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sábado, 20 de março de 2021

Quando Jesus foi crucificado?


 

Por qual razão comemoramos o Domingo de Páscoa, se a Palavra nos ensina que Jesus permaneceria morto por 3 dias e 3 noites, nos termos de Mateus 12:40, onde o próprio Jesus anuncia o sinal de Jonas!

Quando olhamos o relato bíblico, vemos que Jesus foi crucificado não deveria permanecer crucificado no sábado (João 19:31). Ora, se ele não poderia ficar crucificado no sábado, quer dizer que a crucificação foi numa sexta-feira! E pior ainda: Entre sábado e domingo se passam apenas um dia! Este, por muito tempo, foi o entendimento que alguns estudiosos fizeram uso.

Entretanto, conforme a imagem acima, e as informações do artigo anterior, Jesus Cristo foi crucificado no Dia da Preparação, que antecede o grande Shabat! Não era, portanto, o sábado do calendário ordinário, mas o "Grande Shabat" das festividades de Levítico 23!

Leve em consideração que o calendário judaico é lunar, e os dias começam às 18:00 horas, com o pôr-do-sol. Desta forma, Jesus foi crucificado na Páscoa, sepultado na Festa dos Pães Ázimos e ressuscitou no fim do Shabat semanal e início da Festa das Primícias. Três dias e três noites se contam da seguinte forma:

  • 1º Dia - 18:00 horas da quarta-feira às 06:00 horas da quinta-feira
  • 2º Dia - 18:00 horas da quinta-feira às 06:00 horas da sexta-feira
  • 3º Dia - 18:00 horas da sexta-feira às 06:00 horas do sábado
  • 1ª Noite - 06:00 horas da quinta-feira às 18:00 horas da quinta-feira
  • 2ª Noite - 06:00 horas da sexta-feira às 18:00 horas da sexta-feira
  • 3ª Noite - 06:00 horas do sábado às 18:00 horas do sábado
Portanto, mais uma vez a veracidade das Escrituras pode ser comprovada, e Deus pode ser louvado! Jesus  cumpre sua promessa, e permanece morto por 72 horas, ressuscitando no primeiro dia da semana, o domingo, após o Shabat semanal!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Como assim o Filho estava presente no Antigo Testamento?




Algumas pessoas recaem no erro de acreditar que Jesus Cristo, o Filho, só nos é apresentado no Novo Testamento. Lembro-me de um texto do Gregório Duduvier que reflete exatamente esse desconhecimento, chamado “Querido pastor”.

A carta fictícia de Jesus para um pastor afirmava “Caso queira me conhecer mais, saiu uma biografia bem bacana a meu respeito. Chama-se Bíblia. Já está à venda nas melhores casas do ramo. Sei que você não gosta muito de ler, então pode pular todo o Velho Testamento. Só apareço na segunda temporada”.

Não espero muito do referido autor, pois não se trata de um teólogo com base bíblico-teológica cristã. Mas ele reflete bem o meu ponto: restringimos a ação de Jesus ao Novo Testamento, mais especificamente à obra da salvação.

Entretanto, a teologia nos ensina a Triunidade de Deus, de forma que não há como desassociar o Filho do Pai e do Espírito Santo, como se em algum momento Ele não tivesse existido, ou que seu papel se resumisse à morte e ressurreição. O próprio Novo Testamento nos ensina que Jesus estava presente na Criação. Todas as coisas foram feitas por Jesus, o Verbo, e sem Ele nada do que foi feito se fez (João 1:1-4).

Avançando um pouco na criação, vemos então a Queda do homem. O casal no Éden toma do fruto proibido pelo Senhor, recaindo sobre eles e toda a criação a maldição do pecado, da morte física e espiritual. Também é apresentada a esperança: seria posta a inimizade entre a semente da mulher e a semente da serpente. Esta morderia o calcanhar, enquanto  aquela lhe feriria a cabeça (Gênesis 3:15). É o protoevangelho apresentando o Filho como aquele que restauraria a comunhão do homem em razão da Queda.

Sem entrar em detalhes, também podemos citar as diversas teofanias, nas quais o Anjo do Senhor aparece para homens na história do Antigo Testamento. Esse termo, na verdade, não diz respeito a um anjo comum, mas ao próprio Jesus Cristo! Deus, quando se apresentava visivelmente, o fazia através da imagem do Filho!

Mas... Sim! É importante falarmos do plano da salvação que nos é apresentado no Novo Testamento! Paulo sintetiza a obra salvífica do Filho em Romanos 3:23-24, nos apresentando o Seu plano de Redenção. Na medida em que todos pecaram e não podem justificar a si mesmos diante de Deus, Jesus graciosamente nos redimiu, tornando-se maldição em nosso lugar (Gálatas 3:13) e levando sobre Si nossas dores e maldições (Isaías 53:4-6). Jesus Cristo pagou o preço por nossos pecados.

Portanto, nossa relação com Deus está restaurada. O véu que separava o homem de Deus foi rasgado, no Seu sangue Jesus efetuou a eterna redenção! (Hebreus 9:11). Quando cremos em Cristo somos feitos nova criação, sem a escravidão do pecado, restaurados à comunhão com Deus, mediante a fé em Cristo (II Coríntios 5:17). Que possamos descansar a cada dia na realidade de sermos portadores de uma liberdade, paz e vida que jamais mereceremos!

Pensando um pouco em Jesus no Antigo Testamento....


“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7:14)



O profeta Isaías havia profetizado ao Rei Acaz: um sinal seria dado pelo Senhor, diante da incredulidade de Judá e do temor aos Reinos da Síria e Rezim (Isaías 7:4).  Acaz se recusou a pedir qualquer sinal ao Senhor, para que não fosse considerado ainda mais culpado diante dEle por sua incredulidade. Deus decide então enviar o Seu Filho como sinal de juízo para os incrédulos, e esperança para o remanescente fiel.

Embora o evidente cumprimento da profecia tenha ocorrido em Jesus, sabemos que Isaías morreu centenas de anos, de forma que não a veria se concluir, o que poderia colocar em cheque a sua qualidade de profeta. Portanto, é aceitável crermos que o cumprimento temporal da profecia se deu com o nascimento de Rápido-Despojo-Presa-Segura (Isaías 8), o filho do profeta, e que a virgem denotava uma mulher com a qual estava comprometido a se casar.

O nome determinado pelo Senhor profetizava que Deus traria julgamento sobre a Síria, Israel e Judá, a qual seria devastada pelos assírios, que fariam isso como se fossem águas fortes e impetuosas (Isaías 8:7-8). Ainda que Judá tenha sido devastada, Deus a preservou da total aniquilação, confortando o seu povo para que guardasse nEle a sua esperança.

Portanto, Rápido-Despojo-Presa-Segura e sua mãe seriam pré-figurações de Jesus e Maria. O nascimento dessa criança, assim como o de Jesus, era o sinal da redenção do povo de Deus e julgamento contra a descrença.

Sabemos que a consumação desta promessa ocorreu em Mateus 1:18-25, quando a virgem Maria dá à luz ao menino Jesus, o Cristo, o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz. Em Jesus a nossa esperança se consuma, a salvação nos é concedida, o juízo é remido na cruz. É o retorno de Cristo que irá exaurir a esperança daqueles que ainda vivem, transformando-a no louvor eterno; é o Seu retorno que marcará o juízo eterno sob a Ira de Deus para aqueles que se mantiveram incrédulos.  

Deus seja louvado por nós, Ele é fiel.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Posso/Devo beber? O cristão e o álcool.

E aí gente, beleza? Pra quem acompanhou meus dois artigos sobre os presbíteros, devem saber que deixei a questão do consumo de bebida alcoólica para um artigo individual. A razão disto é porque o assunto tem muita discussão, e, se por um lado não é uma questão fundamental do Cristianismo, por outro lado, não merece o tratamento leviano e as ponderações descuidadas e por vezes sem fundamentos com as quais o tema é abordado.



Correntes

Quando um cristão é questionado acerca do consumo de bebidas alcoólicas a resposta não é unânime. é bem capaz de encontrarmos numa roda de amigos da igreja ao menos um que defenda uma das três posições abaixo:

Proibitivo: um cristão de posicionamento proibitivo vai defender não apenas a abstenção do vinho, como também a proibição nas Escrituras.

Abstêmios: um cristão abstêmio (eu por exemplo) reconhece que não há um imperativo proibitivo para o consumo de bebida, mas desencoraja o consumo. Um abstêmio jamais afirmará que a bíblia proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, mas nem por isso ele irá beber, em consideração ao potencial negativo do consumo de bebidas.

Moderado: um cristão moderado é aquele que não só afirma que a Palavra não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, como também consome.

Logo, há três possíveis resposta no seio da igreja. Qual será a correta? Há uma correta?

Onde a bebida alcoólica aparece na bíblia?

A bebida alcoólica aparece na bíblia  em diversas passagens que informam o consumo do vinho. E, caso analisemos as palavras originais traduzidas para vinho (seguindo um estudo do tema proposto por John MacArthur), todas elas dizem respeito à bebidas fermentadas, de teor alcoólico.

No Antigo Testamento, temos a ocorrência do termo yayin, o qual não diferencia nem o vinho velho, nem o novo, nem o suco de uva. Ou seja, embora alguns aleguem tratar-se de tradução para suco ou extrato não fermentado de uva (como em Jeremias 48:33), isto não estará correto em todos os casos. Por exemplo, em Gênesis 9:21, Noé bebeu vinho a ponto de embriagar-se e ficar nu. 

Há também a ocorrência do termo shekar, que pode ser traduzido como "bebida forte", e é oriundo do verbo shakar, que significa "embebedar-se". Ora, se o vinho não possui teor alcoólico, por que a raiz da palavra é o termo referente ao consumo de bebida capaz de embriagar um homem? O que seria "bebida forte", senão a bebida com teor alcoólico?

Há também o uso da palavra tirôsh, referente a sucos doces e mostos, sendo associado ao suco de uva não fermentado. Ora, se há uma palavra no Antigo Testamento que especificamente aborda o suco de uva não fermentado, seria hipocrisia ou tolice afirmar que todas dizem respeito a suco de uva sem teor alcoólico.

A discussão sobre o consumo de bebida alcoólica no Antigo Testamento tem fim no uso de yayin e shekar no mesmo versículo, hipótese na qual referem-se à vinho totalmente fermentado, como em Isaías 28:7. Ora, até o presente momento eu nunca vi um homem cambalear tomando suco de uva!

Já no Novo Testamento, o termo original em grego seria oinos, que  não faz distinção entre o vinho no início da fermentação (Marcos 2:22 - o vinho recém produzido é posto nos odres), o vinho fermentando (Marcos 2:22 - o início da fermentação faz os odres se romperem) ou já fermentado (Lucas 1:15). 

Também há o termo sikera, que diz respeito a "bebida forte", correspondente ao hebraico shekar.

E o que podemos dizer sobre o vinho na Palavra?

Antes de mais nada, é importante dizer que mesmo o dito "vinho novo" pode ter teor alcoólico, visto que a fermentação é um processo quase que imediato. Ocorre que para os homens, o "vinho velho" era considerado bom, em razão da elevada fermentação (Lucas 5:39). Há quem diga, neste sentido, que o vinho que Jesus produziu em seu milagre nas bodas seria fermentado!  Seria costume dar o vinho mais fermentado no começo (o bom!) e quando todo mundo já estava embriagado, davam o vinho novo, pouco fermentado. É certo inclusive afirmar que o vinho que é muito diluído nem mesmo é elogiado, conforme podemos inferir em Isaías 1:22. 

Fica difícil para os que dizem que o vinho da bíblia não possui teor alcoólico sustentar essa posição quando nos deparamos com passagens como Salmos 104:15, que faz alusão ao efeito de contentamento do consumo de bebida alcoólica, ou Provérbios 31:6, que recomenda vinho aos amargurados de espírito.

O vinho é vinculado também à tratamentos médicos (1 Timóteo 5:23), como antisséptico ou lenitivo para dores estomacais.

E, para os que dizem que o vinho é algo proibido, abordando a bebida como uma espécie de coisa impura e do diabo, tal posição carece de fundamento quando vemos a bebida ser oferecida nas ofertas ao Senhor, como em Êxodo 29:40 e Números 15:5.

E qual o erro dos proibidores?

Das três posições, eu consideraria a dos Proibidores a única incorreta. Afirmar que a Palavra proíbe o consumo de bebidas, diante de todas as informações acima é ir além do que a Palavra nos ensina. A Palavra de Deus é: inerrante, autoritativa e condena expressamente o abuso do álcool.

Se a Palavra de Deus não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, ao afirmar o contrário, o cristão coloca em xeque a inerrância das Escrituras, visto que dispensa tratamento diverso ao assunto, como se Deus houvesse errado ou se omitido ao não proibir o consumo. Também afronta a autoridade das Escrituras, ao impor a própria autoridade sobre a de Deus, impondo uma regra de fé e prática que a Palavra não exige, em semelhança aos líderes judeus que impunham a tradição.

Em passagem alguma vemos uma ordem para que o cristão em nenhuma hipótese beba vinho! A Palavra não condena o uso, e sim o abuso do consumo de bebidas. 

Como argumento, peguemos os versículos de I Timóteo 3 e Tito 1, que traz como requisito que o candidato "não seja dado ao vinho". Essa expressão vem da palavra paroinos, que pode ser traduzida como "colocar-se ao lado", ou seja, dizia respeito ao homem que sentava-se junto ao odre pra beber, de forma que seu copo estava sempre cheio e sua tendência era embriagar-se. 

O abuso do álcool usurpa a consciência e discernimento do homem, que precisa estar no controle de suas faculdades. Um bêbado se entrega às paixões e não discerne sequer a própria vontade! Quem dirá a de Cristo então? Falta-lhe lucidez e domínio próprio! Por esses e outros motivos, a embriaguez é condenada por Deus!

Ah, Pedro, mas o vinho era misturado com água!

De fato era! Pisado no lagar e desidratado até virar uma pasta, que era diluída em água para o consumo! Isso é verdade! Mas quem disse que isso tira o teor alcoólico de uma bebida?

A verdade é que TODA BEBIDA É MISTURADA COM ÁGUA! Toda bebida alcoólica leva água na composição, o que muda é a concentração de álcool!

A Escala Gay Lussac é responsável por determinar o teor alcoólico de uma bebida, medindo-se a razão de mililitros de álcool por 100ml da composição.

Só a título de exemplo, a cada 100ml de água na cerveja, há entre 5% a 9% de álcool! A aguardente tem entre 38% a 54%; a cachaça tem 38% a 48%, e por aí vai!

Mas e o vinho? O vinho tem entre 11% a 14% de álcool! Sobre a alegação da pasta ser diluída em água, cumpre ressaltar que dependendo do grau de diluição, as vezes o vinho não chegava nem a 3% de teor alcoólico! Mas mesmo assim, não dá pra dizer que não tinha álcool! Daí se entende a expressão "dado ao vinho" com mais clareza! Pro cara se embriagar com um vinho bem diluído, ele tinha que beber muito, ou seja, sentava-se junto ao vinho!

Caso semelhante no nosso tempo, quando a Ambev foi multada por dizer que sua cerveja Kronenbier era sem álcool, só por estar abaixo do percentual adotado para considerar uma bebida como alcoólica, mas havia uma porcentagem de álcool ainda menor que a deste vinho muito diluído!

E qual o dilema dos Moderados?

Eu não posso afirmar que os moderados erram, mas posso afirmar que eles vivem em grande dilema, de forma que ainda creio que a abstenção é o melhor caminho. Primeiro pela facilidade de se embriagar que nós temos hoje em dia, pois, como vimos acima, a bebida alcoólica que a Palavra apresenta é bem diferente da que temos hoje em dia! São bebidas com até o triplo do teor alcoólico dos vinhos e licores. A lógica é que bebidas mais fortes embriagam mais rápido!

Fica muito difícil apurar o momento em que a embriaguez torna-se um problema, visto que não há um parâmetro objetivo para dizer "Eu estou embriagado", bem como haver fatores externos que dificultam o impulso de parar, como por exemplo, o sabor da bebida; e fatores que facilitam a embriaguez, como consumir a bebida em jejum; e fatores biológicos como sexo (as mulheres ficam bêbadas mais rápido), idade ou ser obeso ou estar acima do peso.

Ainda tem o dilema jurídico! Quando a embriaguez é pecado, se, juridicamente falando, os efeitos do álcool como contentamento e relaxamento citados alguns parágrafos acima podem pressupor o primeiro estágio da embriaguez?  Nas aulas de Direito Penal, a fim de trabalhar a embriaguez como excludente de culpabilidade, minha querida professora me apresentou uma comparação antiga, onde três estágios da embriaguez são representados por três animais!

Segundo a comparação, o primeiro estágio é a euforia, representada pelo macaco, em razão de ser um animal saltitante e hiperativo, que representa o homem no início da embriaguez, quando fica eufórico, alegre e brincalhão! Neste estado, ele ainda conserva a sua consciência, mas já está sob os efeitos do álcool! Nossa tendência é considerar a embriaguez apenas a partir do segundo estágio, representado pelo leão, para retratar as mudanças temperamentais geradas pela bebida, por ser a fase, por exemplo, onde, já não tendo domínio de suas faculdades, o homem torna-se agressivo e suscetível. O terceiro estágio então nem se fala! Representado pelo porco, o homem já está na lama! Diz respeito ao ápice da embriaguez, caracterizada pela inconsciência e perda total das faculdades!

Ora, se para medicina legal e para o Direito os efeitos do álcool na primeira fase da embriaguez e antes dela são os mesmos, como posso saber se já não estou embriagado, ainda que consciente?

Outro dilema seria o escândalo, hipótese na qual Paulo apresenta o princípio da abstenção para não contaminar a consciência de irmãos considerados mais fracos. Ao abordar o consumo de carne sacrificada a ídolos, Paulo informa para os irmãos que têm consciência de que comer ou não não fará diferença, mas, se um irmão fraco ver o consciente comendo e isso lhe for razão de escândalo, isso se torna um pecado contra Cristo (I Coríntios 8). Assim como a carne, se a bebida escandalizar meu irmão, o correto é que eu não beba mais.

Uma forma apresentada pelos moderados de evitar essa abstenção é o consumo de bebidas em casa, sozinho ou com outros irmãos também moderados, para não haver o risco de um irmão fraco passar e ver!



O que seria a potencialidade negativa para um Abstêmio?

Como um abstêmio, além da questão do escândalo, eu, Pedro Silva Drumond, peco contra minha consciência se consumo álcool, pois, embora saiba que não é proibido, não me sinto bem, por ligar a bebida ao meu velho homem. Logo, se não peco contra a consciência de outrem, peco contra a minha.

Além disso, o consumo alcoólico é potencialmente lesivo, se considerarmos o risco de alcoolismo, e do ponto de vista médico legal, o aumento das possibilidades de cometer-se um ilícito penal sob efeito da bebida.

Outrossim, fica muito complicado você mostrar para um homem que a vida toda foi alcoólico, e que quer lutar por amor a Cristo e renovação de vida, que o consumo de álcool é lícito. É como colocar um hipocondríaco perto de uma bula de remédio e pedir para ele não ler! Esse homem precisa encontrar na igreja o que não encontrou no mundo, e não o contrário!

E por incrível que pareça, ainda temos que lidar com a ideia de falsa aceitação e tolerância ao mundo que o consumo de álcool propõe, quando na verdade este mundo e seus ideais não tem conformidade com os nossos! Só como exemplo, minha maravilhosa e incomparável mãe (os elogios são porque sei que ela vai ler e depois reclamar que falei dela) que, ao receber uma garrafa de cerveja artesanal que comprei para ela experimentar, pois sabia que ela gostava, quis logo postar nas redes sociais da seguinte forma: "Presente do meu filho crente", no sentido de que as pessoas me vissem como um cara tolerante, mas que também poderia ser mal interpretado como um cara anuente! Para mim foi uma lição de que eu não sou apenas filho, ou estudante, ou homem simplesmente; eu sou cristão! Filho cristão, estudante cristão, trabalhador cristão, homem cristão. Tudo que eu fizer, por mais inocente que seja aos meus olhos, vai refletir na forma como o mundo verá o cristianismo!

Além disso, eu também vejo um padrão no qual homens separados para Deus deveriam se abster do vinho, ainda que em caráter temporário! É o caso dos nazireus (Nm 6:2-6), sacerdotes em exercício (Lv 10:8-11), reis (Pv 31:4-5) e mesmo o caso de João Batista (Lc 1:15), Estes homens não deveriam consumir bebida alcoólica, e eu, como embaixador de Cristo, separado para Deus, missionário em tempo integral (tudo fora da igreja é um campo missionário), tenho essa regra para mim não como um peso da lei, mas como uma decisão de amor à Deus e ao meu próximo.

Conclusão

O consumo de bebidas alcoólicas não tem proibição na bíblia, recomendando-se moderação caso opte por beber. Há, ainda, recomendações para não consumir, se isso for escandalizar seu irmão e ser causa de tropeço para ele! Considerando todos os contras do consumo de bebidas, opto pela postura de abstenção.

Observação:

Consumir bebidas alcoólicas aumenta as chances de ouvir Pablo, Maiara e Maraísa ou Wesley Safadão, e, por mais esta razão, não recomendo o consumo de bebida alcoólica!

Eeeeeeh sofrência!!!


sábado, 7 de abril de 2018

Algumas considerações em João 1

Lendo João -  capítulo 1 é possível identificar três questões centrais:

1 - Jesus Cristo (Jo 1:1-5 e 32-34):

O Evangelho começa falando de Jesus, não só como aquele que inicia a vida cristã do homem, mas como aquele que é o princípio de todas as coisas, e sem o qual nada teria sido feito!

O Evangelho de João centraliza sua mensagem em Cristo, e não só no ministério de João, trazendo o foco inicial para a realidade de que Jesus é o Verbo.

Neste caminho, João busca esclarecer não apenas que Jesus estava presente no princípio, como também era Deus.

Informa que Jesus é aquele que dá vida ao homem, vida eterna. E essa vida eterna é a nossa luz, e sobre ela as trevas não prevalecerão.

Portanto, o Evangelho é pregar sobre Jesus! Ele tem que ser o centro da nossa mensagem pregada a vivida! O centro de tudo é Jesus Cristo!

2 - O testemunho de João Batista (Jo 1:6-34):

João dá seu testemunho sobre Cristo quatro vezes só no primeiro capítulo, abordando Jesus como o Verbo que se fez carne.

Apresenta Jesus como aquele a quem o mundo não conheceu, ainda que tivesse sido criado por Ele. Como o unigênito do Pai, que dá ao homem que crer o poder de ser filho de Deus. Como aquele que dispensa graça aos homens!

João testifica que batiza com água para o arrependimento, mas que o Cristo viria após ele, e que diante de Jesus ele era indigno de desamarrar suas sandálias.

Testifica também que Jesus é aquele que tira o pecado do mundo! Apresentando-o como o Cordeiro de Deus, anuncia a expiação do pecado na carne de Cristo.

João não se ensoberbece, e nem perde o foco. Ele não toma para si a figura de importância. Embora tivesse um grande ministério de preparar o caminho pra vinda de Cristo, não fez disso razão de exaltação própria. Pelo contrário, se coloca como pior que o mais baixo dos homens, que na época, eram os servos cuja função era tirar as sandálias dos seus senhores. Era a função mais humilhante existente.

João portanto não não eleva sua imagem aos céus, mas reduz a si mesmo como um servo que sequer seria digno de estar curvado diante do Filho, junto ao pó, tirando-lhe as sandálias! Assim como ele, não devemos nos encher de amor próprio por aquilo que fazemos, e sim reconhecer que nosso melhor ainda assim não é nada diante de Deus! Nada que o homem possa fazer tira-o da humilhação natural de ser eternamente dependente de Deus!

3 - O Chamado pra Deus

Cristo nos chama de formas diferentes. André pela pregação de João; a Felipe ordenou que o seguisse; para Natanael demonstrou seu poder. Cristo chamará aos seus, não importa a forma que usará. 

Isso nos alivia, pois sabemos que nossas falhas jamais serão razão para que um filho de Deus não encontre seu Pai (o que não significa dizer que não podemos causar embaraço na caminhada de alguém, muito menos que não prestaremos contas disso)! A eficácia do Evangelho não vem de nossa capacidade de pregação, da nossa logística, carisma e afins. Depende unicamente do chamado de Jesus, que abre olhos e ouvidos que são feitos para o ouvir!


quinta-feira, 29 de março de 2018

Devocional: Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos! (Mt 27:25)

Meu Pai, o povo clamou teu sangue!  Movidos por violenta paixão, clamaram a responsabilidade pelo teu sangue, desde que o vissem derramado!

Tua morte fora tão desejada por eles, que ofereceram sua descendência como ré junto deles, não se importando de ver seus filhos culpados e sujeitos às consequências!

Pai, eles não se oporiam a enfrentar o vingador do Teu sangue, e a este entregariam suas crianças, tamanha a vontade de ver-Te na cruz!

Ah, meu Pai! Se soubessem quão aprazível é ter o Seu sangue sobre eles, e quão abençoados serão os filhos deles se tiverem a mesma sorte! Pois Teu sangue não traz a perseguição do vingador, nem a sentença de morte da Lei.

Teu sangue derramado é a remissão no próprio crime a remir; a inocência declarada na culpa! Pai, ainda desejariam Seu sangue se soubessem o valor que tem?

Pois eu o quero, Senhor. Não amo ser culpado por ele, mas por ele ser também alvo do Teu perdão, Pai! Teu sangue que cobre meus umbrais evitando a morte eterna de minha alma, Cordeiro Santo de Deus!

Quero-o sobre mim, humilhado por saber que não pode ser de outra forma, e que nada posso fazer sobre isso! Tua morte venceu a morte! Compraste-me pelo preço imensurável do seu sangue!

quarta-feira, 14 de março de 2018

Quem são os Presbíteros?


Uma vez que defendo a necessidade do governo eclesiástico, ratifico o que declarei no artigo anterior: Se de fato necessitamos de governo, que seja amparado pela Palavra de Deus. Poder-se-ia, com o avanço da igreja, abordar os líderes com previsão na Palavra de Deus, e aqueles que a igreja inseriu no curso da sua história, como consequência lógica do seu avanço e mudanças sociais.

            Começando pelos oficiais previstos na Palavra de Deus, o primeiro que abordarei nos próximos artigos será o Presbítero. Os presbíteros são aqueles que tem como função dirigir, surpervisionar e cuidar da igreja por amor à Deus e ao próximo, nos termos de I Timóteo 5:17 c/c I Timóteo 3:4-5, que transcrevo abaixo:

Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. [grifo próprio]
(I Timóteo 5:17)

... e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);[grifo próprio]
(I Timóteo 3:4-5)

            É certo que a palavra “presbítero” é sinônima de outras duas: bispo/superintendente (episkopos) e pastor (poimen). Temos um exemplo do uso do termo bispo no texto de I Timóteo 3:2, quando se declara que é necessário que “o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Já o termo pastor ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em Efésios 4:11:

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres

            Há na passagem acima uma discussão acerca dos termos pastores e mestres, quanto a hipótese de tratar-se de pastores-mestres. A discussão seria em torno da possibilidade de “poimenas kai didaskalous” não trazer a ideia de um chamado diferente (um para pastor e um para mestre), mas de um aspecto do chamado do pastor. Neste último caso, o pastor seria o responsável pela condução e ensino do rebanho, sendo certo que, ao analisarmos a construção da sentença do versículo 11, fica evidente que se fosse intenção de Paulo abordar dois chamados diferentes, bastaria manter o uso de “outros para”, ainda que alguns possam argumentar a supressão da expressão. Não arrisco a explorar mais a questão, pois está além dos meus conhecimentos.

            Não se tratam de ofícios diversos, visto que as atribuições dos bispos, pastores e presbíteros são as mesmas, havendo, ainda, a ordem de Pedro para que os presbíteros pastoreiem o rebanho de Deus que havia entre eles (1 Pedro 5:2). São, portanto, sinônimos, cujo uso de um ou outro termo ressalta uma característica mais evidente do mesmo.

            Outro argumento favorável está ligado ao uso do termo pastores-mestres abordado anteriormente. Se o pastor tem o dever de ensinar ao seu rebanho, podemos corroborar tratar-se de outra nomenclatura para presbítero, visto que entre as características deste está a aptidão para o ensino (I Timóteo 3:3,8 e Tito 1:7).

            Ainda sobre o governo da igreja por parte dos presbíteros, basta uma análise na Palavra de Deus para se chegar a conclusão de que o modelo de governo bíblico é aquele que possui vários presbíteros liderando a igreja que os elegeu (Atos 14:23 c/c Atos 20:17 c/c Tito 1:5). Veja que no texto de Tito 1:5, a razão de Paulo deixar Tito em Creta é, entre outras, para que este estabelecesse os presbíteros de cidade em cidade! Colocando em termos atuais, de igreja local em igreja local. As vantagens da pluralidade de presbíteros são, entre outras:

1 - Exercício do Sacerdócio Universal de Todos os Santos

            Uma equipe de presbíteros é uma forma eficaz de exercer o sacerdócio universal em favor da edificação da igreja, visto que homens com virtudes e peculiaridades exerçam os dons diversos (ou mesmo iguais) que receberam do Senhor, contribuindo para melhor decisão para coletividade.

2 - Unidade de Pensamento

            Uma equipe de presbíteros pode evidenciar aquilo que o Espírito Santo tem a dizer para a comunidade, visto que nosso Pai não é Deus de confusão, e naquilo que dois ou três presbíteros vierem a concordar, a chance de haver erro de direção é menor. Evita-se, ainda, que haja uma liderança déspota e antibíblica.

3 - Uma igreja sempre pronta

            Podemos falar, ainda, de uma liderança com uma agenda flexível, que garanta que haja sempre a possibilidade de atender as demandas da comunidade local, bem como que os presbíteros apoiem-se uns aos outros nas tentações e dificuldades da vida e ministério.

4 - A igreja cresce com as gerações

            Ressalto também a possibilidade de que haja observância da perspectiva de diversas gerações diferentes, podendo haver no corpo de presbíteros a voz do presbítero mais moço, com aquele que poderia ser considerado um ancião na comunidade. Isso é positivo para que a igreja não fique estagnada, e acompanhe as mudanças que o tempo carrega em seu bojo.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sendo direto: O Evangelho não é sobre você.

"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo."
1 Coríntios 11:1

Só uma breve reflexão sobre as palavras de Paulo à Igreja de Corinto. Paulo não queria ser imitado por ser Paulo, e sim por ser imitador de Cristo! Mas no fim das contas, não é Paulo a ser imitado de qualquer jeito, visto que Cristo já fora crucificado e sentara à destra do Pai? Não! 

É importante não esquecer isto: O Cristo de Paulo deve ser imitado quando olhamos para ele. Paulo não nos aconselha a o imitarmos por ser ele uma espécie de super-homem. Ele nos aconselha a o imitarmos por ser ele um imitador de Jesus. O foco é Cristo!

Não somos salvos (através de Cristo) por adquirir qualquer espécie de upgrade espiritual, que nos torna uma espécie de homem evoluído. Na Redenção não somos melhorados. Somos destruídos pela Palavra e feitos vasos novos por Deus. Não há conserto, remendos nas rachaduras ou revestimento.

Somos salvos inteiramente pela Obra Expiatória de Cristo, pela plenitude da Sua humanidade e Sua divindade, pelo seu sangue derramado, pela Sua cruz, por Sua humilhação e Sua exaltação. Cristo salva homens de sua desgraça iminente, por ser Ele Deus e homem, o que garante a efetividade do seu sacrifício. Cristo faz o que nossa humanidade não nos permite fazer.

O Evangelho não é um chamado para uma busca incessante pelo sucesso e ascensão moral. É um chamado para olhar para Cristo e amá-lo. É um chamado não para a independência, e sim para dependência. Não é a busca pela liberdade, e sim pela servidão! Servir Cristo, servir os homens! A Palavra não fala do quão bons podemos ser, e sim da infinita bondade de Deus, mesmo diante do nosso pior, pois nos amou mesmo quando ainda éramos seus inimigos, e ainda hoje nos perdoa todas as ofensas! 

É o grande contraste do homem caído e do Deus infinitamente misericordioso. O imperativo não é ser um homem melhor, e sim ser imitador de Cristo. É o dilema da moral perfeita e a incapacidade de alcançá-la por esforço próprio. Alcance-a, portanto, olhando pra Jesus e clamando Seu auxílio, e não olhando para si mesmo!

O foco do Evangelho é falar sobre quem é Jesus Cristo e o que Ele fez por nós; o foco nunca foi o que somos capazes de fazer (ainda que em nome de Deus), e sim o que Cristo foi capaz! 

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...