, a existência da igreja local pressupõe a existência de uma organização composta por oficiais escolhidos por Cristo, e que devem ser reconhecidos pela igreja. O fato de basear a presente posição em um artigo de fé não vai de encontro ao princípio de agir de acordo somente com as Escrituras. Tal artigo é uma proposição baseada na Palavra de Deus, não tratando-se de dar autoridade a texto diverso da Bíblia, mas reconhecer a autoridade do texto bíblico por detrás da declaração.

No caso, os textos bíblicos que fundamentam a existência de um governo eclesiástico composto por oficiais estabelecidos (quanto a função) e escolhidos (quanto a pessoa) por Deus se dá em Efésios 4:10-14 e I Pedro 5:1-2, transcritos abaixo:

"Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas. 

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,
com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado,
até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo.
O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro." (Efésios 4:10-14)

"Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho." (I Pedro 5:1-3)

Já a necessidade do reconhecimento dos mesmos pela igreja encontra-se nos textos de I Tessalonicenses 5:12-13 e Filipenses 2:29, transcritos abaixo:

"E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós." (I Tessalonicences 5:12-13)

"Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra;" (Felipenses 2:29)

Portanto, há necessidade que a igreja reconheça e honre o trabalho daqueles a quem o Senhor levantou para a realização da Sua obra, como no caso de Epafrodito, enviado pela igreja de Filipos para auxiliar Paulo.

Com bases no artigo 22 e nos versículos apontados, podemos fazer algumas considerações:

1º O Governo da Igreja não impede o Sacerdócio Universal de Todos os Crentes

É certo que a Palavra nos ensina que somos todos sacerdotes para oferecer sacrifícios espirituais, através de Cristo. Não há, portanto, necessidade de qualquer intermediário entre nós e o nosso Pai, visto que Cristo ofereceu a Si mesmo como sacrifício necessário e plenamente eficaz, de forma que temos agora não apenas o privilégio, mas também a responsabilidade de nos apresentarmos diante de Deus, bem como aos nossos irmãos (I Pedro 2:5-9 c/c Hebreus 10/12).

É necessário apontar, portanto, que o sacerdócio universal não é incompatível com o governo da igreja, visto que o primeiro diz respeito a relação do cristão com Deus, e o segundo diz respeito à organização e atuação da igreja com seus indivíduos e o mundo a sua volta. O fato de existir irmãos levantados por Deus para gerir uma determinada igreja local não impede (ao menos não deveria impedir) ou interfere no acesso do cristão ao Senhor, visto que em Cristo o sacrifício final já foi realizado. 

Qualquer oposição nesse sentido pode estar ligada à liturgia da igreja, sob o fundamento de que o governo litúrgico (não deixa de ser uma esfera do governo da igreja) atrapalha a ação do Espírito Santo. Entretanto, tal alegação deve ser muito bem analisada dentro da igreja local. O governo da igreja não é um fator impeditivo do sacerdócio universal, e sim um desdobramento do mesmo, pela necessidade de edificação dos membros uns pelos outros. 

Neste sentido, haverão homens chamados a orar incessantemente pelos demais, e outros chamados a exercer o diaconato na igreja. Alguns chamados a servir na cantina, outros no corpo de presbíteros. O que parece gerar uma certa repulsa é a ideia de que o governo da igreja cria hierarquia e acepção de pessoas, o que não é verdade.

2º O Governo da Igreja é estabelecido por Cristo para edificação dos santos

Em Efésios 4:10-14 fica claro que o governo da igreja é estabelecido por Jesus Cristo com o propósito de edificar os santos, capacitando-os para obra, ensinando-os para não serem conduzidos por doutrinas hereges e disciplinando-os, se necessário. 

Portanto, o governo da igreja não vai de encontro ao governo de Cristo, o qual não deixa de ser o Cabeça da igreja (Mateus 23:8-10). Um governo estabelecido por Jesus será aquele que tem a Palavra como regra de fé e prática. Aprouve ao Senhor levantar homens com funções específicas para cuidar dos Seus filhos até que Ele venha, mantendo em ordem a representante visível do Reino Invisível. Esse cuidado é reflexo do grande amor de Deus por nós, e nos leva a compreender os oficiais de nossas igrejas como homens chamados para servir. Portanto, o governo da igreja pelos oficiais não é um poder, e sim um serviço prestado aos demais membros da congregação.

3º Logo, a existência de um governo antibíblico de igreja não tira a legitimidade de todos os outros 

O fato de haver igrejas com governantes carnais e antibíblicos não pressupõe que todos os governos eclesiásticos devem ser eliminados, como alegam algumas pessoas. Nos versículos acima, vimos que a existência de um governo eclesiástico não é só legítima, como também estabelecida por Jesus Cristo.

O governo eclesiástico é exercido por oficiais da igreja (como presbíteros e diáconos) que possuem não apenas previsão na Palavra, como também critérios de seleção dos irmãos que deverão cumprir tais funções (I Timóteo 3 c/c Tito 1:5-9). Logo, antes de ser uma invenção humana com a finalidade de legitimar a criação de uma hierarquia, trata-se do desdobramento do dever de servir.

Os que se opõem a existência do governo da igreja podem ser exatamente aqueles homens que se opõem à disciplina eclesiástica e autoridade, ou mesmo os que temem receber responsabilidades e ficarem sob os olhares dos demais.


quinta-feira, 8 de março de 2018

O que dizer sobre... Inteligência Humilhada

Essa semana eu vou falar um pouquinho do livro Inteligência Humilhada, escrito por Jonas Madureira, pastor da Igreja Batista da Palavra, em São Paulo. O autor é bacharel em Teologia, e Mestre e Doutor em Filosofia. Eu tive a oportunidade de assisti-lo expor o tema semanas antes do lançamento do livro, no Seminário Teológico Congregacional de Niterói, e fiquei encantado!



Desde já deixo consignado que, se porventura discordem dos apontamentos que farei aqui, trata-se da minha análise do livro, logo, sujeita as minhas limitações teológicas e filosóficas. Aos que admiram o trabalho do Pr. Jonas (sou um destes), peço que embainhem a espada antes de começar a leitura.

Desejei muito ter o livro, e me aprofundar um tanto mais no tema, aprendendo sobre a humilhação inerente ao ser humano. Para minha felicidade, o meu pastor, Reverendo Idauro de Oliveira Campos Júnior, Reitor do Seminário, deu-me de presente na ocasião da minha saída da função de secretário do seminário, que ocorreu por motivos acadêmicos.



Só consegui parar para ler nas últimas semanas, e fiquei extremamente satisfeito. O Pr. Jonas não nos enganou quando escreveu que ora teríamos diante de nós um pastor em gabinete, ora um professor na sala de aula. De fato o livro tem essas sutis mudanças, adotando em parte um tom pastoral na exegese dos textos e aplicação, e por outro lado, um tom acadêmico, caracterizado por uma abordagem mais filosófica e apologética.

O livro aborda o conceito de inteligência humilhada. Serei sucinto, por dois  motivos: primeiro, para te incentivar a ler a obra do Jonas; segundo, para evitar a possibilidade de desonestidade intelectual, na hipótese de alguém precisar ler em algum seminário, e buscar aqui um resumo da obra já pronto.

O Rev. Jonas inspirou-se para escrever sobre o tema a partir da leitura do livro X das Confissões de Agostinho de Hipona, e aborda questões cruciais para compreensão da inteligência humilhada, tais como o conflito entre fideísmo e racionalismo, bem como a adoção de uma teologia sinergista ou monergista como fator de influência no entendimento acerca do conhecimento de Deus e das demais coisas, além da necessidade da revelação especial.

Poder-se-ia dizer que o tema é exaustivamente abordado nos dois primeiros capítulos, nos quais apresenta-se a humilhação de nossa inteligência não como um estado oriundo da queda (embora a queda tenha sim seus efeitos noéticos), mas uma característica inerente ao homem (esteja ele consciente disso ou não), que precisa que Deus revele a Si, a verdade sobre nós mesmos e a verdade sobre o mundo. O conhecimento do homem é melhor desenvolvido quando colocado diante de Deus, em postura de reconhecimento de que dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A inconsciência do homem quanto a sua dependência de Deus não muda o fato de que o conhecimento adquirido depende dEle, seja na revelação, seja  na obra do Espírito Santo nos dando entendimento. Portanto, teologia é estudar a Palavra diante de Deus,com oração e humildade.

Considero os capítulos 3 e 4 não como essenciais para abordagem do tema, e sim como a apresentação de questões que norteiam o conceito já explicado nos dois primeiros capítulos. Já o capítulo 5 apresenta a traição dos teólogos, não analisando se cabe razão ao teólogo que valoriza mais a doutrina do que ao que valoriza mais as questões sociais, e sim apontando os dois grupos como desvio da cosmovisão cristã.

O livro é muito bom! Diversos conceitos são apresentados para explicar o tema, mas não se preocupem, o autor não teve qualquer ressalva de explicar cada um deles. Entretanto, duas considerações podem ser feitas. A primeira se dá ao fato de que, ao vir apresentar o tema no Seminário Teológico Congregacional de Niterói, o autor informou ter realizado a busca do conceito em diversos autores na história da igreja, como Agostinho e Pascal. De fato tais autores são citados no curso dos capítulos, entretanto, ansiava ao menos por um capítulo no qual o conceito seria explicado através da visão de cada teólogo, de forma que a obra pudesse ser utilizada para consultas posteriores.

Outro ponto que deixou-me com a impressão de estar faltando alguma coisa foi a apresentação da Teodiceia ao abordar a bondade e soberania de Deus em contraste com a existência do mal no mundo. Embora o tema tenha sido discorrido por diversas páginas, senti falta de um fechamento para o mesmo, quase como se a resposta tivesse ficado em aberto (uma resposta que eu sinceramente gostaria de ler por parte do autor). Deixo claro que neste ponto, talvez eu não tenha sido capaz de compreender corretamente, em função do pouco conhecimento que tenho acerca do tema.

Feitas as duas ressalvas, não poderia deixar de elogiar o método do autor, que faz pouco uso de citações e paráfrases, esforçando-se por apresentar o tema em suas próprias palavras. Esse tipo de escrita me agrada muito, e reflete o esforço do reverendo em ponderar talvez dezenas de obras lidas e extremamente necessárias para formulação daquela única frase onde um conceito é apresentado! As citações são usadas para reforçar conceitos que o próprio autor apresentou com suas palavras.

Recomendo a leitura da obra para aprofundamento nas áreas de Antropologia Bíblica, Cristologia e Teologia Propriamente Dita, com uma boa aplicação em estudos sobre Cosmovisão Cristã (principalmente no capítulo 5) e Revelação Especial. Agradeço ao Reverendo Idauro Campos por presentear-me com a obra, bem como ao Reverendo Jonas Madureira por debruçar-se em horas de estudo para escrever uma obra tão bem fundamentada. Agradeço-o por fazer teologia diante de Deus!

terça-feira, 6 de março de 2018

Palavras vazias

O que são minhas palavras, sem você para dar sentido pra elas? O que é amor, sem alguém para amar? As palavras não deixam de ter seus significados, mas sem uma realidade, nada tem a dizer.

E, para falar de amor, a realidade é você. Se considera bela a minha forma de escrever, não ignore o belo sorriso que você tem, pois é ele que eu escrevo. Se, porventura, eu vir a escrever sobre um beijo, é porque em algum momento teus lábios umedeceram os meus, num beijo que eu quis que não acabasse. Se sentir-se aquecida nas linhas de algum texto meu, é o nosso abraço guardado no meio das palavras. Aliás, falar de amor é confuso. A palavra ora é sentimento, ora é pessoa, de forma que as vezes eu já nem sei se estou falando do meu amor, ou do amor que sinto (a própria dúvida pode parecer sem sentido).

E, para falar do que é belo e natural, a realidade também é você. Se eu vier a descrever um céu negro e denso com estrelas refulgentes, são teus olhos a brilhar na luz. E se eu escrever sobre as ondas do mar, são teus cachos, que assim como essas palavras, já escorreram pelos meus dedos. E o cheiro das flores é o teu perfume (ou o creme do teu cabelo) que roubei do teu pescoço enquanto te abraçava.

Se houver algo de belo no que eu escrevo, por detrás há um amor ainda mais bonito, que me inspira a estar aqui... escrevendo. Sem você, tudo que há são apenas palavras vazias.


sábado, 3 de março de 2018

Billy Graham - O Embaixador vai para casa.

Se você é cristão, é bem provável que uma notícia tenha preenchido sua timeline do Facebook: A morte de Willian Franklin Billy Graham, em 21 de fevereiro de 2018, aos 99 anos de idade. Embora não tenha completado seu centenário, podemos afirmar sem qualquer hesitação que foi um grande Embaixador de Cristo no século XX, responsável por levar a mensagem da Cruz de Cristo a milhares de pessoas. 



Billy Graham foi ordenado pastor em 1939 pela Igreja Batista Peniel, em Palatka. É certo que nesta época não tinha nem anseio, e muito menos ideia de que pregaria para multidões de pessoas. Levou sua mensagem de que só Jesus Cristo pode resolver os problemas do mundo da Carolina do Norte ao Palácio de Windsor, onde foi ouvido pela rainha Isabel II e o príncipe Filipe.

É certo que o pregador viveu numa época conturbada para a história da igreja e do mundo, qual seja, o período da Segunda Guerra Mundial. Período no qual  o Liberalismo, a Teologia do Evangelho Social e sua tese de um evangelho simples (onde o Reino de Deus seria uma realidade política e social a ser construída pelos próprios homens) foi duramente questionada, visto que o horror da guerra ia de encontro tais expectativas na suposta bondade e nos esforços humanos.

O mundo viu e viveu  a falha da capacidade do homem diante da sua natureza pecaminosa, a qual os conduzia à guerra e dissensão, morte e horrores. O Senhor levanta Billy Graham e uma geração de fundamentalistas (o termo não é pejorativo, mas diz respeito a ligação de tais teólogos com os ensaios teológicos sob o título The fundamentals: a testimony to the truth/ Os fundamentos: um testemunho da verdade) para apresentar ao mundo o Evangelho centrado no Reino de Deus e na salvação por Jesus Cristo.

Graham foi, portanto, um dos grandes evangelistas responsáveis por anunciar Cristo para um mundo que acreditava ter sido abandonado por Deus. Anunciar que a paz só poderia ser trazida por Cristo, e não por líderes ou soldados. Foi neste contexto, que por duas vezes Billy Graham lotou o estádio do Maracanã, sendo certo que em sua segunda vinda, dentro de quatro dias mais de 615.000 pessoas foram edificadas pela Palavra.



O Brasil não foi o único país a recebê-lo, e através da Associação Evangelística Billy Graham, a Palavra foi pregada por todo o mundo, fosse por cruzadas evangelísticas ou por meios de comunicação.

Graham fora tão influente na sociedade norte-americana, que foi o quarto cidadão comum a ser velado com honras no Capitólio, local reservado líderes políticos e militares. Foi conselheiro de diversos presidentes americanos, e seu velório foi acompanhado pela presença do Presidente Donald Trump, que o homenageou.

É por esta razão que Billy Graham é considerado o maior pregador do século XX, deixando-nos não apenas um acervo de dezenas de obras, programas gravados e sermões no YouTube, como também um exemplo de amor à Deus, influência no mundo, e tentativa de trazer a Paz não mediante o esforço humano, mas mediante a Cruz!!!

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...