Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de março de 2018

Palavras vazias

O que são minhas palavras, sem você para dar sentido pra elas? O que é amor, sem alguém para amar? As palavras não deixam de ter seus significados, mas sem uma realidade, nada tem a dizer.

E, para falar de amor, a realidade é você. Se considera bela a minha forma de escrever, não ignore o belo sorriso que você tem, pois é ele que eu escrevo. Se, porventura, eu vir a escrever sobre um beijo, é porque em algum momento teus lábios umedeceram os meus, num beijo que eu quis que não acabasse. Se sentir-se aquecida nas linhas de algum texto meu, é o nosso abraço guardado no meio das palavras. Aliás, falar de amor é confuso. A palavra ora é sentimento, ora é pessoa, de forma que as vezes eu já nem sei se estou falando do meu amor, ou do amor que sinto (a própria dúvida pode parecer sem sentido).

E, para falar do que é belo e natural, a realidade também é você. Se eu vier a descrever um céu negro e denso com estrelas refulgentes, são teus olhos a brilhar na luz. E se eu escrever sobre as ondas do mar, são teus cachos, que assim como essas palavras, já escorreram pelos meus dedos. E o cheiro das flores é o teu perfume (ou o creme do teu cabelo) que roubei do teu pescoço enquanto te abraçava.

Se houver algo de belo no que eu escrevo, por detrás há um amor ainda mais bonito, que me inspira a estar aqui... escrevendo. Sem você, tudo que há são apenas palavras vazias.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

As declarações que ninguém lê.



Todos os dias milhares de pessoas postam declarações para os seus amores em postagens de centenas de páginas de uma dúzia de redes sociais!

Eu me surpreendo como passo dias sem ter o que escrever, e de repente vejo uma imagem postada em uma página de conteúdo romântico, e pessoas marcando seus pares, e, não contentes com o teor da imagem (que geralmente se resume à uma frase em letras redondas num post-it inserido  colado em  uma paisagem aleatória embaçada pelo enquadramento da câmera), acrescentam algumas linhas no comentário com suas declarações de amor!

Eu reparei que jamais parei pra ler uma dessas declarações até o fim!

São as declarações que ninguém lê, ainda que não sejam anônimas! São pessoais, cheias de particularidades, e por esta razão, poucas pessoas as consideram! Mas quem se importa com isso? Elas não foram feitas para serem lidas, ainda que em páginas de redes sociais. Foram feitas para que a pessoa a quem são direcionadas leia, e saiba que há páginas que falam de amor, e que há alguém que lembra dela quando vê uma das postagens!

Só que o amor é prolixo! Ele não cabe na frase do post-it, e é preciso dizer mais! É preciso ir além, ou acreditamos não ser entendidos! Não é o comum à todos, e que se resume ao teor da postagem que você quer dizer! É o peculiar, o individual, é o que vem depois do que é comum nos amores o que a gente quer deixar claro, exatamente por considerar que não é!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Rotina Poética #1

Sexta-feira, fim de expediente.

Saio ainda sob o céu metálico das nuvens que bloqueiam o sol, trazendo a memória a luz refletida em qualquer prataria bem polida. Hora de tomar a última grande decisão do dia; Qual flor daria para R...?


Quando você procura dar flores a sua amada com certa regularidade, você acaba descobrindo qual ela gosta mais (uma informação que nem ela sabe).A minha amada prefere as rosas da tenda de flores em frente ao Terminal Garagem Menezes Cortes.

Procuro uma flor dentro das minhas exigências: Não pode ser muito fechada. Uma flor assim, jovem e tímida, de desabrochar tardio, não chamaria a atenção dela na hora da entrega.

Também não pode ser madura demais, e já ter desabrochado totalmente. O ápice da alegria de R... seria receber a flor, que morreria poucas horas depois da entrega. Nas primeiras horas as pétalas começariam a perder seu vigor. Seu quarto acabaria sendo ornamentado por uma flor escurecida e opaca.




Finalmente encontro o que buscava em uma rosa carmesim de saltar aos olhos, com folhas verdes e feridas pela rotina da terra. Uma flor que começou a se abrir ao mundo, mas que ainda não revelou a plenitude de sua beleza, que será exposta exclusivamente a mulher que amo.

Imagino-a repousando a flor no copo verde da escrivaninha do quarto, e surpreendendo-se dois dias depois, após perceber que a flor desabrochou intensa e imponente. Deixo para R... não a simples atitude de dar a flor, mas saber que em torno dela o mundo floresce aos seus cuidados.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Fragmento de Crônica - Rua da Quitanda

Todos os dias eu caminho na Rua da Quitanda. 

Aquela rua que as vezes sufoca de tão apertada;
que a calçada vira rua, rua vira calçada;
Onde preocupado com a vida, não reparo em mais nada;
exceto naquele prédio com uma porta de cofre no hall da entrada.

Rua de paralelepípedo irregular. De gente caindo, tamanco quebrando, gente descalça dando topada.
Pobres meninos...
Sem chinelos e sem infância.
Pobres tamancos...
Braços esguios tentando sustentar o peso de querer se estar mais próximo do céu.

Rua cinza, opaca, úmida e molhada;
que faz esquina com a Rua da Assembleia;
vizinha da Rua do Carmo,
aquela que é lar de muita gente sem lar.
Aquela rua que tem mais engraxate do que sapatos.

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...