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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Devocional - Salmo 1:3


“Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.”
Salmo 1:3



Quando lemos os dois versículos anteriores, vemos o salmista fazer um paralelo entre ímpios e justos, no tocante a forma pela qual eles veem e vivem no mundo. Seguindo o versículo, Davi compara o justo a uma árvore plantada junto a uma corrente de águas, a qual recebe nutriente e água constantemente, o solo em seu entorno é fértil e favorável a vida.

Assim como essa árvore, o homem que medita na Palavra de Deus é alimentado e nutrido diariamente por ela, e o Senhor dá o crescimento da Sua vontade no coração a que Se revela. Podemos ficar tentados a aplicar o texto com olhos no que se pode obter da parte de Deus, e não no que de fato se pode ser junto a Ele. Precisamos entender que:

1º O texto não fala de prosperidade material, e sim de santidade e justiça.

O salmo compara justos e ímpios no que diz respeito a forma como vivem: o primeiro de acordo com a vontade de Deus declarada em Sua Lei; o segundo tendo ideias e posturas pautadas na pecadores e blasfemos. Se o terceiro versículo é uma continuação das informações do segundo, e fala do justo, podemos concluir que Davi não fala da prosperidade que o justo conquistará durante a vida, e sim na santidade que poderá desenvolver.

Os frutos a serem produzidos pelo justo são os frutos do Espírito, uma vida de santidade, na qual é possível se manter fora do caminho dos ímpios. Meditar constantemente na Palavra nos aproxima de Deus e, revestidos do Espírito Santo, somos capazes de identificar o pecado em nossa trajetória, bem como as formas de agradar e glorificar ao Senhor. Fruto não é patrimônio, é fazer aquilo que agrada a Deus e evitar o pecado.

2º Perseverança: Nem antes, nem depois... No tempo certo.

 Se o fruto a ser produzido é uma vida de santidade diante de Deus, devemos perseverar. Veja que a árvore junto às águas produz o seu fruto no tempo certo. Ela começa caindo no solo, brota e começa a erguer-se em busca da luz do sol. Suas raízes penetram a terra milímetro por milímetro, dia após dia. Ela balança diante de tempestades, é dobrada pela força dos ventos, entretanto, seus galhos são flexíveis e por mais que pareçam prestes a romper, isso não acontece. A árvore cresce, seus galhos ficam cada vez mais robustos, suas raízes mais fundas, sua folhagem verde e bela. Quando chega o momento certo, ela começa a produzir seus frutos!

Captou a ideia? A semente da Palavra é lançada em nosso coração, o Senhor dá o crescimento e erguemos nossos braços em busca dEle. A cada dia buscamos firmar nossas bases na vontade de Deus, um versículo por vez, aprendendo sempre um pouco mais.

Mas somos pecadores... E por vezes a vontade da carne prevalece, e dobramos perante ela. Mas ainda assim, não conseguimos mais ceder totalmente. Deixamos de ter prazer no pecado, e por mais que aconteçam as tentações e provações, sempre voltamos os olhos para Cristo. Às vezes parece que Deus está em silêncio, mas nossa fé por alguma razão não arrebenta!

Com o tempo aquele pecado infeliz começa a se tornar menos frequente, e um dia se tornará uma vaga lembrança. Esporadicamente ele volta, mas não tem a mesma força de persuasão. Você aprende a identificá-lo e prevenir a queda firmando as bases na Palavra. Eis o fruto!

A santificação é um processo contínuo até o fim da vida. Então não ser capaz de resistir a algum pecado hoje não é um sinal de que você deva desistir ou que não é cristão: você precisa perseverar. Talvez seja questão de tempo até você desenvolver a capacidade de resistir ao pecado. Você pode até dobrar envergonhado em razão do seu pecado, mas o fato é que bebendo da Água da Vida você está sendo nutrido para viver a vida eterna, e jamais será arrancado da presença de Deus!

3º Somos bem sucedidos. A fonte do nosso viver é Cristo!

 Já que o foco é uma vida de santificação, ser bem sucedido é conseguir glorificar a Deus com ela. Cristo é a fonte que nutre o nosso viver e realiza essa obra de santificação!  Tudo aponta para Ele! Veja, fica mais fácil entender que no tempo certo você será capaz de vencer o pecado que te aflige, se você compreender que no tempo certo Cristo morreu pelos pecadores!

A humanidade foi condenada em Adão, e milhares de anos passaram até que o Messias que reestabeleceria o vínculo entre Deus e os homens viesse a terra. Ainda assim, ele nasceu, e levou aproximadamente trinta anos para iniciar a proclamação do Reino de Deus. No tempo certo... Tetelestai... Estava consumada na cruz a expiação dos pecados e nossa redenção!

Ora, se o próprio Deus Filho compreendia que havia um tempo certo para todas as coisas, por qual razão entregaremos o jogo diante de um momento de fraqueza? Olhe para Cristo e busque nEle a fonte de vida que diariamente te livrará do poder do pecado!

domingo, 6 de maio de 2018

Spoiler é pecado!

Esse artigo é pra você que passou a semana postando memes com informações chave da trama de "Vingadores: Guerra Infinita"! Você é um pecador!!!



Confesso que também serve mim, que não havia assistido o filme mas partilhava os memes! Por isso agradeço minha namorada pela repreensão recebida no dia, e é em cima dos argumentos dela que eu acabei tendo a ideia de me aprofundar um tanto mais no assunto para poder escrever esse texto. Portanto, eu afirmo: SPOILER É PECADO! Eis as provas:

Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros.
Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo.
Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.
Romanos 14:19-21 [grifo meu]

O texto de Paulo na carta para igreja de Roma aborda a questão das práticas individuais de alguns irmãos que tinham uma postura de abstenção de consumo de carne, ou mesmo a guarda sabática, enquanto outros irmãos não observavam tais posturas. Paulo mostra que o fazer ou não é uma questão pessoal daquele irmão, que toma sua decisão visando seguir e agradar o Senhor.

O apóstolo segue o texto dizendo que aquilo que os irmãos deveriam fazer, o fariam para a paz e edificação uns dos outros. E veja que a questão não fica restrita ao consumo de bebidas ou carne, e apresenta a possibilidade de causar tropeço ou escândalo através de outras coisas. 

Sejamos sinceros, ninguém edifica o outro com spoilers! Então quando você faz isso, está na melhor hipótese falando coisas sem utilidade nenhuma para as pessoas a sua volta! Dar um bom spoiler não vai edificar ninguém, e muito menos gerar paz!!! Vai é gerar conflitos, tretas, membros saindo dos grupos de whatsapp da família, fim de amizades e namoros! Spoiler não é de Deus, gente! Com toda a ressalva da hipérbole, podemos de fato apontar o pecado no spoiler, porque tudo que essa prática faz é irar as pessoas, e em alguns casos a levarem inclusive a proferir palavras torpes!

Não se esqueça que como cristão você não deve agir com a finalidade de irritar as pessoas. Não vamos ficar com essa ideia de "É infantilidade se irritar.... É só um filme.... Etc..."; vamos parar para pensar que os outros tem tanto direito de se surpreender assistindo o filme quanto você que já assistiu! É realmente frustrante saber uma informação importante e ao invés de ser impressionado por uma cena, passar o filme todo ansioso esperando por ela, e quando acontece, não ter a mesma emoção! Nós devemos buscar a paz com as outras pessoas a nossa volta! (Rm 12:18)

Bem, agora que você sabe que o spoiler é pecado porque é causa de tropeço na vida do outro, além de um desvio nos deveres de paz, comunhão e edificação, permito-me dar um último spoiler do que vai acontecer com você, treteiro de Facebook que não se arrepender:



domingo, 22 de abril de 2018

Considerações sobre o livro "Contra a Idolatria do Estado"

Oi, tudo bem? O livro que tive o prazer de ler nos últimos dias para trazer uma análise neste blog foi o "Contra a Idolatria do Estado", escrito por Franklin Ferreira, e lançado pela Edições Vida Nova! Pra quem não conhece o autor da obra, ele é bacharel em Teologia pela Universidade Mackenzie e mestre em Teologia pelo Seminário Batista do Sul (RJ). Ele também é diretor do Seminário Martin Bucer e consultor acadêmico da Edições Vida Nova. O livro é realmente bom! Sério!



O livro aborda a questão da idolatria do Estado de forma fundamentada tanto na Palavra quanto nos dados científicos e sociais acerca da política e sociedade brasileira. É certo que a crítica do autor é visivelmente direcionada aos indivíduos que habitualmente denominamos "de esquerda". Para o autor, tais indivíduos idolatram o Estado, numa espécie de adoração ao dinheiro e poder estatal.

No tocante ao dinheiro, é interessante como o autor aborda o amor à riqueza dentro de um Estado, que, independente da inclinação política para o socialismo, é na verdade capitalista. Franklin Ferreira aborda o fato de que o socialismo vive de forma capitalista, com a diferença que ama e almeja a riqueza, desde que esta pertença ao Estado. Isso me lembrou muito uma postagem que eu vi, onde estava escrito que o capitalismo de verdade deixa a esquerda erguer sua voz, enquanto vende camisa do Che Guevara aos seus adeptos.

É interessante como o autor, antes de entrar no mérito da Idolatria do Estado já nos apresenta a postura correta a ser tomada por um cristão que atua na política, usando o livro de Ester como exemplo para as seguintes posturas que posso resumir: (1) compreender que a própria salvação e do povo depende de Deus, e não do Estado, mesmo quando a corrupção e o mal aparentam prevalecer; (2) o cristão deve lutar pela justiça segundo a Palavra, ainda que despojada da linguagem da fé; (3) incentivar os grupos nos quais esteja inserido a agir e dar suporte àqueles que atuam diretamente na política.

O ponto 2 me chamou muito a atenção, porque de fato o livro de Ester não tem aquela linguagem da fé, qual seja, alusão expressa à Palavra de Deus na fala e justificativa de posicionamentos e atitudes. Ester e seu tio vivem segundo a Palavra, mas diante do rei a fala não é teológica, embora totalmente centralizada naquilo que o Senhor ensina! 

É possível, portanto, ser um jurista ou qualquer outra função, propor e executar políticas públicas dentro da Lei de Deus, mas com fundamentos nos princípios e leis seculares. Exemplo: Ao invés de dizer que matar é crime em razão do mandamento do Senhor,  defender tal posição no direito fundamental a vida!

Isso é possível, em razão da lei moral inerente a todos os homens, cuja revelação natural aponta a irregularidade de tais condutas, mesmo sem a revelação especial. 

Como bem justificado pelo autor, tal posição permite de maneira eficaz a inserção do cristão no mundo, visto que podemos nos unir a movimentos e grupos em defesa daquilo que a Palavra ensina, ainda que não seja a motivação do referido grupo.

Após essa primeira reflexão o autor entra de fato no tema da idolatria do Estado, usando como base o primeiro capítulo da carta de Paulo aos Romanos, na qual ele apresenta a recusa da revelação geral em conjunto com a idolatria do Estado, na medida em que a troca do Deus incorruptível pela imagem de aves, quadrúpedes e répteis seria alusão aos estandartes dos exércitos romanos e a figura do imperador. Vendo desta forma, a mensagem de Paulo seria subversiva, direcionada ao povo que negava a revelação geral e depositava a sua fé no imperador e seu poder político.

Apresenta também os limites de obediência ao Estado, usando como base os textos de Romanos 13:1-7 e Atos 5: 14-36, a fim de provar que o cristão deve se submeter às autoridades legítimas, definidas como aquelas que punem o mal e recompensam o bem com serviço público e proteção. Quando houver colisão entre a lei o a Palavra, o cristão é livre para se opor à lei.

O autor separa um momento para trazer alguns conceitos como direita, esquerda e afins, alegando que o Brasil não possui partidos de direita, e que a maior parte dos partidos políticos atuais tem sua cartilha pautada nos ideias da esquerda e extrema esquerda. Acusa-os, portanto, de ludibriar a sociedade, ao taxar de direita os partidos de centro, de extrema direita os de direita, como se a cartilha da esquerda no Brasil fosse de centro, e a extrema esquerda fosse a esquerda.

Ele também critica a prática de alguns socialistas na defesa dos ideais da esquerda, por sempre compararem os ideais socialistas com o pior do capitalismo, a fim de apresentar este como um vilão; quando na verdade deveriam comparar a esquerda e direita como ocorrem na realidade, usando como exemplo Alemanha Oriental e Ocidental, ou Coréia do Sul e Norte, pois apresentaram os dois espectros políticos dentro da mesma sociedade ao mesmo tempo.

Embora ele faça esta crítica, que não deixa de ser instigante, acaba de certa forma dando uma bola fora, e faz a mesma coisa quando vai conceituar esquerda e direita, apresentando esta última como o espectro político que privilegia as liberdades pessoais e econômicas, garantias de direitos e afins; enquanto apresenta a esquerda como um modelo de pouca ou nenhuma liberdade pessoal e econômica, e faz uso de termos como "domínio" do Estado sobre todas as esferas da sociedade. Quem está acostumado a ler e escrever sabe que a escolha de palavras é uma chave mestra pra conduzir opiniões. O autor apresenta um segundo conceito para cada um dos dois espectros, e faz a mesma coisa, quando apresenta a direita como igualdade e liberdade, e a esquerda como um sacrifício da liberdade em prol da igualdade de poder. Ora, tanto a esquerda quanto a direita trabalham com o sacrifício da liberdade, visto que ambas trabalham com o conceito de contrato social do Estado.

Após apresentar estes conceitos, o autor apresenta a visão reformada sobre a relação do cristão com o mundo, de forma que família, indivíduo, igreja, trabalho, artes e escola são esferas independentes do Estado, que coexistem e extraem sua autoridade somente de Deus. O Estado tem o papel mediador, intervindo quando as diferentes esferas entram em conflito, ou para defender os fracos contra o abuso dos demais.

O cristão deve ter em mente que ética e governo sob a vontade de Deus não passam obrigatoriamente pela conversão de todas as pessoas, nem em colocar cristãos professos em cargos políticos (o que não é afirmar que um cristão não deve exercer um), mas sim em contribuir para que a lei de Deus seja reconhecida por todos. Cristãos e incrédulos podem se unir na luta contra males comuns aos dois grupos: o primeiro grupo o fará por amor ao Senhor, o segundo, pelo senso de moralidade.

O autor aponta a república como o melhor sistema político, pois somente Deus é capaz de concentrar em si todo o poder. A república é uma necessidade, em razão da inclinação do homem ao pecado e ao abuso; e é uma possibilidade, visto que a graça de Deus habilita os homens à justiça. Devemos considerar, por estas afirmações, que o Estado não é a solução para a sociedade, e o melhor que ele pode fazer é refrear a injustiça causada pelo pecado.

Nos últimos tópicos o autor faz uma afirmação com a qual tive que discordar, e justifico minhas razões. Ele afirma que o Estado não se preocupa com a segurança pública, porque está muito ocupado na busca por privilégios para os que cometeram crimes. Ora, tal afirmação é um tanto descuidada, pelos seguintes motivos:

  1. Primeiro que a afirmação fica confusa, dentro de um estado com tripartição de poderes. Quem executa as medidas penais é o Poder Judiciário, dentro do Princípio da Legalidade, ou seja, mediante a aplicação daquilo que a lei (Código Penal, Código Processual Penal...) determina. Logo, o Estado, na figura da Espada, faz aquilo que a lei já prevê;
  2. Essa afirmação entra em conflito com informações trazidas pelo próprio autor, como a superlotação dos presídios e principalmente o dever do Estado de garantir a dignidade da pessoa humana. A preocupação do Estado com a política penitenciária não é "dar privilégios aos presos", mas sim de garantir que estes cumpram suas penas dentro de parâmetros que assegurem a sua dignidade, como salubridade e exercício do poder de família.
Também aborda a luta da igreja alemã no período da Segunda Guerra Mundial, e encerra o livro com algumas dicas para os cristãos elegerem seus políticos com mais consciência e segurança. 

Recomendo muito mesmo a leitura do livro que, salvo as pequenas ponderações já faladas, foi capaz de satisfazer as minhas expectativas. Peço a maturidade do leitor durante a leitura, visto que se tratam das minhas ponderações sobre o livro, e sei que há aqueles que discordarão, e também aqueles que farão a leitura com a mão na espada, numa típica postura de idolatria ao teólogo. Sério, isso acontece mesmo no meio reformado! São as minhas considerações do livro, julgue-as e retenha o que for bom!

Melhor Jair começando a leitura hein...


Até a próxima postagem!!!

OBS: A FOTO DO CANDIDATO ACIMA NÃO CARACTERIZA APOIO POLÍTICO, E FOI USADA APENAS PELO TROCADILHO COM O NOME E POR SER O ÚNICO QUE EU VI COM A OBRA EM MÃOS! PARA SER JUSTO, COLOCAREI UMA FOTO DE OUTRO CANDIDATO REALIZANDO UMA LEITURA:

Paulo Coelho? Dá pra ler até de cabeça pra baixo!

EU ME RECUSO A DIZER EM QUEM VOTAREI. PODE NÃO SER EM NENHUM DOS DOIS! O VOTO É SECRETO!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Devocional: Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos! (Mt 27:25)

Meu Pai, o povo clamou teu sangue!  Movidos por violenta paixão, clamaram a responsabilidade pelo teu sangue, desde que o vissem derramado!

Tua morte fora tão desejada por eles, que ofereceram sua descendência como ré junto deles, não se importando de ver seus filhos culpados e sujeitos às consequências!

Pai, eles não se oporiam a enfrentar o vingador do Teu sangue, e a este entregariam suas crianças, tamanha a vontade de ver-Te na cruz!

Ah, meu Pai! Se soubessem quão aprazível é ter o Seu sangue sobre eles, e quão abençoados serão os filhos deles se tiverem a mesma sorte! Pois Teu sangue não traz a perseguição do vingador, nem a sentença de morte da Lei.

Teu sangue derramado é a remissão no próprio crime a remir; a inocência declarada na culpa! Pai, ainda desejariam Seu sangue se soubessem o valor que tem?

Pois eu o quero, Senhor. Não amo ser culpado por ele, mas por ele ser também alvo do Teu perdão, Pai! Teu sangue que cobre meus umbrais evitando a morte eterna de minha alma, Cordeiro Santo de Deus!

Quero-o sobre mim, humilhado por saber que não pode ser de outra forma, e que nada posso fazer sobre isso! Tua morte venceu a morte! Compraste-me pelo preço imensurável do seu sangue!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Quais são as qualificações dos presbíteros?

No artigo anterior eu havia falado para vocês acerca dos presbíteros e suas funções. Mas de qual forma tais homens são selecionados (ou ao menos deveriam ser) para o exercício do governo da igreja? A escolha de um presbítero não se dá levando em consideração critérios humanos como influência social, eloquência, posição hierárquica no trabalho ou o valor do dízimo devolvido ao Senhor.

Assim como a vida de cada cristão deve refletir a santidade de Deus, o governo da igreja também deve fazê-lo, de forma que os critérios para eleição dos líderes da igreja levam em conta os atributos comunicáveis do Senhor e a evidência dos frutos do Espírito na vida do candidato à presbítero. Tais características são apresentadas nos texto de I Timóteo 3:1-11 e Tito 1:6-16, transcritos abaixo para consulta do leitor: 

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;

Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );
Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;
Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
(I Timóteo 3:1-11)

Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.
Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;
Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;
Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.
Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão,
Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.
Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.
Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.
Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade.
Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.
Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.
(Tito 1:6-16)

Os textos acima apresentam um rol de qualidades a serem observadas nos candidatos ao episcopado, e, tomando como referência a listagem apresentada no livro "Eu sou chamado?", de Dave Harvey, elenquei 11 características, que são:

  1. Não ser neófito (I Timóteo 3:6)
  2. Ser santo e irrepreensível (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6-7)
  3. Ser esposo de uma só mulher (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  4. Ser temperante e sóbrio (I Timóteo 3:2 e Tito 1:6)
  5. Ser respeitável e ter bom testemunho dos de fora (I Timóteo 3:2,7)
  6. Ser hospitaleiro (I Timóteo 3:2 e Tito 1:8)
  7. Ser apto a ensinar e fiel à Palavra (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  8. Não ser intolerante ou arrogante (Tito 1:7) 
  9. Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso de ganho desonesto (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7)
  10. Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou de insubordinação (I Timóteo 3:4-5 e Tito 1:6)
  11. Não ser dado vinho (I Timóteo 3:8 e Tito 1:7)

Cumpre ressaltar que ter tais requisitos não necessariamente significa que um homem deve ser presbítero, nem que a ausência de alguns deles evidencie que um homem não tem tal chamado. Aliás, essa é a palavra a se observar: Chamado.

As características acima são parâmetros com os quais podemos identificar um homem chamado ao presbitério e ao pastorado, e não possuir todas elas não significa que um homem não tem o chamado de Deus, e sim que precisa desenvolver as demais qualidades durante a sua caminhada com Cristo. Aliás, visto que refletem a perfeição de Deus, tais qualidades devem ser buscadas por todo e qualquer cristão no curso da sua vida.

Não ser neófito

O presbítero não pode ser um novo convertido. Tal disposiçao pode ser analisada pelos seguintes pontos: (1) Pouco conhecimento da Palavra; (2) Falta de maturidade cristã.

Não há um critério temporal para ser considerado neófito, e por esta razão os pontos acima são extremamente necessários. 

Devemos considerar, ainda, a parábola do semeador, e ponderar que há possibilidade de agir sem cautela e eleger um cristão sem raízes como presbítero (Mateus 13:5-6,20-21). Isso acontece caso consideremos alguém para presbítero em razão do impacto inicial da Palavra no homem que a recebe com alegria, o qual, vindo as tribulações e aflições, esmorece na caminhada.

Outrossim, o conhecimento da Palavra por si só não basta para não ser considerado neófito, visto que tal conhecimento sem ação do Espírito Santo poderá ser instrumento do diabo para ensoberbecer o homem. Neste caso, é mais seguro analisar o conhecimento de tal homem acerca da sua própria salvação. Um homem que compreende a Teologia da Cruz é aquele a quem podemos considerar um cristão maduro, e tal compreensão poderá levar, em alguns casos, dois anos; em outros, dez.

Logo, observamos se um homem é neófito não por seu tempo na igreja, e sim por sua compreensão da Palavra e o que ela ensina acerca de Cristo. Podemos também, considerando a maturidade cristã, observar os frutos do Espírito que evidenciem que tal homem é filho de Deus.

Ser santo e irrepreensível

É necessário que o presbítero seja santo, ou seja, separado para Deus, separado do poder do pecado. Neste mesmo sentido, o presbítero tem que ser um homem irrepreensível, no sentido de ser um homem sem culpa.

Ser santo e irrepreensível é não ser escravo do pecado, e nem ter pecados não confessos que não foram apresentados diante de Deus em uma atitude de arrependimento. Logo, não pode ser um homem "culpado".

Um presbítero tem sobre si os olhos dos demais cristãos da igreja, que o imitarão em busca do reflexo de Cristo naquele líder (I Corintios 11:1). Logo, a necessidade de santidade e ausência de culpa se analisa no exemplo a ser dado perante a igreja e os de fora.

Não esqueçamos também que as ações da liderança com culpa são pedra de tropeço e razão de escândalo para o mundo e para os demais. A necessidade também se fundamenta na qualidade do testemunho.

Ser esposo de uma só mulher

Neste ponto, há quem defenda que o presbítero deve ser o homem que casou apenas uma vez. Assim, viúvos e homens que se divorciaram, ainda que na hipótese biblicamente permitida, não estão habilitados para ser presbíteros.

Tal posição não merece prosperar, visto que o que Paulo aponta é a necessidade de ter apenas uma esposa. Paulo estava vetando homens que viviam em poligamia (comum na época da igreja Primitiva). Há de se considerar também que, ao analisarmos as características do presbítero, todas elas são apresentadas no tempo presente, ou seja, qualidades que o mesmo possui ao tempo da eleição, e não que já possuiu ou virá a possuir (como se a ordenação revestisse o homem com tais atributos). Podemos considerar também que, se a intenção fosse falar de um único casamento, Paulo poderia ter reestruturado a frase de outra forma, como "casado só uma vez".

Ser temperante e sóbrio

O presbítero deve ser um homem moderado, equilibrado. Um homem impulsivo pode comprometer a igreja agindo por paixão (entendida como excesso de sentimento, seja ele qual for), da mesma forma que um líder apático e omisso poderá comprometer a igreja por não posicionar-se perante a sociedade ou mesmo perante a própria igreja para sustentar as decisões tomadas e lidar com a oposição.

É necessário que haja equilíbrio para ouvir a voz de Deus e fazer aquilo que o Senhor exigir.

Ser respeitável e ter bom testemunho com os de fora

Outro aspecto a se observar em um candidato ao presbitério ou pastorado é o testemunho não apenas dentro da igreja, mas também do lado de fora dela, de forma que haja coerência entre o que se vive e o que se prega.

O igreja deve procurar saber se o candidato é coerente com o Evangelho em sua vida familiar, acadêmica ou profissional, e perante a sociedade como um todo, da mesma forma que é na igreja em suas atividades eclesiásticas.

Cabe ressaltar que bom testemunho e respeito não significam aceitação e agrado, e sim coerência de vida testemunhável ainda que por pessoas que não concordem, visto que a nossa tendência é andar na contramão do mundo,  e não em conformidade com ele (Romanos 12:2). Um bom exemplo de respeitabilidade sem conformidade seria o do pregador John Knox e a Rainha da Inglaterra, Maria a Sanguinária, que chegou a declarar:

"eu temo mais as orações de John Knox do que os exércitos de dez mil homens contra nós"

Hospitaleiro 

A hospitalidade sempre foi um traço da comunidade judaica e da igreja Primitiva. Podemos ressaltar que não se trata meramente do presbítero abrir as portas da sua cada aos demais a todo momento, e sim guardar as condutas inerentes a ser hospitaleiro, como ser atencioso, generoso e acolhedor com os seus visitantes e hóspedes.

A hospitalidade, portanto, pode ser atestada na realização de cultos domésticos, nas visitas ou no acolhimento de um irmão no lar, e não simplesmente em hospedar aos demais.

Apto para ensinar e fiel à Palavra

Conforme podemos concluir pela leitura da carta de Paulo para Tito, o presbítero deve ser um homem apto a ensinar a Palavra: (1) visto que este será responsável por admoestar os membros da igreja de suas incorreções (2), para ser capaz de defender as Escrituras daqueles que se opõem (3) e combater falsos mestres e doutrinas.

Uma igreja saudável necessita de conhecimento da Palavra, cabendo as presbíteros precipuamente o ensino da mesma. Há de se deixar claro que o Senhor, ao dispensar os dons à igreja, capacitará alguns com o dom do ensino, o que não necessariamente significa que tal cristão tenha um chamado para ser presbítero da igreja. Dom de ensino e aptidão para ensinar tem extensões diferentes: o dom é a excelência dada por Deus para edificação da igreja, a aptidão para o ensino é a capacidade de ensinar de maneira correta; todo homem com o dom de ensino é apto para ensinar, mas nem todo homem apto para ensinar tem o dom do Espírito para isso.

Logo, nem todo presbítero terá o dom do ensino, mas todo presbítero tem que ser capaz de ensinar a Palavra corretamente. Todo presbítero tem necessidade de ser teólogo e conhecer a Palavra, a fim de não ensinar incorretamente. Tal disposição encontra fundamento na própria prerrogativa do presbítero de repreender os membros da igreja em seus pecados, o que demonstra no mínimo o conhecimento de que a conduta de tal membro é pecaminosa.

Não apenas apto para admoestar a igreja, o próprio presbítero deve ser fiel àquilo que ensina. Sendo constante e zeloso no seu proceder de acordo com a Palavra de Deus.

Visto que principados e potestades desejam causar o maior dano possível à igreja e seus membros, numa tentativa maligna de embaraçar a proclamação do Evangelho, surgem no seio da igreja falsos mestres e doutrinas, devendo o presbítero ser conhecedor da Palavra, a fim de combatê-los, como Paulo recomendou que fizessem os presbíteros que seriam eleitos na igreja de Creta.

Não ser intolerante ou arrogante

A intolerância é uma evidência da dificuldade de amar ao próximo (que é o segundo grande mandamento), sendo incabível cogitar um presbítero incapaz de compreender o próximo e que haja com repulsa diante daquilo que lhe seja contrário. O líder da igreja encontrará sempre pessoas com valores e ideias que divergem das próprias, devendo ter o coração aberto para ouvir, julgar e reter aquilo que for de acordo com a Palavra, ainda que isso signifique quebrar seus próprios conceitos.

Já a arrogância é um evidência da falta de humildade, de um orgulho agudo, sendo certo que tal característica não pode ser encontrada em um presbítero (ou qualquer cristão), visto que o Senhor rejeita os soberbos (Tiago 4:6). Um homem que tem dificuldade de ser humilde e sujeitar-se ao senhorio de Cristo dificilmente conduzirá a igreja para que assim o faça.

Não ser amante do dinheiro e nem cobiçoso do ganho desonesto

A preocupação com o amor às riquezas terrenas foi motivo de advertências do próprio Senhor Jesus (Mateus 6:19-21 e 24; 19:16-30), razão pela qual o candidato a presbítero não pode mostrar-se demasiadamente preocupado com as riquezas materiais. Podemos considerar a possibilidade de tal tipo de homem não dispensar todos os recursos financeiros necessários à obra pelo desejo maior de guardar dinheiro, ainda que sem razão para fazê-lo. O amor ao dinheiro é idolatria, violação ao primeiro grande mandamento.

Quanto a cobiça de ganho desonesto, podemos considerar o desejo de ganhar injustamente, de tirar vantagem excessiva na prática de serviços e na gestão de seus bens, ainda que isso pressuponha aproveitar-se da boa-fé e inocência alheia. Os homens que tais coisas praticam não devem ser eleitos ao presbitério, visto que desconsideram o agir de forma justa e a dignidade do salário do seu trabalho e dos demais. Vemos o possível exemplo de um homem que praticou e buscou correção de tal postura em Zaqueu, o publicano (Lucas 19:2-10).

Governar bem a sua casa, tendo filhos obedientes que são crentes e não abertos à acusação de dissolução ou insubordinação

Tal disposição tem sua razão de ser visto que, na ordem da criação, ao homem foi dada a responsabilidade de cuidar de sua família antes mesmo da aliança. Um homem que não governa sua casa bem, ou seja, biblicamente, não terá tal capacidade com a sua igreja (I Timóteo 5:8).

Quanto aos filhos, considerando o fato de que a salvação é individual e o chamado de Deus independe da vontade humana, não podemos considerar que um homem esteja desqualificado para exercer o presbitério se um de seus filhos não for cristão. A inteligência do versículo nos leva a ponderar que, quanto aos filhos que são crentes, estes não podem ser abertos à acusação de dissolução ou insubordinação, o que nada mais é que o reflexo da criação recebida de um pai santo e irrepreensível. E, ainda que possua filhos que não são cristãos, estes devem ser subordinados à autoridade do candidato, que, ainda que não tenha poder para converter seus filhos, tem o dever se guiar sua família nos valores morais cristãos.

Fortalecendo o posicionamento acima, consideremos também a hipótese de um candidato solteiro: este regerá bem a sua vida familiar, ainda que não seja o cabeça de sua casa ainda, agindo como o filho obediente, subordinado à autoridade dos pais, honrando-os, da forma que Deus espera dos Seus (Efésios 6:1-3). Não possuir filhos ou esposa não o desqualifica para o exercício do cargo de presbítero, pois, conforme já refletimos, tais recomendações podem não ser totalmente encontradas nos candidatos.

Não ser dado ao vinho

Bem... Esse requisito será abordado em apartado, visto que pretendo me estender um tanto mais no tema!

Concluindo...

Devemos buscar líderes para nossas igrejas dentro daquilo que a bíblia considera importante. Os versículos acima nos apresentaram evidências do chamado de um homem para liderar sua igreja. Não esqueça que somos imperfeitos, e que talvez boa parte das características acima levem uma vida inteira para ser desenvolvidas!


quarta-feira, 14 de março de 2018

Quem são os Presbíteros?


Uma vez que defendo a necessidade do governo eclesiástico, ratifico o que declarei no artigo anterior: Se de fato necessitamos de governo, que seja amparado pela Palavra de Deus. Poder-se-ia, com o avanço da igreja, abordar os líderes com previsão na Palavra de Deus, e aqueles que a igreja inseriu no curso da sua história, como consequência lógica do seu avanço e mudanças sociais.

            Começando pelos oficiais previstos na Palavra de Deus, o primeiro que abordarei nos próximos artigos será o Presbítero. Os presbíteros são aqueles que tem como função dirigir, surpervisionar e cuidar da igreja por amor à Deus e ao próximo, nos termos de I Timóteo 5:17 c/c I Timóteo 3:4-5, que transcrevo abaixo:

Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. [grifo próprio]
(I Timóteo 5:17)

... e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);[grifo próprio]
(I Timóteo 3:4-5)

            É certo que a palavra “presbítero” é sinônima de outras duas: bispo/superintendente (episkopos) e pastor (poimen). Temos um exemplo do uso do termo bispo no texto de I Timóteo 3:2, quando se declara que é necessário que “o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Já o termo pastor ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em Efésios 4:11:

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres

            Há na passagem acima uma discussão acerca dos termos pastores e mestres, quanto a hipótese de tratar-se de pastores-mestres. A discussão seria em torno da possibilidade de “poimenas kai didaskalous” não trazer a ideia de um chamado diferente (um para pastor e um para mestre), mas de um aspecto do chamado do pastor. Neste último caso, o pastor seria o responsável pela condução e ensino do rebanho, sendo certo que, ao analisarmos a construção da sentença do versículo 11, fica evidente que se fosse intenção de Paulo abordar dois chamados diferentes, bastaria manter o uso de “outros para”, ainda que alguns possam argumentar a supressão da expressão. Não arrisco a explorar mais a questão, pois está além dos meus conhecimentos.

            Não se tratam de ofícios diversos, visto que as atribuições dos bispos, pastores e presbíteros são as mesmas, havendo, ainda, a ordem de Pedro para que os presbíteros pastoreiem o rebanho de Deus que havia entre eles (1 Pedro 5:2). São, portanto, sinônimos, cujo uso de um ou outro termo ressalta uma característica mais evidente do mesmo.

            Outro argumento favorável está ligado ao uso do termo pastores-mestres abordado anteriormente. Se o pastor tem o dever de ensinar ao seu rebanho, podemos corroborar tratar-se de outra nomenclatura para presbítero, visto que entre as características deste está a aptidão para o ensino (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7).

            Ainda sobre o governo da igreja por parte dos presbíteros, basta uma análise na Palavra de Deus para se chegar a conclusão de que o modelo de governo bíblico é aquele que possui vários presbíteros liderando a igreja que os elegeu (Atos 14:23 c/c Atos 20:17 c/c Tito 1:5). Veja que no texto de Tito 1:5, a razão de Paulo deixar Tito em Creta é, entre outras, para que este estabelecesse os presbíteros de cidade em cidade! Colocando em termos atuais, de igreja local em igreja local. As vantagens da pluralidade de presbíteros são, entre outras:

1 - Exercício do Sacerdócio Universal de Todos os Santos

            Uma equipe de presbíteros é uma forma eficaz de exercer o sacerdócio universal em favor da edificação da igreja, visto que homens com virtudes e peculiaridades exerçam os dons diversos (ou mesmo iguais) que receberam do Senhor, contribuindo para melhor decisão para coletividade.

2 - Unidade de Pensamento

            Uma equipe de presbíteros pode evidenciar aquilo que o Espírito Santo tem a dizer para a comunidade, visto que nosso Pai não é Deus de confusão, e naquilo que dois ou três presbíteros vierem a concordar, a chance de haver erro de direção é menor. Evita-se, ainda, que haja uma liderança déspota e antibíblica.

3 - Uma igreja sempre pronta

            Podemos falar, ainda, de uma liderança com uma agenda flexível, que garanta que haja sempre a possibilidade de atender as demandas da comunidade local, bem como que os presbíteros apoiem-se uns aos outros nas tentações e dificuldades da vida e ministério.

4 - A igreja cresce com as gerações

            Ressalto também a possibilidade de que haja observância da perspectiva de diversas gerações diferentes, podendo haver no corpo de presbíteros a voz do presbítero mais moço, com aquele que poderia ser considerado um ancião na comunidade. Isso é positivo para que a igreja não fique estagnada, e acompanhe as mudanças que o tempo carrega em seu bojo.

quinta-feira, 8 de março de 2018

O que dizer sobre... Inteligência Humilhada

Essa semana eu vou falar um pouquinho do livro Inteligência Humilhada, escrito por Jonas Madureira, pastor da Igreja Batista da Palavra, em São Paulo. O autor é bacharel em Teologia, e Mestre e Doutor em Filosofia. Eu tive a oportunidade de assisti-lo expor o tema semanas antes do lançamento do livro, no Seminário Teológico Congregacional de Niterói, e fiquei encantado!



Desde já deixo consignado que, se porventura discordem dos apontamentos que farei aqui, trata-se da minha análise do livro, logo, sujeita as minhas limitações teológicas e filosóficas. Aos que admiram o trabalho do Pr. Jonas (sou um destes), peço que embainhem a espada antes de começar a leitura.

Desejei muito ter o livro, e me aprofundar um tanto mais no tema, aprendendo sobre a humilhação inerente ao ser humano. Para minha felicidade, o meu pastor, Reverendo Idauro de Oliveira Campos Júnior, Reitor do Seminário, deu-me de presente na ocasião da minha saída da função de secretário do seminário, que ocorreu por motivos acadêmicos.



Só consegui parar para ler nas últimas semanas, e fiquei extremamente satisfeito. O Pr. Jonas não nos enganou quando escreveu que ora teríamos diante de nós um pastor em gabinete, ora um professor na sala de aula. De fato o livro tem essas sutis mudanças, adotando em parte um tom pastoral na exegese dos textos e aplicação, e por outro lado, um tom acadêmico, caracterizado por uma abordagem mais filosófica e apologética.

O livro aborda o conceito de inteligência humilhada. Serei sucinto, por dois  motivos: primeiro, para te incentivar a ler a obra do Jonas; segundo, para evitar a possibilidade de desonestidade intelectual, na hipótese de alguém precisar ler em algum seminário, e buscar aqui um resumo da obra já pronto.

O Rev. Jonas inspirou-se para escrever sobre o tema a partir da leitura do livro X das Confissões de Agostinho de Hipona, e aborda questões cruciais para compreensão da inteligência humilhada, tais como o conflito entre fideísmo e racionalismo, bem como a adoção de uma teologia sinergista ou monergista como fator de influência no entendimento acerca do conhecimento de Deus e das demais coisas, além da necessidade da revelação especial.

Poder-se-ia dizer que o tema é exaustivamente abordado nos dois primeiros capítulos, nos quais apresenta-se a humilhação de nossa inteligência não como um estado oriundo da queda (embora a queda tenha sim seus efeitos noéticos), mas uma característica inerente ao homem (esteja ele consciente disso ou não), que precisa que Deus revele a Si, a verdade sobre nós mesmos e a verdade sobre o mundo. O conhecimento do homem é melhor desenvolvido quando colocado diante de Deus, em postura de reconhecimento de que dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A inconsciência do homem quanto a sua dependência de Deus não muda o fato de que o conhecimento adquirido depende dEle, seja na revelação, seja  na obra do Espírito Santo nos dando entendimento. Portanto, teologia é estudar a Palavra diante de Deus,com oração e humildade.

Considero os capítulos 3 e 4 não como essenciais para abordagem do tema, e sim como a apresentação de questões que norteiam o conceito já explicado nos dois primeiros capítulos. Já o capítulo 5 apresenta a traição dos teólogos, não analisando se cabe razão ao teólogo que valoriza mais a doutrina do que ao que valoriza mais as questões sociais, e sim apontando os dois grupos como desvio da cosmovisão cristã.

O livro é muito bom! Diversos conceitos são apresentados para explicar o tema, mas não se preocupem, o autor não teve qualquer ressalva de explicar cada um deles. Entretanto, duas considerações podem ser feitas. A primeira se dá ao fato de que, ao vir apresentar o tema no Seminário Teológico Congregacional de Niterói, o autor informou ter realizado a busca do conceito em diversos autores na história da igreja, como Agostinho e Pascal. De fato tais autores são citados no curso dos capítulos, entretanto, ansiava ao menos por um capítulo no qual o conceito seria explicado através da visão de cada teólogo, de forma que a obra pudesse ser utilizada para consultas posteriores.

Outro ponto que deixou-me com a impressão de estar faltando alguma coisa foi a apresentação da Teodiceia ao abordar a bondade e soberania de Deus em contraste com a existência do mal no mundo. Embora o tema tenha sido discorrido por diversas páginas, senti falta de um fechamento para o mesmo, quase como se a resposta tivesse ficado em aberto (uma resposta que eu sinceramente gostaria de ler por parte do autor). Deixo claro que neste ponto, talvez eu não tenha sido capaz de compreender corretamente, em função do pouco conhecimento que tenho acerca do tema.

Feitas as duas ressalvas, não poderia deixar de elogiar o método do autor, que faz pouco uso de citações e paráfrases, esforçando-se por apresentar o tema em suas próprias palavras. Esse tipo de escrita me agrada muito, e reflete o esforço do reverendo em ponderar talvez dezenas de obras lidas e extremamente necessárias para formulação daquela única frase onde um conceito é apresentado! As citações são usadas para reforçar conceitos que o próprio autor apresentou com suas palavras.

Recomendo a leitura da obra para aprofundamento nas áreas de Antropologia Bíblica, Cristologia e Teologia Propriamente Dita, com uma boa aplicação em estudos sobre Cosmovisão Cristã (principalmente no capítulo 5) e Revelação Especial. Agradeço ao Reverendo Idauro Campos por presentear-me com a obra, bem como ao Reverendo Jonas Madureira por debruçar-se em horas de estudo para escrever uma obra tão bem fundamentada. Agradeço-o por fazer teologia diante de Deus!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sendo direto: O Evangelho não é sobre você.

"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo."
1 Coríntios 11:1

Só uma breve reflexão sobre as palavras de Paulo à Igreja de Corinto. Paulo não queria ser imitado por ser Paulo, e sim por ser imitador de Cristo! Mas no fim das contas, não é Paulo a ser imitado de qualquer jeito, visto que Cristo já fora crucificado e sentara à destra do Pai? Não! 

É importante não esquecer isto: O Cristo de Paulo deve ser imitado quando olhamos para ele. Paulo não nos aconselha a o imitarmos por ser ele uma espécie de super-homem. Ele nos aconselha a o imitarmos por ser ele um imitador de Jesus. O foco é Cristo!

Não somos salvos (através de Cristo) por adquirir qualquer espécie de upgrade espiritual, que nos torna uma espécie de homem evoluído. Na Redenção não somos melhorados. Somos destruídos pela Palavra e feitos vasos novos por Deus. Não há conserto, remendos nas rachaduras ou revestimento.

Somos salvos inteiramente pela Obra Expiatória de Cristo, pela plenitude da Sua humanidade e Sua divindade, pelo seu sangue derramado, pela Sua cruz, por Sua humilhação e Sua exaltação. Cristo salva homens de sua desgraça iminente, por ser Ele Deus e homem, o que garante a efetividade do seu sacrifício. Cristo faz o que nossa humanidade não nos permite fazer.

O Evangelho não é um chamado para uma busca incessante pelo sucesso e ascensão moral. É um chamado para olhar para Cristo e amá-lo. É um chamado não para a independência, e sim para dependência. Não é a busca pela liberdade, e sim pela servidão! Servir Cristo, servir os homens! A Palavra não fala do quão bons podemos ser, e sim da infinita bondade de Deus, mesmo diante do nosso pior, pois nos amou mesmo quando ainda éramos seus inimigos, e ainda hoje nos perdoa todas as ofensas! 

É o grande contraste do homem caído e do Deus infinitamente misericordioso. O imperativo não é ser um homem melhor, e sim ser imitador de Cristo. É o dilema da moral perfeita e a incapacidade de alcançá-la por esforço próprio. Alcance-a, portanto, olhando pra Jesus e clamando Seu auxílio, e não olhando para si mesmo!

O foco do Evangelho é falar sobre quem é Jesus Cristo e o que Ele fez por nós; o foco nunca foi o que somos capazes de fazer (ainda que em nome de Deus), e sim o que Cristo foi capaz! 

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...