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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Uma Páscoa para recordar a segurança que só Cristo concede

A Páscoa é uma data comemorativa para nós, cristãos, de extrema importância e complexidade. Ela é capaz de gerar os mais variados sentimentos naquele que reflete o que a Palavra registra sobre a morte e ressurreição de Jesus Cristo. O nosso Senhor, o Filho de Deus, levou sobre si as nossas dores e transgressões, sofrendo castigo que estava reservado para cada um de nós. Os últimos capítulos do evangelho de Mateus relatam a história do martírio de Jesus em nosso lugar, e a grande questão que fica é: como recordar com alegria e reverência uma data tão especial para nós, mas que envolve tanto sofrimento do nosso Senhor?

Jesus deixa para nós o verdadeiro exemplo de que a vida também é composta de momentos nos quais sorrimos e nos alegramos em meio ao sofrimento e ansiedades. São os sorrisos ensombrecidos que somos capazes de dar durante um momento de muita angústia. Quando somos capazes de nos contentar, mesmo que infimamente, em meio a lágrimas e tristezas. Na véspera da sua traição, tortura e morte, Jesus ceiava na companhia dos discípulos que amava; eu meio a dores físicas e emocionais ele conseguiu olhar com amor para sua própria mãe; e mesmo sob zombaria, ele clamou ao Pai pelo perdão daqueles que só desejavam a sua morte.

Relembrar o sofrimento de Jesus é sempre um motivo de muita tristeza, mas pensar que tudo ocorreu da exata forma como Ele determinou, e que tudo foi feito intencionalmente em nosso benefício torna a lembrança também um motivo de alegria. Pensar que tudo foi feito por misericórdia de amor é motivo para glorificar e se alegrar no Senhor!

São os pequenos detalhes que fazem toda a diferença! É dito que ele "entregou o espírito" (Mateus 27:50), Sua vida não foi roubada, e sim dada de boa vontade para nos dar vida. A morte foi apenas uma etapa do plano do Senhor, e após o terceiro dia o Senhor ressuscitou, tendo reaparecido para os seus discípulos, orientado eles e prometido que estaria conosco até a consumação dos séculos. Cristo foi o sacrifício definitivo para perdoar os pecados de todos os homens que depositam nEle a sua fé. 

Então podemos encarar a Páscoa como a oportunidade de recordar a segurança que só Cristo concede. Se seguirmos os exemplos do nosso Senhor Jesus, seremos capazes sim de sofrer imaginando as dores que Cristo levou em nosso lugar, mas, ao mesmo tempo, seremos capazes de sorrir sabendo que o sepulcro amanheceu vazio. 

Cristo é o Cordeiro Pascal, que foi ferido e moído por nós. O Cordeiro que levou sobre si a iniqudade e nossas dores, embora não tenha aberto sua boca, como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:4-7 c/c Atos 8:34-35. É o dia de recordar a segurança que só Cristo pode trazer, e compreender que a morte já foi derrotada, e que o sepulcro está vazio. Em Cristo nascemos novamente, e um dia estaremos  pessoalmente na presença dEle. Sem pecados ou sua influência. Apenas a alegria de se estar diante de Deus.

A Páscoa traz a lembrança do sofrimento, mas também nos traz alegria da salvação e o exemplo maior do amor de Deus. A lembrança da agonia do Senhor na cruz, e da esperança, surpresa e felicidade de encontrar o sepulcro vazio, e constatar que de fato o Senhor cumpriu a promessa que nos daria a vida eterna.


sábado, 29 de outubro de 2022

Relacionamentos que edificam (Romanos 12:2)

 



"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Romanos 12:2

Quando lemos o capítulo 12 da carta de Paulo aos Romanos, vemos a sua exortação e apelo à igreja, para que seus irmãos em Cristo consagrem a sua vida a Deus. O capítulo, como um todo, é um apelo para que o filho de Deus seja humilde na sua vida cotidiana e reflita em como fazer o seu dia a dia neste mundo caído um exercício constante da busca pela vontade de Deus. A luz deste texto, precisamos falar de relacionamentos que edificam.

1º O seu relacionamento com Deus

Quando falamos de relacionamentos que edificam, não há como não começar pelo mais importante deles: o relacionamento com Deus. Este versículo nos ensina a necessidade de experimentar mais de Deus e Sua vontade boa, perfeita e agradável, e, na mesma medida, afastar-se do doce veneno do pecado e oportunidades que o mundo oferece. Paulo está falando de relacionamento, na medida em que roga que apresentemos nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; mas também está falando dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Toda ação, seja em direção a Deus ou não, começa naquilo que pensamos. 

Então o primeiro passo para construir relacionamentos que edificam, e construir um relacionamento com Deus. Você precisa entender que a coisa mais importante do mundo é caminhar com o Deus que te ama, e o relacionamento que efetivamente você não pode viver sem é o relacionamento com o Senhor Jesus. Você precisa compreender que Jesus sempre esteve e sempre estará comprometido com você, mesmo quando você nunca tinha ouvido falar dEle. 

Jesus Cristo leva o relacionamento com você tão a sério, que Ele ofereceu a própria vida por isso. Cristo tem um amor e compromisso tão sério com você que se dispôs a morrer para isso! Você PRECISA compreender que o relacionamento que mais vai edificar a sua vida é e sempre será o seu relacionamento com Deus. Você precisa pensar como suas ações e palavras afetam as pessoas a sua volta, mas acima de tudo, você precisa pensar em como afeta o seu relacionamento com Jesus.

Não se conformar com o mundo é a receita que Paulo apresenta para que você possa experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Isso significa que se você quiser experimentar mais de Deus, você precisa se afastar cada dia mais das coisas que te afastam dEle. Veja que o versículo não está dizendo que Deus te abandona, porque isso não é verdade. Ele diz que você será capaz de experimentar essa relação, e sentir o quanto ela é boa pra você.

Você vai perceber que ter amigos e família é bom. mas ter amigos e família caminhando com Jesus é perfeito. Você vai perceber que as dores e dificuldades são menos dolorosas, e que mesmo nos piores momentos ainda é possível sorrir. Você vai perceber que todas as pessoas a sua volta podem estar enlouquecendo e perdendo a cabeça, mas você continua firme nas promessas do Senhor.

2º O seu relacionamento com você

Você também precisa compreender o quanto é importante refletir a forma como você se relaciona consigo mesmo, afinal, tirando Deus, é a outra única pessoa que vai estar ao seu lado 24h por dia. Veja que Paulo adverte que o cristão não deve se conformar ao mundo, e, ao invés de mandar nós corrermos para as colinas ou nos escondermos numa caverna, ele manda que façamos uma transformação nas nossas mentes. Aprender a se relacionar consigo mesmo, refletindo seus sentimentos, motivações, ações, planos e projetos é extremamente importante.

Você precisa renovar o seu entendimento primeiro, antes de tentar ajudar as pessoas a sua volta. É aquela velha questão do homem que tenta apontar um cisco no olho do seu irmão, tendo uma estaca cravada no seu próprio olho. Se você precisa investir no seu relacionamento com Deus, precisa estar atento em como a sua forma de pensar pode beneficiar ou prejudicar isso!

Por um lado, você precisa sempre estar atento para que a sua estima não seja tão alta que te torne uma pessoa soberba e desumilde. Você precisa compreender que é um pecador sim, que erra tanto quanto os outros a sua volta, e, às vezes, tem pecados mais escandalosos que o de algumas pessoas que não tem Jesus Cristo. Você, estando de pé, precisa tomar cuidado para que não caia.

Por outro lado, você não pode estar ancorado nos seus erros e decisões do passado, afinal, a cada dia que passa Cristo renova as misericórdias dEle em nossas vidas. Quem você foi, as palavras que disse, e os erros que cometeu não devem te impedir de seguir em frente com Jesus. Você precisa refletir nas suas ações sim, mas não ficar preso a elas, lamentando ou justificando a sua omissão no fato de ser um pecador. Na igreja, todos nós somos.

Assim, você precisa renovar o seu entendimento acerca de si mesmo, das pessoas e do mundo a sua volta, olhando para Palavra de Deus e pensando em como você pode fazer para viver e experimentar a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor em todas as coisas. Você precisa focar menos nos problemas e mais na solução, que é Jesus. Lembrar do amor dEle, e da forma como pra Ele, que é Deus, o seu passado não importa.

3º O seu relacionamento com o mundo e com o outro

Colocar o seu relacionamento com o mundo como um "relacionamento que edifica" é um convite e desafio necessário na vida de cada um de nós. Não se trata do mundo nos edificar, mas de nós, renovados em nosso entendimento, fazer dele um lugar melhor. Afinal, a boa, perfeita e agradável vontade de Deus pode ser experimentada ainda neste tempo, através da presença da igreja e do Espírito Santo no mundo.

Sim, o mundo é cruel, jaz no maligno e hostiliza a vontade de Deus. Quanto mais santa e correta for uma coisa, mas o mundo vai odiar ela. Entretanto, a sua ação pode mudar a vida das pessoas a sua volta. Não é você que tem que ser influenciado pelas falas e ideias erradas que o mundo tem a oferecer; Deus espera que você seja a influência. E ainda que não possa convencer uma única pessoa que seja, Ele espera que você possa se manter digno diante dEle e não ceder. Sacode o pó das suas vestes e segue firme.

Você precisa entender que a aprovação de ninguém vale a pena a desaprovação de Deus. Um namorado, amigos, carreira e mesmo popularidade e influência social não valem a pena uma vida distante de Deus. Você precisa colocar Jesus em todos os seus relacionamentos. Afinal, se Deus é o caminho, a sua carreira e passos tem que ser nEle; se é a Verdade, qualquer amizade só vai ser verdadeira com a benção dEle; se é a Vida, não dá pra viver sem Ele de forma alguma.

Se você quiser ter um relacionamento de verdade com uma pessoa, Cristo precisa estar nessa relação. Você precisa viver relacionamentos que edificam a sua vida com Cristo, mas que também edificam a vida das pessoas a sua volta. Você é a luz em meio as trevas do mundo, a pessoa que Jesus separou pra viver a pregar a vontade dEle a todos que ainda precisam ouvir. Veja que todo o capítulo 12 fala sobre isso, e sobre a forma como você ama, perdoa, se alegra e se entristece com as pessoas a sua volta. Não se relacione com alguém simplesmente para se relacionar: se relacione com uma pessoa, sabendo que a sua presença na vida dele deve trazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Você pode ser o instrumento de salvação que Deus para a vida de alguém.

sábado, 20 de março de 2021

Jesus - O Cordeiro Pascal

A Páscoa no Antigo Testamento é o memorial da libertação dos hebreus do Egito, representando a primeira reunião com o povo da aliança.




E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:
Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.
Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.
Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.
O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras.
E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.
E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.
Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.
E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo.
Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.
E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor.
E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.
E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.


Quais são os pontos chaves da instrução?


1 - Cada homem deveria selecionar um cordeiro sem mancha ou defeito para sua família. Depois da escolha desse animal no décimo dia do mês, ele deveria ser observado durante cinco dias para certificar que não havia nada de errado com ele.

2 - Era necessário levar o cordeiro até a própria porta de casa e matá-lo. Recolhia-se o sangue numa bacia e depois o aspergia em ambos os lados do umbral e acimado umbral. Toda a entrada da casa fica coberta pelo sangue do cordeiro.

3 - O cordeiro inteiro deveria ser assado e consumido. Nada poderia sobrar para o dia seguinte. Ao preparar a refeição, nenhum osso deveria ser quebrado e o cordeiro deveria ser transpassado por espetos para que o corpo ficasse aberto.

4 - Enquanto comiam, Deus permitiu que o anjo da morte passasse pela terra. Ao passar de porta em porta, ele procurava entrar em cada casa. Se a entrada estivesse coberta pelo sangue, o anjo da morte não conseguia entrar Do contrário, o juízo viria sobre aquela família.

5 - Nenhum incircunciso deveria participar da refeição da Páscoa ou celebrar a festa (Êxodo 12:48). A circuncisão era o sinal externo de que o homem havia aceitado Deus como verdadeiro, e feito uma aliança de sangue com Ele.

A assim foi estabelecida a Páscoa do Senhor. O sangue do cordeiro  era a cobertura e proteção para o povo de Deus. 

Mas por que o sangue nos umbrais das portas apenas? Já que a ideia é evitar a entrada do anjo da morte, ele poderia entrar pela janela também!

Há um contexto histórico para o sangue ser aspergido nos umbrais das portas. O mais antigo altar primitivo à Deus e mesmo aos deuses falsos eram a soleira ou a entrada das casas. As pessoas sacrificavam aos deuses no altar da soleira, como forma de pedir proteção e convidar essa suposta divindade para entrar na casa. Era comum matar um animal na soleira para dar boas vindas à divindade da família, em seguida atravessar a soleira e entrar em casa.

O entendimento bíblico, portanto, ganha muito mais riqueza! Não se trata apenas de uma barreira de proteção feita com sangue; era um convite para Deus entrar na casa e proteger a família do anjo da morte! Deus entrava no lar com vida, enquanto o anjo trazia morte para os impiedosos!

Com base nisto, porque Jesus é o Cordeiro Pascal? Por que não há mais sacrifícios?

Sabemos muito bem que a Lei de Deus não foi revogada, mas que Cristo a cumpriu por nós, a fim de que pudéssemos nos apresentar justificados diante do Pai (Mateus 5:17-18). Milhares de cordeiros eram sacrificados e consumidos anualmente em Jerusalém, a fim de que a Páscoa fosse comemorada! Jesus, por outro lado, ofereceu um único sacrifício definitivo entregando a Si mesmo como o Cordeiro Pascal.

Sabemos que todo o sistema religioso e sacrificial do Antigo Testamento aponta para a obra redentora de Jesus Cristo. Se o único caminho para Deus é o próprio Senhor Jesus, o que fica muito claro para nós é que qualquer forma de justificação ou salvação provém dEle e aponta para Ele. Os símbolos do Antigo Testamento apontam para o que Jesus ainda faria no seu ministério terreno, e todos  que morreram antes disso foram justificados pela fé no Messias redentor (Hebreus 11).

Vamos voltar aos três primeiros pontos chaves da Páscoa Judaica?

1 - Cada homem deveria selecionar um cordeiro sem mancha ou defeito para sua família. Depois da escolha desse animal no décimo dia do mês, ele deveria ser observado durante cinco dias para certificar que não havia nada de errado com ele.

Jesus  foi separado para ser interrogado e sacrificado no exato mês, dia e hora que os judeus vinham tratando os cordeiros para a festa da Páscoa. O cordeiro precisava ser separado no décimo dia do mês, e Jesus entrou em Jerusalém  no décimo dia, a fim de iniciar os preparativos do seu próprio sacrifício. 

Jesus foi para Betânia no nono dia (João 12:1), e entrou em Jerusalém no dia seguinte, o décimo dia de Nissam (João 12:12-13).

O cordeiro era separado com antecedência para garantir que não tivesse mancha ou defeito, e por tal razão  ficava sob observação por 5 dias. Jesus, após sua chegada em Jerusalém, foi observado e posto a prova por 5 dias pelos líderes religiosos, os quais questionaram sua autoridade e interrogaram-lhe para que desse alguma resposta errada com a qual pudessem acusá-lo (Mateus 21:23-37/ Mateus 23).

Por fim, Jesus foi levado diante do governador de Roma, já que segundo a Lei nada puderam acusar. Após ser torturado e interrogado, Pilatos declarou sua inocência (João 19:4). Tudo isso ocorreu entre o décimo e o décimo quarto dia.

2 - Era necessário levar o cordeiro até a própria porta de casa e matá-lo. Recolhia-se o sangue numa bacia e depois o aspergia em ambos os lados do umbral e acimado umbral. Toda a entrada da casa fica coberta pelo sangue do cordeiro.

Era necessário que os judeus preparassem o sacrifício às nove horas da manhã do décimo quarto dia, e o cordeiro fosse morto às três horas da tarde para a Páscoa ser concluída antes das seis horas, quando um novo dia iniciaria. Na hora exata em que os judeus estavam preparando os cordeiros da Páscoa, Cristo foi crucificado por nós (Marcos 15:25).

Cristo é o Cordeiro Pascal, que foi ferido e moído por nós. O Cordeiro que levou sobre si a iniquidade e nossas dores, embora não tenha aberto sua boca, como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:4-7 c/c Atos 8:34-35).

O que nós entendemos como três horas da tarde, o judeu compreendia como hora nona. O que exatamente ocorreu na hora nona? Lembrei! Cristo morreu! Na hora nona, Jesus clamou, bradou, e entregou o Seu espírito, conforme (Marcos 15:34-37).




Com isto o véu do templo se rasgou de cima a baixo, simbolizando que a separação entre o homem e Deus não mais existia! A partir daquele momento Deus olha para seus filhos e não vê as transgressões! Ele vê o sangue de Jesus aspergido sobre nós, nos livrando da morte eterna e nos tornando justos diante de Deus! A comunhão é reestabelecida, e Deus entra em nossas vidas e nossos lares trazendo vida aos que estavam mortos em seus delitos e pecados!

3 - O cordeiro inteiro deveria ser assado e consumido. Nada poderia sobrar para o dia seguinte. Ao preparar a refeição, nenhum osso deveria ser quebrado e o cordeiro deveria ser transpassado por espetos para que o corpo ficasse aberto.

Cristo foi totalmente consumido no julgamento de Deus por nossos pecados. Não há um aspecto da vida de Jesus no qual Ele não tenha se entregue por cada um de nós. Cada palavra proferida, cada decisão tomada, cada milagre realizado! Em todo momento Ele estava sendo obediente até a morte, e morte de cruz!

Nada deveria ser deixado para o dia seguinte, e Jesus foi retirado da cruz antes das seis horas (João 19:31). Cristo não foi deixado na cruz até o dia seguinte. Seus ossos, como o do cordeiro sacrificado, não foram quebrados! Era costume quebrar as pernas dos crucificados, para que morressem asfixiados mais rápido, pois tal pena poderia durar dias! Jesus morreu em poucas horas, e após quebrarem as pernas dos ladrões, os guardas não precisaram quebrar as de Cristo (João 19:30-37).

Com base nessas informações, vemos que Jesus é o Cordeiro Pascal que foi sacrificado por nós (1 Coríntios 5:7), sem manchas ou defeitos, revelado em favor de nós, e ressuscitado pelo Pai dentre os mortos para nos trazer fé e esperança (1 Pedro 1:18-21). Ele foi crucificado, com seus braços abertos e esticados, como um cordeiro transpassado por espetos!




No próximo artigo abordaremos a ressurreição de Jesus! 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Análise do livro: O Cálice do Evangelho

Heey, tudo bem? Hoje a análise de livro é sobre uma obra de me deixou realmente empolgado e admirado! O Cálice do Evangelho: Somos salvos da Ira de Deus, por meio de Deus, para a glória de Deus!

Um livro que não teria problema nenhum de ser julgado pela capa...


O livro, prefaciado pelo Reverendo Renato Vargens, já começa intrigante pelo título, embora quem conheça o autor, Rodrigo Caeté, sabe que este título não é dos mais assustadores, se compararmos com alguns artigos do seu blog (http://rodrigocaete.blogspot.com.br/) como "O homossexualismo não é apenas PECADO, mas também JUÍZO de Deus" e "VOCÊ É 'BURRO' OU CRISTÃO?". Títulos que são ótimos clickbaits, embora eu saiba que meu bom amigo não aufere renda por publicidade na sua página, o que não o impede de ser bem criativo na hora de criar os nomes para os seus artigos. E embora pareça desconexo dizer isso, acredito que o Rodrigo não poderia ter escolhido outra pessoa para escrever o seu prefácio, afinal ele e o Reverendo Renato Vargens tem o mesmo estilo de escrita, de forma que o prefácio é para o resto do livro como a esposa é para seu marido.

Pra quem não conhece o Rodrigo, ele é formando no Seminário Teológico Congregacional de Niterói, membro da Igreja Evangélica Congregacional do Mutuá, licenciado em Letras com habilitação em Português, Redação e Literaturas brasileira e portuguesa (UFRJ); pós-graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ (Centro Presbiteriano Andrew Jumper/Universidade Mackenzie) e professor do seminário da Igreja Evangélica Congregacional de Andorinhas. E embora não conste no livro, ele faz parte do Papo Alternativo (um grupo que promove discussões sobre cosmovisão cristã com foco na mocidade) junto comigo e mais alguns amigos, sob a supervisão do Presbítero Fábio Macedo, da Igreja Evangélica Congregacional do Barradas.

Não minto quando eu digo que foi um dos livros que mais saboreei a leitura, a qual agregou bastante ao meu conhecimento particular do Evangelho, ao apresentar a tríade preposicional no tocante a salvação. É possível expandir a compreensão do Evangelho se analisarmos, ainda que sob o aspecto da condescendência divina, a finalidade, o meio e a motivação da obra redentora realizada por Cristo em nossas vidas. Conceitos como a união hipostática das naturezas de Cristo são apresentadas com uma linguagem simples e coerente; percebe-se a paixão do autor pelo tema em cada linha, e na escolha da base bibliográfica do seu trabalho. Aliás, o Rodrigo ganhou minha aprovação do texto simplesmente porque usou Jonathan Edwards para falar da Ira de Deus, o que pra mim é imprescindível, tanto quanto a escolha de usar John Piper para apresentar pontos chaves de um livro de soteriologia .

O livro é escrito de forma simples, e termos mais complexos quase não aparecem, e quando isso acontece, a conceituação do termo é impecavelmente simples e compreensível! Dá pra perceber a preocupação do autor com o entendimento do público. Não tem como reclamar de dificuldade para compreensão daquilo que o autor escreve, e o livro se torna muito mais atraente pela desnecessidade de leitura de nota de rodapé ou pesquisas em livros e Google Search para elucidar a dúvida de um termo que apareça! 

Eu realmente recomendo o livro, que poderia inclusive ser usado como material para um conteúdo programático para o estudo do tema nas Escolas Bíblicas Dominicais das nossas igrejas. Que o Senhor continue abençoando o Rodrigo Caeté para que possa escrever mais e mais, pois meu sonho é ver nós, congregacionais, produzindo teologia de boa qualidade! Minha recomendação para o leitor é que tenha o livro em uma mão e a bíblia na outra, embora para sua felicidade o Rodrigo transcreva os versículos base das suas posições para o livro (e como eu já disse no artigo anterior, eu amo essa facilidade para uma leitura corrida).

Quer saber por que o livro é tão bom? Então adquira o seu, porque spoiler é pecado haha! Vai valer a pena!!!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Posso/Devo beber? O cristão e o álcool.

E aí gente, beleza? Pra quem acompanhou meus dois artigos sobre os presbíteros, devem saber que deixei a questão do consumo de bebida alcoólica para um artigo individual. A razão disto é porque o assunto tem muita discussão, e, se por um lado não é uma questão fundamental do Cristianismo, por outro lado, não merece o tratamento leviano e as ponderações descuidadas e por vezes sem fundamentos com as quais o tema é abordado.



Correntes

Quando um cristão é questionado acerca do consumo de bebidas alcoólicas a resposta não é unânime. é bem capaz de encontrarmos numa roda de amigos da igreja ao menos um que defenda uma das três posições abaixo:

Proibitivo: um cristão de posicionamento proibitivo vai defender não apenas a abstenção do vinho, como também a proibição nas Escrituras.

Abstêmios: um cristão abstêmio (eu por exemplo) reconhece que não há um imperativo proibitivo para o consumo de bebida, mas desencoraja o consumo. Um abstêmio jamais afirmará que a bíblia proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, mas nem por isso ele irá beber, em consideração ao potencial negativo do consumo de bebidas.

Moderado: um cristão moderado é aquele que não só afirma que a Palavra não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, como também consome.

Logo, há três possíveis resposta no seio da igreja. Qual será a correta? Há uma correta?

Onde a bebida alcoólica aparece na bíblia?

A bebida alcoólica aparece na bíblia  em diversas passagens que informam o consumo do vinho. E, caso analisemos as palavras originais traduzidas para vinho (seguindo um estudo do tema proposto por John MacArthur), todas elas dizem respeito à bebidas fermentadas, de teor alcoólico.

No Antigo Testamento, temos a ocorrência do termo yayin, o qual não diferencia nem o vinho velho, nem o novo, nem o suco de uva. Ou seja, embora alguns aleguem tratar-se de tradução para suco ou extrato não fermentado de uva (como em Jeremias 48:33), isto não estará correto em todos os casos. Por exemplo, em Gênesis 9:21, Noé bebeu vinho a ponto de embriagar-se e ficar nu. 

Há também a ocorrência do termo shekar, que pode ser traduzido como "bebida forte", e é oriundo do verbo shakar, que significa "embebedar-se". Ora, se o vinho não possui teor alcoólico, por que a raiz da palavra é o termo referente ao consumo de bebida capaz de embriagar um homem? O que seria "bebida forte", senão a bebida com teor alcoólico?

Há também o uso da palavra tirôsh, referente a sucos doces e mostos, sendo associado ao suco de uva não fermentado. Ora, se há uma palavra no Antigo Testamento que especificamente aborda o suco de uva não fermentado, seria hipocrisia ou tolice afirmar que todas dizem respeito a suco de uva sem teor alcoólico.

A discussão sobre o consumo de bebida alcoólica no Antigo Testamento tem fim no uso de yayin e shekar no mesmo versículo, hipótese na qual referem-se à vinho totalmente fermentado, como em Isaías 28:7. Ora, até o presente momento eu nunca vi um homem cambalear tomando suco de uva!

Já no Novo Testamento, o termo original em grego seria oinos, que  não faz distinção entre o vinho no início da fermentação (Marcos 2:22 - o vinho recém produzido é posto nos odres), o vinho fermentando (Marcos 2:22 - o início da fermentação faz os odres se romperem) ou já fermentado (Lucas 1:15). 

Também há o termo sikera, que diz respeito a "bebida forte", correspondente ao hebraico shekar.

E o que podemos dizer sobre o vinho na Palavra?

Antes de mais nada, é importante dizer que mesmo o dito "vinho novo" pode ter teor alcoólico, visto que a fermentação é um processo quase que imediato. Ocorre que para os homens, o "vinho velho" era considerado bom, em razão da elevada fermentação (Lucas 5:39). Há quem diga, neste sentido, que o vinho que Jesus produziu em seu milagre nas bodas seria fermentado!  Seria costume dar o vinho mais fermentado no começo (o bom!) e quando todo mundo já estava embriagado, davam o vinho novo, pouco fermentado. É certo inclusive afirmar que o vinho que é muito diluído nem mesmo é elogiado, conforme podemos inferir em Isaías 1:22. 

Fica difícil para os que dizem que o vinho da bíblia não possui teor alcoólico sustentar essa posição quando nos deparamos com passagens como Salmos 104:15, que faz alusão ao efeito de contentamento do consumo de bebida alcoólica, ou Provérbios 31:6, que recomenda vinho aos amargurados de espírito.

O vinho é vinculado também à tratamentos médicos (1 Timóteo 5:23), como antisséptico ou lenitivo para dores estomacais.

E, para os que dizem que o vinho é algo proibido, abordando a bebida como uma espécie de coisa impura e do diabo, tal posição carece de fundamento quando vemos a bebida ser oferecida nas ofertas ao Senhor, como em Êxodo 29:40 e Números 15:5.

E qual o erro dos proibidores?

Das três posições, eu consideraria a dos Proibidores a única incorreta. Afirmar que a Palavra proíbe o consumo de bebidas, diante de todas as informações acima é ir além do que a Palavra nos ensina. A Palavra de Deus é: inerrante, autoritativa e condena expressamente o abuso do álcool.

Se a Palavra de Deus não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, ao afirmar o contrário, o cristão coloca em xeque a inerrância das Escrituras, visto que dispensa tratamento diverso ao assunto, como se Deus houvesse errado ou se omitido ao não proibir o consumo. Também afronta a autoridade das Escrituras, ao impor a própria autoridade sobre a de Deus, impondo uma regra de fé e prática que a Palavra não exige, em semelhança aos líderes judeus que impunham a tradição.

Em passagem alguma vemos uma ordem para que o cristão em nenhuma hipótese beba vinho! A Palavra não condena o uso, e sim o abuso do consumo de bebidas. 

Como argumento, peguemos os versículos de I Timóteo 3 e Tito 1, que traz como requisito que o candidato "não seja dado ao vinho". Essa expressão vem da palavra paroinos, que pode ser traduzida como "colocar-se ao lado", ou seja, dizia respeito ao homem que sentava-se junto ao odre pra beber, de forma que seu copo estava sempre cheio e sua tendência era embriagar-se. 

O abuso do álcool usurpa a consciência e discernimento do homem, que precisa estar no controle de suas faculdades. Um bêbado se entrega às paixões e não discerne sequer a própria vontade! Quem dirá a de Cristo então? Falta-lhe lucidez e domínio próprio! Por esses e outros motivos, a embriaguez é condenada por Deus!

Ah, Pedro, mas o vinho era misturado com água!

De fato era! Pisado no lagar e desidratado até virar uma pasta, que era diluída em água para o consumo! Isso é verdade! Mas quem disse que isso tira o teor alcoólico de uma bebida?

A verdade é que TODA BEBIDA É MISTURADA COM ÁGUA! Toda bebida alcoólica leva água na composição, o que muda é a concentração de álcool!

A Escala Gay Lussac é responsável por determinar o teor alcoólico de uma bebida, medindo-se a razão de mililitros de álcool por 100ml da composição.

Só a título de exemplo, a cada 100ml de água na cerveja, há entre 5% a 9% de álcool! A aguardente tem entre 38% a 54%; a cachaça tem 38% a 48%, e por aí vai!

Mas e o vinho? O vinho tem entre 11% a 14% de álcool! Sobre a alegação da pasta ser diluída em água, cumpre ressaltar que dependendo do grau de diluição, as vezes o vinho não chegava nem a 3% de teor alcoólico! Mas mesmo assim, não dá pra dizer que não tinha álcool! Daí se entende a expressão "dado ao vinho" com mais clareza! Pro cara se embriagar com um vinho bem diluído, ele tinha que beber muito, ou seja, sentava-se junto ao vinho!

Caso semelhante no nosso tempo, quando a Ambev foi multada por dizer que sua cerveja Kronenbier era sem álcool, só por estar abaixo do percentual adotado para considerar uma bebida como alcoólica, mas havia uma porcentagem de álcool ainda menor que a deste vinho muito diluído!

E qual o dilema dos Moderados?

Eu não posso afirmar que os moderados erram, mas posso afirmar que eles vivem em grande dilema, de forma que ainda creio que a abstenção é o melhor caminho. Primeiro pela facilidade de se embriagar que nós temos hoje em dia, pois, como vimos acima, a bebida alcoólica que a Palavra apresenta é bem diferente da que temos hoje em dia! São bebidas com até o triplo do teor alcoólico dos vinhos e licores. A lógica é que bebidas mais fortes embriagam mais rápido!

Fica muito difícil apurar o momento em que a embriaguez torna-se um problema, visto que não há um parâmetro objetivo para dizer "Eu estou embriagado", bem como haver fatores externos que dificultam o impulso de parar, como por exemplo, o sabor da bebida; e fatores que facilitam a embriaguez, como consumir a bebida em jejum; e fatores biológicos como sexo (as mulheres ficam bêbadas mais rápido), idade ou ser obeso ou estar acima do peso.

Ainda tem o dilema jurídico! Quando a embriaguez é pecado, se, juridicamente falando, os efeitos do álcool como contentamento e relaxamento citados alguns parágrafos acima podem pressupor o primeiro estágio da embriaguez?  Nas aulas de Direito Penal, a fim de trabalhar a embriaguez como excludente de culpabilidade, minha querida professora me apresentou uma comparação antiga, onde três estágios da embriaguez são representados por três animais!

Segundo a comparação, o primeiro estágio é a euforia, representada pelo macaco, em razão de ser um animal saltitante e hiperativo, que representa o homem no início da embriaguez, quando fica eufórico, alegre e brincalhão! Neste estado, ele ainda conserva a sua consciência, mas já está sob os efeitos do álcool! Nossa tendência é considerar a embriaguez apenas a partir do segundo estágio, representado pelo leão, para retratar as mudanças temperamentais geradas pela bebida, por ser a fase, por exemplo, onde, já não tendo domínio de suas faculdades, o homem torna-se agressivo e suscetível. O terceiro estágio então nem se fala! Representado pelo porco, o homem já está na lama! Diz respeito ao ápice da embriaguez, caracterizada pela inconsciência e perda total das faculdades!

Ora, se para medicina legal e para o Direito os efeitos do álcool na primeira fase da embriaguez e antes dela são os mesmos, como posso saber se já não estou embriagado, ainda que consciente?

Outro dilema seria o escândalo, hipótese na qual Paulo apresenta o princípio da abstenção para não contaminar a consciência de irmãos considerados mais fracos. Ao abordar o consumo de carne sacrificada a ídolos, Paulo informa para os irmãos que têm consciência de que comer ou não não fará diferença, mas, se um irmão fraco ver o consciente comendo e isso lhe for razão de escândalo, isso se torna um pecado contra Cristo (I Coríntios 8). Assim como a carne, se a bebida escandalizar meu irmão, o correto é que eu não beba mais.

Uma forma apresentada pelos moderados de evitar essa abstenção é o consumo de bebidas em casa, sozinho ou com outros irmãos também moderados, para não haver o risco de um irmão fraco passar e ver!



O que seria a potencialidade negativa para um Abstêmio?

Como um abstêmio, além da questão do escândalo, eu, Pedro Silva Drumond, peco contra minha consciência se consumo álcool, pois, embora saiba que não é proibido, não me sinto bem, por ligar a bebida ao meu velho homem. Logo, se não peco contra a consciência de outrem, peco contra a minha.

Além disso, o consumo alcoólico é potencialmente lesivo, se considerarmos o risco de alcoolismo, e do ponto de vista médico legal, o aumento das possibilidades de cometer-se um ilícito penal sob efeito da bebida.

Outrossim, fica muito complicado você mostrar para um homem que a vida toda foi alcoólico, e que quer lutar por amor a Cristo e renovação de vida, que o consumo de álcool é lícito. É como colocar um hipocondríaco perto de uma bula de remédio e pedir para ele não ler! Esse homem precisa encontrar na igreja o que não encontrou no mundo, e não o contrário!

E por incrível que pareça, ainda temos que lidar com a ideia de falsa aceitação e tolerância ao mundo que o consumo de álcool propõe, quando na verdade este mundo e seus ideais não tem conformidade com os nossos! Só como exemplo, minha maravilhosa e incomparável mãe (os elogios são porque sei que ela vai ler e depois reclamar que falei dela) que, ao receber uma garrafa de cerveja artesanal que comprei para ela experimentar, pois sabia que ela gostava, quis logo postar nas redes sociais da seguinte forma: "Presente do meu filho crente", no sentido de que as pessoas me vissem como um cara tolerante, mas que também poderia ser mal interpretado como um cara anuente! Para mim foi uma lição de que eu não sou apenas filho, ou estudante, ou homem simplesmente; eu sou cristão! Filho cristão, estudante cristão, trabalhador cristão, homem cristão. Tudo que eu fizer, por mais inocente que seja aos meus olhos, vai refletir na forma como o mundo verá o cristianismo!

Além disso, eu também vejo um padrão no qual homens separados para Deus deveriam se abster do vinho, ainda que em caráter temporário! É o caso dos nazireus (Nm 6:2-6), sacerdotes em exercício (Lv 10:8-11), reis (Pv 31:4-5) e mesmo o caso de João Batista (Lc 1:15), Estes homens não deveriam consumir bebida alcoólica, e eu, como embaixador de Cristo, separado para Deus, missionário em tempo integral (tudo fora da igreja é um campo missionário), tenho essa regra para mim não como um peso da lei, mas como uma decisão de amor à Deus e ao meu próximo.

Conclusão

O consumo de bebidas alcoólicas não tem proibição na bíblia, recomendando-se moderação caso opte por beber. Há, ainda, recomendações para não consumir, se isso for escandalizar seu irmão e ser causa de tropeço para ele! Considerando todos os contras do consumo de bebidas, opto pela postura de abstenção.

Observação:

Consumir bebidas alcoólicas aumenta as chances de ouvir Pablo, Maiara e Maraísa ou Wesley Safadão, e, por mais esta razão, não recomendo o consumo de bebida alcoólica!

Eeeeeeh sofrência!!!


quinta-feira, 29 de março de 2018

Devocional: Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos! (Mt 27:25)

Meu Pai, o povo clamou teu sangue!  Movidos por violenta paixão, clamaram a responsabilidade pelo teu sangue, desde que o vissem derramado!

Tua morte fora tão desejada por eles, que ofereceram sua descendência como ré junto deles, não se importando de ver seus filhos culpados e sujeitos às consequências!

Pai, eles não se oporiam a enfrentar o vingador do Teu sangue, e a este entregariam suas crianças, tamanha a vontade de ver-Te na cruz!

Ah, meu Pai! Se soubessem quão aprazível é ter o Seu sangue sobre eles, e quão abençoados serão os filhos deles se tiverem a mesma sorte! Pois Teu sangue não traz a perseguição do vingador, nem a sentença de morte da Lei.

Teu sangue derramado é a remissão no próprio crime a remir; a inocência declarada na culpa! Pai, ainda desejariam Seu sangue se soubessem o valor que tem?

Pois eu o quero, Senhor. Não amo ser culpado por ele, mas por ele ser também alvo do Teu perdão, Pai! Teu sangue que cobre meus umbrais evitando a morte eterna de minha alma, Cordeiro Santo de Deus!

Quero-o sobre mim, humilhado por saber que não pode ser de outra forma, e que nada posso fazer sobre isso! Tua morte venceu a morte! Compraste-me pelo preço imensurável do seu sangue!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Quais são as qualificações dos presbíteros?

No artigo anterior eu havia falado para vocês acerca dos presbíteros e suas funções. Mas de qual forma tais homens são selecionados (ou ao menos deveriam ser) para o exercício do governo da igreja? A escolha de um presbítero não se dá levando em consideração critérios humanos como influência social, eloquência, posição hierárquica no trabalho ou o valor do dízimo devolvido ao Senhor.

Assim como a vida de cada cristão deve refletir a santidade de Deus, o governo da igreja também deve fazê-lo, de forma que os critérios para eleição dos líderes da igreja levam em conta os atributos comunicáveis do Senhor e a evidência dos frutos do Espírito na vida do candidato à presbítero. Tais características são apresentadas nos texto de I Timóteo 3:1-11 e Tito 1:6-16, transcritos abaixo para consulta do leitor: 

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;

Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );
Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;
Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
(I Timóteo 3:1-11)

Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.
Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;
Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;
Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.
Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão,
Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.
Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.
Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.
Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade.
Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.
Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.
(Tito 1:6-16)

Os textos acima apresentam um rol de qualidades a serem observadas nos candidatos ao episcopado, e, tomando como referência a listagem apresentada no livro "Eu sou chamado?", de Dave Harvey, elenquei 11 características, que são:

  1. Não ser neófito (I Timóteo 3:6)
  2. Ser santo e irrepreensível (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6-7)
  3. Ser esposo de uma só mulher (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  4. Ser temperante e sóbrio (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  5. Ser respeitável e ter bom testemunho dos de fora (I Timóteo 3:2,7)
  6. Ser hospitaleiro (I Timóteo 3:2 e Tito 1:8)
  7. Ser apto a ensinar e fiel à Palavra (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  8. Não ser intolerante ou arrogante (Tito 1:7) 
  9. Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso de ganho desonesto (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  10. Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou de insubordinação (I Timóteo 3:4-5 e Tito 1:6)
  11. Não ser dado vinho (I Timóteo 3:8 e Tito 1:7)

Cumpre ressaltar que ter tais requisitos não necessariamente significa que um homem deve ser presbítero, nem que a ausência de alguns deles evidencie que um homem não tem tal chamado. Aliás, essa é a palavra a se observar: Chamado.

As características acima são parâmetros com os quais podemos identificar um homem chamado ao presbitério e ao pastorado, e não possuir todas elas não significa que um homem não tem o chamado de Deus, e sim que precisa desenvolver as demais qualidades durante a sua caminhada com Cristo. Aliás, visto que refletem a perfeição de Deus, tais qualidades devem ser buscadas por todo e qualquer cristão no curso da sua vida.

Não ser neófito

O presbítero não pode ser um novo convertido. Tal disposiçao pode ser analisada pelos seguintes pontos: (1) Pouco conhecimento da Palavra; (2) Falta de maturidade cristã.

Não há um critério temporal para ser considerado neófito, e por esta razão os pontos acima são extremamente necessários. 

Devemos considerar, ainda, a parábola do semeador, e ponderar que há possibilidade de agir sem cautela e eleger um cristão sem raízes como presbítero (Mateus 13:5-6,20-21). Isso acontece caso consideremos alguém para presbítero em razão do impacto inicial da Palavra no homem que a recebe com alegria, o qual, vindo as tribulações e aflições, esmorece na caminhada.

Outrossim, o conhecimento da Palavra por si só não basta para não ser considerado neófito, visto que tal conhecimento sem ação do Espírito Santo poderá ser instrumento do diabo para ensoberbecer o homem. Neste caso, é mais seguro analisar o conhecimento de tal homem acerca da sua própria salvação. Um homem que compreende a Teologia da Cruz é aquele a quem podemos considerar um cristão maduro, e tal compreensão poderá levar, em alguns casos, dois anos; em outros, dez.

Logo, observamos se um homem é neófito não por seu tempo na igreja, e sim por sua compreensão da Palavra e o que ela ensina acerca de Cristo. Podemos também, considerando a maturidade cristã, observar os frutos do Espírito que evidenciem que tal homem é filho de Deus.

Ser santo e irrepreensível

É necessário que o presbítero seja santo, ou seja, separado para Deus, separado do poder do pecado. Neste mesmo sentido, o presbítero tem que ser um homem irrepreensível, no sentido de ser um homem sem culpa.

Ser santo e irrepreensível é não ser escravo do pecado, e nem ter pecados não confessos que não foram apresentados diante de Deus em uma atitude de arrependimento. Logo, não pode ser um homem "culpado".

Um presbítero tem sobre si os olhos dos demais cristãos da igreja, que o imitarão em busca do reflexo de Cristo naquele líder (I Corintios 11:1). Logo, a necessidade de santidade e ausência de culpa se analisa no exemplo a ser dado perante a igreja e os de fora.

Não esqueçamos também que as ações da liderança com culpa são pedra de tropeço e razão de escândalo para o mundo e para os demais. A necessidade também se fundamenta na qualidade do testemunho.

Ser esposo de uma só mulher

Neste ponto, há quem defenda que o presbítero deve ser o homem que casou apenas uma vez. Assim, viúvos e homens que se divorciaram, ainda que na hipótese biblicamente permitida, não estão habilitados para ser presbíteros.

Tal posição não merece prosperar, visto que o que Paulo aponta é a necessidade de ter apenas uma esposa. Paulo estava vetando homens que viviam em poligamia (comum na época da igreja Primitiva). Há de se considerar também que, ao analisarmos as características do presbítero, todas elas são apresentadas no tempo presente, ou seja, qualidades que o mesmo possui ao tempo da eleição, e não que já possuiu ou virá a possuir (como se a ordenação revestisse o homem com tais atributos). Podemos considerar também que, se a intenção fosse falar de um único casamento, Paulo poderia ter reestruturado a frase de outra forma, como "casado só uma vez".

Ser temperante e sóbrio

O presbítero deve ser um homem moderado, equilibrado. Um homem impulsivo pode comprometer a igreja agindo por paixão (entendida como excesso de sentimento, seja ele qual for), da mesma forma que um líder apático e omisso poderá comprometer a igreja por não posicionar-se perante a sociedade ou mesmo perante a própria igreja para sustentar as decisões tomadas e lidar com a oposição.

É necessário que haja equilíbrio para ouvir a voz de Deus e fazer aquilo que o Senhor exigir.

Ser respeitável e ter bom testemunho com os de fora

Outro aspecto a se observar em um candidato ao presbitério ou pastorado é o testemunho não apenas dentro da igreja, mas também do lado de fora dela, de forma que haja coerência entre o que se vive e o que se prega.

O igreja deve procurar saber se o candidato é coerente com o Evangelho em sua vida familiar, acadêmica ou profissional, e perante a sociedade como um todo, da mesma forma que é na igreja em suas atividades eclesiásticas.

Cabe ressaltar que bom testemunho e respeito não significam aceitação e agrado, e sim coerência de vida testemunhável ainda que por pessoas que não concordem, visto que a nossa tendência é andar na contramão do mundo,  e não em conformidade com ele (Romanos 12:2). Um bom exemplo de respeitabilidade sem conformidade seria o do pregador John Knox e a Rainha da Inglaterra, Maria a Sanguinária, que chegou a declarar:

"eu temo mais as orações de John Knox do que os exércitos de dez mil homens contra nós"

Hospitaleiro 

A hospitalidade sempre foi um traço da comunidade judaica e da igreja Primitiva. Podemos ressaltar que não se trata meramente do presbítero abrir as portas da sua cada aos demais a todo momento, e sim guardar as condutas inerentes a ser hospitaleiro, como ser atencioso, generoso e acolhedor com os seus visitantes e hóspedes.

A hospitalidade, portanto, pode ser atestada na realização de cultos domésticos, nas visitas ou no acolhimento de um irmão no lar, e não simplesmente em hospedar aos demais.

Apto para ensinar e fiel à Palavra

Conforme podemos concluir pela leitura da carta de Paulo para Tito, o presbítero deve ser um homem apto a ensinar a Palavra: (1) visto que este será responsável por admoestar os membros da igreja de suas incorreções (2), para ser capaz de defender as Escrituras daqueles que se opõem (3) e combater falsos mestres e doutrinas.

Uma igreja saudável necessita de conhecimento da Palavra, cabendo as presbíteros precipuamente o ensino da mesma. Há de se deixar claro que o Senhor, ao dispensar os dons à igreja, capacitará alguns com o dom do ensino, o que não necessariamente significa que tal cristão tenha um chamado para ser presbítero da igreja. Dom de ensino e aptidão para ensinar tem extensões diferentes: o dom é a excelência dada por Deus para edificação da igreja, a aptidão para o ensino é a capacidade de ensinar de maneira correta; todo homem com o dom de ensino é apto para ensinar, mas nem todo homem apto para ensinar tem o dom do Espírito para isso.

Logo, nem todo presbítero terá o dom do ensino, mas todo presbítero tem que ser capaz de ensinar a Palavra corretamente. Todo presbítero tem necessidade de ser teólogo e conhecer a Palavra, a fim de não ensinar incorretamente. Tal disposição encontra fundamento na própria prerrogativa do presbítero de repreender os membros da igreja em seus pecados, o que demonstra no mínimo o conhecimento de que a conduta de tal membro é pecaminosa.

Não apenas apto para admoestar a igreja, o próprio presbítero deve ser fiel àquilo que ensina. Sendo constante e zeloso no seu proceder de acordo com a Palavra de Deus.

Visto que principados e potestades desejam causar o maior dano possível à igreja e seus membros, numa tentativa maligna de embaraçar a proclamação do Evangelho, surgem no seio da igreja falsos mestres e doutrinas, devendo o presbítero ser conhecedor da Palavra, a fim de combatê-los, como Paulo recomendou que fizessem os presbíteros que seriam eleitos na igreja de Creta.

Não ser intolerante ou arrogante

A intolerância é uma evidência da dificuldade de amar ao próximo (que é o segundo grande mandamento), sendo incabível cogitar um presbítero incapaz de compreender o próximo e que haja com repulsa diante daquilo que lhe seja contrário. O líder da igreja encontrará sempre pessoas com valores e ideias que divergem das próprias, devendo ter o coração aberto para ouvir, julgar e reter aquilo que for de acordo com a Palavra, ainda que isso signifique quebrar seus próprios conceitos.

Já a arrogância é um evidência da falta de humildade, de um orgulho agudo, sendo certo que tal característica não pode ser encontrada em um presbítero (ou qualquer cristão), visto que o Senhor rejeita os soberbos (Tiago 4:6). Um homem que tem dificuldade de ser humilde e sujeitar-se ao senhorio de Cristo dificilmente conduzirá a igreja para que assim o faça.

Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso do ganho desonesto

A preocupação com o amor às riquezas terrenas foi motivo de advertências do próprio Senhor Jesus (Mateus 6:19-21 e 24; 19:16-30), razão pela qual o candidato a presbítero não pode mostrar-se demasiadamente preocupado com as riquezas materiais. Podemos considerar a possibilidade de tal tipo de homem não dispensar todos os recursos financeiros necessários à obra pelo desejo maior de guardar dinheiro, ainda que sem razão para fazê-lo. O amor ao dinheiro é idolatria, violação ao primeiro grande mandamento.

Quanto a cobiça de ganho desonesto, podemos considerar o desejo de ganhar injustamente, de tirar vantagem excessiva na prática de serviços e na gestão de seus bens, ainda que isso pressuponha aproveitar-se da boa-fé e inocência alheia. Os homens que tais coisas praticam não devem ser eleitos ao presbitério, visto que desconsideram o agir de forma justa e a dignidade do salário do seu trabalho e dos demais. Vemos o possível exemplo de um homem que praticou e buscou correção de tal postura em Zaqueu, o publicano (Lucas 19:2-10).

Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou insubordinação

Tal disposição tem sua razão de ser visto que, na ordem da criação, ao homem foi dada a responsabilidade de cuidar de sua família antes mesmo da aliança. Um homem que não governa sua casa bem, ou seja, biblicamente, não terá tal capacidade com a sua igreja (I Timóteo 5:8).

Quanto aos filhos, considerando o fato de que a salvação é individual e o chamado de Deus independe da vontade humana, não podemos considerar que um homem esteja desqualificado para exercer o presbitério se um de seus filhos não for cristão. A inteligência do versículo nos leva a ponderar que, quanto aos filhos que são crentes, estes não podem ser abertos à acusação de dissolução ou insubordinação, o que nada mais é que o reflexo da criação recebida de um pai santo e irrepreensível. E, ainda que possua filhos que não são cristãos, estes devem ser subordinados à autoridade do candidato, que, ainda que não tenha poder para converter seus filhos, tem o dever se guiar sua família nos valores morais cristãos.

Fortalecendo o posicionamento acima, consideremos também a hipótese de um candidato solteiro: este regerá bem a sua vida familiar, ainda que não seja o cabeça de sua casa ainda, agindo como o filho obediente, subordinado à autoridade dos pais, honrando-os, da forma que Deus espera dos Seus (Efésios 6:1-3). Não possuir filhos ou esposa não o desqualifica para o exercício do cargo de presbítero, pois, conforme já refletimos, tais recomendações podem não ser totalmente encontradas nos candidatos.

Não ser dado ao vinho

Bem... Esse requisito será abordado em apartado, visto que pretendo me estender um tanto mais no tema!

Concluindo...

Devemos buscar líderes para nossas igrejas dentro daquilo que a bíblia considera importante. Os versículos acima nos apresentaram evidências do chamado de um homem para liderar sua igreja. Não esqueça que somos imperfeitos, e que talvez boa parte das características acima levem uma vida inteira para ser desenvolvidas!


quarta-feira, 14 de março de 2018

Quem são os Presbíteros?


Uma vez que defendo a necessidade do governo eclesiástico, ratifico o que declarei no artigo anterior: Se de fato necessitamos de governo, que seja amparado pela Palavra de Deus. Poder-se-ia, com o avanço da igreja, abordar os líderes com previsão na Palavra de Deus, e aqueles que a igreja inseriu no curso da sua história, como consequência lógica do seu avanço e mudanças sociais.

            Começando pelos oficiais previstos na Palavra de Deus, o primeiro que abordarei nos próximos artigos será o Presbítero. Os presbíteros são aqueles que tem como função dirigir, surpervisionar e cuidar da igreja por amor à Deus e ao próximo, nos termos de I Timóteo 5:17 c/c I Timóteo 3:4-5, que transcrevo abaixo:

“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.” [grifo próprio]
(I Timóteo 5:17)

“... e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);” [grifo próprio]
(I Timóteo 3:4-5)

            É certo que a palavra “presbítero” é sinônima de outras duas: bispo/superintendente (episkopos) e pastor (poimen). Temos um exemplo do uso do termo bispo no texto de I Timóteo 3:2, quando se declara que é necessário que “o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Já o termo pastor ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em Efésios 4:11:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”

            Há na passagem acima uma discussão acerca dos termos pastores e mestres, quanto a hipótese de tratar-se de pastores-mestres. A discussão seria em torno da possibilidade de “poimenas kai didaskalous” não trazer a ideia de um chamado diferente (um para pastor e um para mestre), mas de um aspecto do chamado do pastor. Neste último caso, o pastor seria o responsável pela condução e ensino do rebanho, sendo certo que, ao analisarmos a construção da sentença do versículo 11, fica evidente que se fosse intenção de Paulo abordar dois chamados diferentes, bastaria manter o uso de “outros para”, ainda que alguns possam argumentar a supressão da expressão. Não arrisco a explorar mais a questão, pois está além dos meus conhecimentos.

            Não se tratam de ofícios diversos, visto que as atribuições dos bispos, pastores e presbíteros são as mesmas, havendo, ainda, a ordem de Pedro para que os presbíteros pastoreiem o rebanho de Deus que havia entre eles (1 Pedro 5:2). São, portanto, sinônimos, cujo uso de um ou outro termo ressalta uma característica mais evidente do mesmo.

            Outro argumento favorável está ligado ao uso do termo pastores-mestres abordado anteriormente. Se o pastor tem o dever de ensinar ao seu rebanho, podemos corroborar tratar-se de outra nomenclatura para presbítero, visto que entre as características deste está a aptidão para o ensino (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7).

            Ainda sobre o governo da igreja por parte dos presbíteros, basta uma análise na Palavra de Deus para se chegar a conclusão de que o modelo de governo bíblico é aquele que possui vários presbíteros liderando a igreja que os elegeu (Atos 14:23 c/c Atos 20:17 c/c Tito 1:5). Veja que no texto de Tito 1:5, a razão de Paulo deixar Tito em Creta é, entre outras, para que este estabelecesse os presbíteros de cidade em cidade! Colocando em termos atuais, de igreja local em igreja local. As vantagens da pluralidade de presbíteros são, entre outras:

1 - Exercício do Sacerdócio Universal de Todos os Santos

            Uma equipe de presbíteros é uma forma eficaz de exercer o sacerdócio universal em favor da edificação da igreja, visto que homens com virtudes e peculiaridades exerçam os dons diversos (ou mesmo iguais) que receberam do Senhor, contribuindo para melhor decisão para coletividade.

2 - Unidade de Pensamento

            Uma equipe de presbíteros pode evidenciar aquilo que o Espírito Santo tem a dizer para a comunidade, visto que nosso Pai não é Deus de confusão, e naquilo que dois ou três presbíteros vierem a concordar, a chance de haver erro de direção é menor. Evita-se, ainda, que haja uma liderança déspota e antibíblica.

3 - Uma igreja sempre pronta

            Podemos falar, ainda, de uma liderança com uma agenda flexível, que garanta que haja sempre a possibilidade de atender as demandas da comunidade local, bem como que os presbíteros apoiem-se uns aos outros nas tentações e dificuldades da vida e ministério.

4 - A igreja cresce com as gerações

            Ressalto também a possibilidade de que haja observância da perspectiva de diversas gerações diferentes, podendo haver no corpo de presbíteros a voz do presbítero mais moço, com aquele que poderia ser considerado um ancião na comunidade. Isso é positivo para que a igreja não fique estagnada, e acompanhe as mudanças que o tempo carrega em seu bojo.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sendo direto: O Evangelho não é sobre você.

"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo."
1 Coríntios 11:1

Só uma breve reflexão sobre as palavras de Paulo à Igreja de Corinto. Paulo não queria ser imitado por ser Paulo, e sim por ser imitador de Cristo! Mas no fim das contas, não é Paulo a ser imitado de qualquer jeito, visto que Cristo já fora crucificado e sentara à destra do Pai? Não! 

É importante não esquecer isto: O Cristo de Paulo deve ser imitado quando olhamos para ele. Paulo não nos aconselha a o imitarmos por ser ele uma espécie de super-homem. Ele nos aconselha a o imitarmos por ser ele um imitador de Jesus. O foco é Cristo!

Não somos salvos (através de Cristo) por adquirir qualquer espécie de upgrade espiritual, que nos torna uma espécie de homem evoluído. Na Redenção não somos melhorados. Somos destruídos pela Palavra e feitos vasos novos por Deus. Não há conserto, remendos nas rachaduras ou revestimento.

Somos salvos inteiramente pela Obra Expiatória de Cristo, pela plenitude da Sua humanidade e Sua divindade, pelo seu sangue derramado, pela Sua cruz, por Sua humilhação e Sua exaltação. Cristo salva homens de sua desgraça iminente, por ser Ele Deus e homem, o que garante a efetividade do seu sacrifício. Cristo faz o que nossa humanidade não nos permite fazer.

O Evangelho não é um chamado para uma busca incessante pelo sucesso e ascensão moral. É um chamado para olhar para Cristo e amá-lo. É um chamado não para a independência, e sim para dependência. Não é a busca pela liberdade, e sim pela servidão! Servir Cristo, servir os homens! A Palavra não fala do quão bons podemos ser, e sim da infinita bondade de Deus, mesmo diante do nosso pior, pois nos amou mesmo quando ainda éramos seus inimigos, e ainda hoje nos perdoa todas as ofensas! 

É o grande contraste do homem caído e do Deus infinitamente misericordioso. O imperativo não é ser um homem melhor, e sim ser imitador de Cristo. É o dilema da moral perfeita e a incapacidade de alcançá-la por esforço próprio. Alcance-a, portanto, olhando pra Jesus e clamando Seu auxílio, e não olhando para si mesmo!

O foco do Evangelho é falar sobre quem é Jesus Cristo e o que Ele fez por nós; o foco nunca foi o que somos capazes de fazer (ainda que em nome de Deus), e sim o que Cristo foi capaz! 

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

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