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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Uma Páscoa para recordar a segurança que só Cristo concede

A Páscoa é uma data comemorativa para nós, cristãos, de extrema importância e complexidade. Ela é capaz de gerar os mais variados sentimentos naquele que reflete o que a Palavra registra sobre a morte e ressurreição de Jesus Cristo. O nosso Senhor, o Filho de Deus, levou sobre si as nossas dores e transgressões, sofrendo castigo que estava reservado para cada um de nós. Os últimos capítulos do evangelho de Mateus relatam a história do martírio de Jesus em nosso lugar, e a grande questão que fica é: como recordar com alegria e reverência uma data tão especial para nós, mas que envolve tanto sofrimento do nosso Senhor?

Jesus deixa para nós o verdadeiro exemplo de que a vida também é composta de momentos nos quais sorrimos e nos alegramos em meio ao sofrimento e ansiedades. São os sorrisos ensombrecidos que somos capazes de dar durante um momento de muita angústia. Quando somos capazes de nos contentar, mesmo que infimamente, em meio a lágrimas e tristezas. Na véspera da sua traição, tortura e morte, Jesus ceiava na companhia dos discípulos que amava; eu meio a dores físicas e emocionais ele conseguiu olhar com amor para sua própria mãe; e mesmo sob zombaria, ele clamou ao Pai pelo perdão daqueles que só desejavam a sua morte.

Relembrar o sofrimento de Jesus é sempre um motivo de muita tristeza, mas pensar que tudo ocorreu da exata forma como Ele determinou, e que tudo foi feito intencionalmente em nosso benefício torna a lembrança também um motivo de alegria. Pensar que tudo foi feito por misericórdia de amor é motivo para glorificar e se alegrar no Senhor!

São os pequenos detalhes que fazem toda a diferença! É dito que ele "entregou o espírito" (Mateus 27:50), Sua vida não foi roubada, e sim dada de boa vontade para nos dar vida. A morte foi apenas uma etapa do plano do Senhor, e após o terceiro dia o Senhor ressuscitou, tendo reaparecido para os seus discípulos, orientado eles e prometido que estaria conosco até a consumação dos séculos. Cristo foi o sacrifício definitivo para perdoar os pecados de todos os homens que depositam nEle a sua fé. 

Então podemos encarar a Páscoa como a oportunidade de recordar a segurança que só Cristo concede. Se seguirmos os exemplos do nosso Senhor Jesus, seremos capazes sim de sofrer imaginando as dores que Cristo levou em nosso lugar, mas, ao mesmo tempo, seremos capazes de sorrir sabendo que o sepulcro amanheceu vazio. 

Cristo é o Cordeiro Pascal, que foi ferido e moído por nós. O Cordeiro que levou sobre si a iniqudade e nossas dores, embora não tenha aberto sua boca, como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:4-7 c/c Atos 8:34-35. É o dia de recordar a segurança que só Cristo pode trazer, e compreender que a morte já foi derrotada, e que o sepulcro está vazio. Em Cristo nascemos novamente, e um dia estaremos  pessoalmente na presença dEle. Sem pecados ou sua influência. Apenas a alegria de se estar diante de Deus.

A Páscoa traz a lembrança do sofrimento, mas também nos traz alegria da salvação e o exemplo maior do amor de Deus. A lembrança da agonia do Senhor na cruz, e da esperança, surpresa e felicidade de encontrar o sepulcro vazio, e constatar que de fato o Senhor cumpriu a promessa que nos daria a vida eterna.


domingo, 23 de maio de 2021

A necessidade do amor (1 Coríntios 13:1-3)

 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.






Você acorda cedo todos os domingos, toma uma xícara de café, um banho (não necessariamente nessa ordem), se arruma e vai para a igreja. Você dirige as reuniões de oração, participa de todas as programações, e é dotado de dons que a sua própria igreja percebe! Você sabe o que precisa fazer e sabe que Deus capacita aqueles a quem escolhe para executar Seus planos, e isso inclui você! 

Mas no fundo, bem lá no fundo, por qual razão você tem exercido os dons que o Senhor te concedeu? Será que não se trata de um mero costume? Uma cartilha de obrigações cristãs? Será que de fato o que você tem feito é uma bênção aos olhos de Deus? Pior ainda: você viu que diversos milagres são operados por pessoas que não demonstram um amor verdadeiro por Jesus! Sendo assim, é possível que você seja uma delas? Calma, que todas essas perguntas tem respostas!

Aliás, o apóstolo Paulo se depara com esse mesmo problema há milhares de anos atrás, em Corinto, quando escreve a sua primeira carta. No capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios, Paulo havia abordado a unidade em Cristo e diversidade de dons e funções na igreja. Já no capítulo seguinte, Paulo inicia apresentando a eles um caminho melhor que o do exercício de dons: o caminho do amor.

Paulo, nos três primeiros versículos do capítulo 13 utiliza hipérboles para mostrar o tema da nossa reflexão de hoje: Os dons não servem para nada em nossa relação com Deus, se não o exercitamos como forma de amá-lO, bem como a Sua igreja e toda a criação.

O primeiro aspecto interessante das palavras de Paulo, é que elas dizem respeito em sua maioria à elementos da vida cotidiana do cristão, não apenas na sua relação com a igreja. Paulo não está abordando deveres específicos, para pessoas ou situações específicas. Afinal, sabemos que todos os cristão são dotados de dons concedidos pelo próprio Senhor; todo cristão possui fé; todos exercem a caridade e fazem sacrifícios.

Portanto, o que Paulo está nos mostrando é que o Senhor espera que nós demonstremos que o amamos com aquilo que nós vivemos diariamente. Não são as funções eclesiásticas e doação ao ministério da igreja que te define como cristão, e sim a capacidade de viver em Cristo. É por isso que o Senhor nos ensina que aquele que O ama, é o que guarda os seus mandamentos.

Paulo fala desses aspectos da vida cristã, apresentando-os de forma extremamente intensa e surpreendente, apenas para lançá-los por terra como coisas sem importância. A segunda lição, portanto, é que a qualidade da nossa vida cristã não se mede pela notoriedade dos nossos dons, e sim pelo amor depositado no exercício deles.

Então Paulo ensina que mesmo que aqueles irmãos fossem capazes de exercer dons extraordinários  como o de línguas, da forma que foi realizado no Pentecostes (Atos 2), onde os homens se entendiam nos seus idiomas originais, isso não significaria nada se o exercício do dom não tivesse como objetivo demonstrar amor. E mesmo que ele fosse capaz de falar a língua dos anjos que estão no céu, ainda assim, não significaria nada!

Em ambos os casos, a falta de amor tornaria aqueles cristãos como o metal que soa ou o sino que tine: serviriam apenas para fazer barulho! O exercício de todos  os dons, e mesmo os mais sublimes, nada agradam a Deus se não são exercitados com amor, de forma que o seu galardão se limita à própria comoção pública e olhar dos homens. Deus, a quem vale a pena agradar, continua a não receber a devida adoração.

E mesmo que o apóstolo conhecesse todos os mistérios ou fosse dotado de toda a sabedoria do mundo, continuaria não sendo nada! O homem que proferiu essas palavras é o mesmo que na visão de alguns teólogos teria sido arrebatado ao céu e visto coisas extraordinárias, que sequer teria capacidade de explicar! 

Salomão foi o homem mais sábio que existiu, e tamanha sabedoria não o impediu de viver uma vida amarga e idólatra quando passou a amar mais o conhecimento e mistérios do que o Deus que lhe concedeu toda a sabedoria!

Afinal, genialidade, conhecimento e sabedoria também podem ser desenvolvidos por não cristãos, e isso não os torna menos brilhantes, intelectualmente falando. Por outro lado, conhecimento e a capacidade de transmiti-lo também são dons do Espírito, e devem ser exercidos com amor.

E ainda que um homem seja dotado de tamanha fé que seja capaz de mover montanhas, sem amor ele continua não sendo nada. Afinal, é possível ter fé em ídolos, em si próprio e em outros homens, para no fim se decepcionar e culpar a Deus por eventual desilusão.

A caridade pode ser exercida por qualquer ser humano com o mínimo de compaixão diante do sofrimento do próximo, mas a caridade cristã só pode ser exercida por aqueles que amam a Deus e ao próximo como a si mesmos. É possível fazer caridade para aliviar dores de uma alma culpada, ou mesmo tentar esquecer a carência que temos de Deus. É muito comum ter caridade a fim de obter a admiração dos outros e visibilidade pública.

Em casos como esse, tudo que o homem ganharia doando todos os seus bens seria a multiplicação da pobreza. Ele, que antes era pobre de espírito, agora também se torna pobre de recursos, tornando sua miséria ainda mais intensa.

E mesmo o auto sacrifício não tem nenhum valor, se não visar única e exclusivamente o amor a Deus e ao próximo. Homens podem se sacrificar por uma causa injusta, desde que dotados de extrema convicção! Outros, sabendo que um dia morrerão de qualquer forma, podem decidir gravar seu nome na história, sacrificando-se como um mártir.

Nossa terceira reflexão traz a conclusão dessas ponderações: Dizemos que os dons não servem para nada, pois queremos dizer que eles não compram a salvação ou o amor de Deus para quem os exerce.

Não são poucos os relatos bíblicos de homens que foram usados por Deus, exerceram dons e ministérios, sem com isso conquistar qualquer agrado da parte do Senhor. Judas foi apóstolo, e exerceu dons ao lado dos demais discípulos, para mesmo assim ser chamado pelo Senhor Jesus de propriedade do diabo e filho da perdição.

Saul governou Israel até Davi, e inclusive profetizou, tendo ainda assim se tornado desprezado pelo Senhor, diante do seu coração vaidoso, que amou mais as glórias do poder do que o Deus que o pôs no trono!

Os dons, portanto, não são dados para igreja comprar a própria salvação ou o amor de Deus; e sim para demonstrar amor ao próximo, ao Senhor, e mesmo à criação. Deus deu os dons para igreja ser edificada e testemunhar o Reino no tempo presente! Quando exercemos os dons por amor, Cristo é testificado diante dos homens e a igreja verdadeiramente o glorifica!

E como isso se aplica a nós?

1º Precisamos primeiro sondar os nossos corações para colocar suas intenções à prova! Devemos ponderar o que tem motivado o exercício dos nossos dons, e se descobrirmos que há qualquer outra coisa que não seja o amor, devemos parar imediatamente. É melhor viver uma vida cristã de amor verdadeiro, ainda que isto signifique reduzir nosso ritmo. 

Faça pouco ou não faça nada.
Desde que seja por amor!

2º Como consequência, não devemos utilizar os nossos dons como muleta espiritual. É muito comum que em alguns momentos o nosso amor esfrie pelo nosso afastamento do Senhor, e percamos mesmo a vontade de estar na igreja, orar,  ler a bíblia e ter comunhão com o Senhor. Em momentos como esses podemos cair na armadilha de nos enterrar no exercício constante dos dons com a finalidade de resgatar o sentimento de bem aventurança! Lembre-se:
 os dons não compram o favor de Deus ou a alegria da comunhão que você não está vivendo.

3º Alegre-se e descanse, pois a maior coisa que Deus espera de você é o amor! Não importa se o que você faz parece pequeno, pois Deus não está preocupado com a extensão dos seus dons e sim com o combustível do seu coração! O que move no ministério? Alegre-se, pois não importa se você tem feito pouco ou não é visto exercendo seus dons! Há dons que a igreja não vê! Ainda assim, Deus te ama!

Se você faz por amor, não importa se você fala em línguas ou enche o copo de água do pastor; não importa se você é um oficial da igreja ou apenas um irmão que dá boa noite e entrega panfleto! Não importa se a igreja não te vê orando no púlpito, se quando você se tranca no quarto você ora sem ninguém pedir, porque se preocupa com o bem do próximo e com sua relação com Deus.

Assim sendo... Exerça os seus dons e viva sua vida movido pelo amor!

E que Deus te abençoe!

terça-feira, 6 de março de 2018

Palavras vazias

O que são minhas palavras, sem você para dar sentido pra elas? O que é amor, sem alguém para amar? As palavras não deixam de ter seus significados, mas sem uma realidade, nada tem a dizer.

E, para falar de amor, a realidade é você. Se considera bela a minha forma de escrever, não ignore o belo sorriso que você tem, pois é ele que eu escrevo. Se, porventura, eu vir a escrever sobre um beijo, é porque em algum momento teus lábios umedeceram os meus, num beijo que eu quis que não acabasse. Se sentir-se aquecida nas linhas de algum texto meu, é o nosso abraço guardado no meio das palavras. Aliás, falar de amor é confuso. A palavra ora é sentimento, ora é pessoa, de forma que as vezes eu já nem sei se estou falando do meu amor, ou do amor que sinto (a própria dúvida pode parecer sem sentido).

E, para falar do que é belo e natural, a realidade também é você. Se eu vier a descrever um céu negro e denso com estrelas refulgentes, são teus olhos a brilhar na luz. E se eu escrever sobre as ondas do mar, são teus cachos, que assim como essas palavras, já escorreram pelos meus dedos. E o cheiro das flores é o teu perfume (ou o creme do teu cabelo) que roubei do teu pescoço enquanto te abraçava.

Se houver algo de belo no que eu escrevo, por detrás há um amor ainda mais bonito, que me inspira a estar aqui... escrevendo. Sem você, tudo que há são apenas palavras vazias.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

As declarações que ninguém lê.



Todos os dias milhares de pessoas postam declarações para os seus amores em postagens de centenas de páginas de uma dúzia de redes sociais!

Eu me surpreendo como passo dias sem ter o que escrever, e de repente vejo uma imagem postada em uma página de conteúdo romântico, e pessoas marcando seus pares, e, não contentes com o teor da imagem (que geralmente se resume à uma frase em letras redondas num post-it inserido  colado em  uma paisagem aleatória embaçada pelo enquadramento da câmera), acrescentam algumas linhas no comentário com suas declarações de amor!

Eu reparei que jamais parei pra ler uma dessas declarações até o fim!

São as declarações que ninguém lê, ainda que não sejam anônimas! São pessoais, cheias de particularidades, e por esta razão, poucas pessoas as consideram! Mas quem se importa com isso? Elas não foram feitas para serem lidas, ainda que em páginas de redes sociais. Foram feitas para que a pessoa a quem são direcionadas leia, e saiba que há páginas que falam de amor, e que há alguém que lembra dela quando vê uma das postagens!

Só que o amor é prolixo! Ele não cabe na frase do post-it, e é preciso dizer mais! É preciso ir além, ou acreditamos não ser entendidos! Não é o comum à todos, e que se resume ao teor da postagem que você quer dizer! É o peculiar, o individual, é o que vem depois do que é comum nos amores o que a gente quer deixar claro, exatamente por considerar que não é!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Por que "Ironias do Amor" é o meu filme favorito!

Eu tenho dois filmes favoritos: "Ironias do Amor" e "Scott Pilgrim vs. O mundo"! O segundo não tem muitas razões para a escolha, a não ser o fato de que eu ainda tenho algumas raízes nerds que englobam todos os elementos do filme, desde a música ao formato gamer da história! Já o primeiro filme, eu o assisti em 2012 pela primeira vez, e tenho minhas razões para considerar este o melhor filme de comédia romântica que existe! 



Talvez vocês procurem uma sinopse do filme aí no Google, mas eu evitei fazê-lo, pois talvez parte do diferencial do filme pra mim seja a minha forma de interpretar a história. Portanto, farei a minha própria sinopse!

O filme conta a história de amor de Charlie Bellow, um estudante de administração cujo o único objetivo aparente de vida é trabalhar na empresa na qual o seu pai trabalhou a vida inteira. Charlie é um típico gentleman inglês (com direito a carregar lencinho), um daqueles caras que a gente olha e pensa: "Nasceu no século errado". Eu acabei por me identificar muito com o personagem na época que assisti o filme, em razão da simplicidade excessiva das suas posições, e uma inocência que beira a lerdeza, que podemos considerar uma falta de conhecimento próprio.

O que eu mais aprecio no personagem é a importância que ele dá à questões que atualmente são relativizadas, o que percebe-se nos primeiros diálogos do filme com seu melhor amigo Léo, no qual este questiona seu amigo sobre a importância que ele dá ao envolvimento emocional, desafiando Charlie a encontrar, no parque onde estavam, uma mulher com a qual ele dormiria sem precisar conhecer. Charlie conserva o relacionamento como algo que vai além da satisfação sexual e sentimental, de forma que não cede, ainda que constrangido por seu amigo a sentir-se um idiota por ser tão "antiquado".


E no contexto desse desafio, ele vê pela primeira vez Jordan Roark: uma bela mulher visivelmente embriagada vociferando com outro homem. Naquele mesmo dia, Charlie salva a sua vida na estação de metrô, episódio no qual ela desmaia e é "sequestrada" pelo personagem. É a partir deste momento que começa uma linda história de amor, com direito a concussões, ferimentos, destruição de uma carreira estável, um quase afogamento e outras tantas desventuras, as quais não entrarei em detalhes.






Jordan foge de qualquer clichê de personagem de filme romântico. Passa boa parte do filme embriagada, discutindo com homens e crianças, e principalmente sabotando a vida de Charlie, agredindo-o e fazendo-o passar por toda forma de constrangimento, o que inclui comentários sobre a inatividade sexual do casal na grande entrevista de emprego de Charlie. No curso do filme é normal até mesmo torcer para que os dois não fiquem juntos, por compaixão do protagonista, que em conversa com seu Léo coloca sobre a mesa o pró e contras de estar com Jordan:


"Motivos para parar de ver ela:

1 - Perigo físico eminente;
2 - Boas chances de ela partir meu coração;
3 - Ela sabota a minha carreira;
4 - Ela com certeza é louca;
5 - Parece que ela gosta de me ver sofrendo;
6 - Ela tem uma bagagem emocional que assusta qualquer um;
7 - Eu não dei nenhum beijo nela, pelo amor de Deus!
8 - Ela está arruinando a minha vida;

E os motivos para continuar vendo ela?

1 - Eu to apaixonado por ela."

Pois é gente.... Quando o amor chega não tem jeito! Essa é a beleza do filme pra mim!!!

Ele mostra que o amor não tem uma fórmula ou pressupostos. Acontece! Mostra também que as pessoas amam como sabem amar, com suas peculiaridades. Alguns gostam de ouvir música no mesmo fone, Charlie e Jordan gostam de trocar tapas na estação de metrô e dançar em lugares aleatórios. E no amor, Charlie descobre o homem que ele realmente queria ser, e não o homem que esperavam que ele fosse!

Isso fica mais evidente em Jordan, que vai além da insensibilidade provocada pelo álcool, e, embora bruta e impulsiva, o objetivo dela não é bem ferir (na verdade é sim) ou sabotar Charlie. É a forma dela de amar, ao menos no período da vida dela que está passando, o que torna tudo bonito pra mim. 


Como bom cristão protestante de pressupostos reformados eu também acho bastante legal a forma como o casal tenta entregar o seu futuro à casualidade, ao destino, tentando usar seus desencontros como um evidências de que não nasceram para ficar juntos!

Então, sem entrar em detalhes (tem que ver o filme!), apenas no final do filme é revelado como eles estavam enganados, e como cada acontecimento no filme foi para que ficassem juntos no final! Como eu disse, é uma análise pessoal, e o que eles chamam de destino, eu chamo de... Destino! Mas um destino decretado por um Deus que reina soberano sobre todas as coisas, e não por uma força natural de probabilidades.

Pra mim a relação de Jordan e Charlie mostram de maneira bastante simples como o destino é uma realidade, mas que embora predeterminado, precisava da ação dos dois. Não quero dizer que a decisão final era deles, pois não creio nisso, mas que a ação deles era necessária e consciente. É uma forma romântica pra mim de tentar ponderar os decretos de Deus e a Livre Agência do homem. Como o próprio Charlie declara, é necessário sair de casa para encontrar o seu amor!

Quando se declara no filme que destino é a ponte que se constrói até a pessoa amada, se declara nada mais nada menos que o destino é real, mas o agir é necessário para trazer aquilo que já era um decreto à realidade.

O final do filme é um divisor de águas, e também me marcou por mostrar que as pessoas são mais do que aparentam ou declaram, e dá vontade de assistir o filme todo de novo, observando cada cena com os olhos abertos pelo que é revelado pelo casal nas cartas que escrevem um para o outro!  Jordan é mais do aparenta, e Charlie só foi capaz de conhecer a mulher que ela é, porque a amou, ainda que não tivesse motivos. E eu só fui capaz de descobrir quem era Jordan porque tive a paciência de não tacar o controle na televisão com raiva dela por todo desgosto que fez Charlie suportar!

Seis anos depois, segue sendo o meu filme favorito, por mostrar que o amor é peculiar, é coisa do casal, que tem sua forma de amar, e que tudo sofre - e como sofreu! - tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1 Coríntios 13:7). É meu filme favorito por mostrar que o amor nos vira do avesso, e as vezes põe por terra tudo aquilo que tínhamos como certeza!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Rotina Poética #1

Sexta-feira, fim de expediente.

Saio ainda sob o céu metálico das nuvens que bloqueiam o sol, trazendo a memória a luz refletida em qualquer prataria bem polida. Hora de tomar a última grande decisão do dia; Qual flor daria para R...?


Quando você procura dar flores a sua amada com certa regularidade, você acaba descobrindo qual ela gosta mais (uma informação que nem ela sabe).A minha amada prefere as rosas da tenda de flores em frente ao Terminal Garagem Menezes Cortes.

Procuro uma flor dentro das minhas exigências: Não pode ser muito fechada. Uma flor assim, jovem e tímida, de desabrochar tardio, não chamaria a atenção dela na hora da entrega.

Também não pode ser madura demais, e já ter desabrochado totalmente. O ápice da alegria de R... seria receber a flor, que morreria poucas horas depois da entrega. Nas primeiras horas as pétalas começariam a perder seu vigor. Seu quarto acabaria sendo ornamentado por uma flor escurecida e opaca.




Finalmente encontro o que buscava em uma rosa carmesim de saltar aos olhos, com folhas verdes e feridas pela rotina da terra. Uma flor que começou a se abrir ao mundo, mas que ainda não revelou a plenitude de sua beleza, que será exposta exclusivamente a mulher que amo.

Imagino-a repousando a flor no copo verde da escrivaninha do quarto, e surpreendendo-se dois dias depois, após perceber que a flor desabrochou intensa e imponente. Deixo para R... não a simples atitude de dar a flor, mas saber que em torno dela o mundo floresce aos seus cuidados.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Fragmento de Crônica - Rua da Quitanda

Todos os dias eu caminho na Rua da Quitanda. 

Aquela rua que as vezes sufoca de tão apertada;
que a calçada vira rua, rua vira calçada;
Onde preocupado com a vida, não reparo em mais nada;
exceto naquele prédio com uma porta de cofre no hall da entrada.

Rua de paralelepípedo irregular. De gente caindo, tamanco quebrando, gente descalça dando topada.
Pobres meninos...
Sem chinelos e sem infância.
Pobres tamancos...
Braços esguios tentando sustentar o peso de querer se estar mais próximo do céu.

Rua cinza, opaca, úmida e molhada;
que faz esquina com a Rua da Assembleia;
vizinha da Rua do Carmo,
aquela que é lar de muita gente sem lar.
Aquela rua que tem mais engraxate do que sapatos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Palavras...

Desejo escrever-lhe, ainda que para você seja irrelevante.
Ainda que você veja as palavras como um simples conjunto de letras;
Ainda que para você um verbo seja apenas um verbo.
E depois de ler você jogue meus sentimentos em uma gaveta qualquer.

Para mim é diferente, palavras são pesadas.
Elas carregam nos ombros amor, paixão, medo;
Elas gritam ao mundo, ainda que em silêncio;
Com palavras te faço eterna, ainda que no mundo tudo seja passageiro.

Você lê com os olhos, assimilando meus sentimentos como informação;
Enquanto me esforço enfrente ao papel,
Intrigado de não encontrar palavras dignas de descrevê-la
Frustrado de muitas vezes não encontrar nada a sua altura.

Se fechasse os olhos hoje, lembraria:
Que com três palavras nossa história começou;
E se parasse pra pensar,
Com apenas uma nós construiremos a nossa vida.

Com palavras desenho as curvas do seu corpo,
Como é belo cada pedaço de você, principalmente teu sorriso.
Faço a descrição da beleza que tens quando caminha,
Com palavras te farei para sempre... Minha.

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...