sábado, 3 de março de 2018

Billy Graham - O Embaixador vai para casa.

Se você é cristão, é bem provável que uma notícia tenha preenchido sua timeline do Facebook: A morte de Willian Franklin Billy Graham, em 21 de fevereiro de 2018, aos 99 anos de idade. Embora não tenha completado seu centenário, podemos afirmar sem qualquer hesitação que foi um grande Embaixador de Cristo no século XX, responsável por levar a mensagem da Cruz de Cristo a milhares de pessoas. 



Billy Graham foi ordenado pastor em 1939 pela Igreja Batista Peniel, em Palatka. É certo que nesta época não tinha nem anseio, e muito menos ideia de que pregaria para multidões de pessoas. Levou sua mensagem de que só Jesus Cristo pode resolver os problemas do mundo da Carolina do Norte ao Palácio de Windsor, onde foi ouvido pela rainha Isabel II e o príncipe Filipe.

É certo que o pregador viveu numa época conturbada para a história da igreja e do mundo, qual seja, o período da Segunda Guerra Mundial. Período no qual  o Liberalismo, a Teologia do Evangelho Social e sua tese de um evangelho simples (onde o Reino de Deus seria uma realidade política e social a ser construída pelos próprios homens) foi duramente questionada, visto que o horror da guerra ia de encontro tais expectativas na suposta bondade e nos esforços humanos.

O mundo viu e viveu  a falha da capacidade do homem diante da sua natureza pecaminosa, a qual os conduzia à guerra e dissensão, morte e horrores. O Senhor levanta Billy Graham e uma geração de fundamentalistas (o termo não é pejorativo, mas diz respeito a ligação de tais teólogos com os ensaios teológicos sob o título The fundamentals: a testimony to the truth/ Os fundamentos: um testemunho da verdade) para apresentar ao mundo o Evangelho centrado no Reino de Deus e na salvação por Jesus Cristo.

Graham foi, portanto, um dos grandes evangelistas responsáveis por anunciar Cristo para um mundo que acreditava ter sido abandonado por Deus. Anunciar que a paz só poderia ser trazida por Cristo, e não por líderes ou soldados. Foi neste contexto, que por duas vezes Billy Graham lotou o estádio do Maracanã, sendo certo que em sua segunda vinda, dentro de quatro dias mais de 615.000 pessoas foram edificadas pela Palavra.



O Brasil não foi o único país a recebê-lo, e através da Associação Evangelística Billy Graham, a Palavra foi pregada por todo o mundo, fosse por cruzadas evangelísticas ou por meios de comunicação.

Graham fora tão influente na sociedade norte-americana, que foi o quarto cidadão comum a ser velado com honras no Capitólio, local reservado líderes políticos e militares. Foi conselheiro de diversos presidentes americanos, e seu velório foi acompanhado pela presença do Presidente Donald Trump, que o homenageou.

É por esta razão que Billy Graham é considerado o maior pregador do século XX, deixando-nos não apenas um acervo de dezenas de obras, programas gravados e sermões no YouTube, como também um exemplo de amor à Deus, influência no mundo, e tentativa de trazer a Paz não mediante o esforço humano, mas mediante a Cruz!!!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sendo direto: O Evangelho não é sobre você.

"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo."
1 Coríntios 11:1

Só uma breve reflexão sobre as palavras de Paulo à Igreja de Corinto. Paulo não queria ser imitado por ser Paulo, e sim por ser imitador de Cristo! Mas no fim das contas, não é Paulo a ser imitado de qualquer jeito, visto que Cristo já fora crucificado e sentara à destra do Pai? Não! 

É importante não esquecer isto: O Cristo de Paulo deve ser imitado quando olhamos para ele. Paulo não nos aconselha a o imitarmos por ser ele uma espécie de super-homem. Ele nos aconselha a o imitarmos por ser ele um imitador de Jesus. O foco é Cristo!

Não somos salvos (através de Cristo) por adquirir qualquer espécie de upgrade espiritual, que nos torna uma espécie de homem evoluído. Na Redenção não somos melhorados. Somos destruídos pela Palavra e feitos vasos novos por Deus. Não há conserto, remendos nas rachaduras ou revestimento.

Somos salvos inteiramente pela Obra Expiatória de Cristo, pela plenitude da Sua humanidade e Sua divindade, pelo seu sangue derramado, pela Sua cruz, por Sua humilhação e Sua exaltação. Cristo salva homens de sua desgraça iminente, por ser Ele Deus e homem, o que garante a efetividade do seu sacrifício. Cristo faz o que nossa humanidade não nos permite fazer.

O Evangelho não é um chamado para uma busca incessante pelo sucesso e ascensão moral. É um chamado para olhar para Cristo e amá-lo. É um chamado não para a independência, e sim para dependência. Não é a busca pela liberdade, e sim pela servidão! Servir Cristo, servir os homens! A Palavra não fala do quão bons podemos ser, e sim da infinita bondade de Deus, mesmo diante do nosso pior, pois nos amou mesmo quando ainda éramos seus inimigos, e ainda hoje nos perdoa todas as ofensas! 

É o grande contraste do homem caído e do Deus infinitamente misericordioso. O imperativo não é ser um homem melhor, e sim ser imitador de Cristo. É o dilema da moral perfeita e a incapacidade de alcançá-la por esforço próprio. Alcance-a, portanto, olhando pra Jesus e clamando Seu auxílio, e não olhando para si mesmo!

O foco do Evangelho é falar sobre quem é Jesus Cristo e o que Ele fez por nós; o foco nunca foi o que somos capazes de fazer (ainda que em nome de Deus), e sim o que Cristo foi capaz! 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O que dizer sobre... Crime e Castigo

Finalmente concluí a leitura do livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski!!! Tentei ler a primeira vez aos 17 anos de idade, e parei porque os passeios em meio aos delírios e loucura do protagonista logo nos primeiros capítulos quase me levaram a loucura também. Respirei algum tempo (mais exatamente 6 anos) e recomecei a leitura.

Uma cena digna do filme "Abraham Lincoln - O Caçador de Vampiros".

Li uma tradução da Editora Martin Claret que havia aqui em casa, independentemente das discussões envolvendo a editora, e até onde eu sei esta obra não está elencada entre as obras citadas nas ações judiciais e discussões. É uma versão de bolso (embora eu questione bastante qual bolso eles usaram como critério, pois nada no meu armário comporta o livro) com uma capa bem desenhada, que por algum motivo me fez lembrar do poster de Homem de Ferro 3.

Há semelhanças sim!

O livro aborda o crime cometido por Raskolnikóv (segundo a Nota do Tradutor, um nome em cuja etimologia encontra-se a palavra raskol, cisão, simbolizando o caráter cindido e atormentado do personagem). E aqui começa uma questão muito interessante, que seria qualificar o crime cometido.

Quando lemos o crime cometido com olhos da lei, estamos diante da prática de um latrocínio (Art. 157, §3º do Código Penal). Dostoiévski nos apresenta um assassinato de uma velha usurária, por um estudante, com o objetivo de roubar os objetos empenhados e o dinheiro da mesma. Entretanto, mais a frente descobrimos que este não foi o real motivo do crime, e o homicida queria apenas comprovar uma tese formulada por ele em um artigo que escrevera na universidade (discutiremos isso mais tarde).

Os verdadeiros crimes de Raskolnikóv foram um Homicício Duplamente Qualificado (por traição e motivo fútil) com Causa de Aumento de Pena por tratar-se de pessoa idosa, referente à velha usurária; e um Homicídio Qualificado por assegurar a impunidade do homicídio anterior, no que diz respeito à Lasivieta. Muda alguma coisa ser latrocínio ou homicídio? Sim!!! É a diferença entre ter um ladrão disposto a qualquer coisa e um assassino: um tem objetivo de roubar a qualquer custo, o outro só quer matar mesmo. Sinceramente não conheço a legislação penal aplicável em São Petersburgo ao tempo do livro, mas foi bastante interessante analisar com as lentes da legislação penal brasileira (o que inclusive ajuda a compreender o personagem um tanto mais).

Os cenários são bem descritos (do jeitinho que só Dostoiévski faz), de forma que você consegue se sentir abafado pelos ares de uma São Petersburgo suja e quente, e até mesmo sentir-se enlouquecer de claustrofobia no pequeno apartamento de Raskolnikóv. As narrativas do atropelamento de Marmeladov e da loucura de Ekaterina por pouco fizeram-me chorar.

As capas da Martin Claret trabalham com a desnecessária possibilidade de você não compreender a narrativa do autor.
A riqueza da narrativa de Dostoiévski não se restringe à descrição dos cenários, pois não perde qualidade quando diz respeito à construção dos fatos e personagens. Por exemplo, é absurdo como é possível sentir os calafrios de Arkádi pelo vento frio da tempestade, ou mesmo o seu terror no pesadelo da menina promíscua ou no dos ratos que subiam em seu corpo.Não tem jeito de não acabar imerso nos delírios e no ego de Raskolnikóv e gozá-los como se fossem seus, o que se torna contraditório, na medida em que é possível saudar o brilhantismo de Porfíri em cada investida realizada contra o homicida. Os crimes no começo do livro passam como um filme na cabeça do leitor!

Raskolnikóv foi muito bem construído, de forma que eu tentei ler um TCC de psicologia que abordava a temática do livro pra tentar compreendê-lo (não entendi nada do texto e desisti).Um personagem que oscila entre uma grande culpa (que nem ele mesmo sabe explicar) e um exacerbado amor próprio, e que delira a todo momento. Há de se considerar, ainda, a doença nervosa que praticamente colocou sobre si as suspeitas da autoria do crime. Não obstante todo o cuidado para não ser visto, e desconsiderando o amadorismo no crime, foi um desmaio dentro do comissariado de polícia que chamou a atenção para si.

O personagem é afligido no livro por momentos de extrema lucidez alternados por delírios, nos quais ele sequer se recorda de como chegou à determinados lugares. A expectativa de ser descoberto a qualquer momento leva Raskolnikóv à perambular pela cidade escondendo os vestígios do crime, tomado por um vigor violento, mas, logo que exposto ao ambiente externo do seu apartamento, sua energia se esvai com tamanha intensidade que chega mesmo a dormir na relva.

A escolha do título assenta muito bem com o dilema vivido pelo assassino, visto que, ainda que faltassem provas da autoria do crime, Raskolnikóv expõem-se de tal maneira, que em pouco tempo Porfíri já não duvidava dele. Situações como confessar o crime à um policial dentro de uma casa de chá, os embates do Porfíri, visitar o local do crime após uma informação dada pelo próprio comissário de polícia, e lá questionar acerca do sangue no chão (o stress o levou a tal delírio). Nestes momentos, Raskolnikóv goza pela ausência de indícios de autoria que o vinculem ao crime praticado, e até mesmo desafia os comissários a pegá-lo. Raskolnikóv triunfa sua capacidade de dissimular culpa, inocência, doença e até mesmo loucura.

Em contrapartida, há momentos no qual o personagem se torna taciturno e sente o peso de uma culpa que ele mesmo não consegue explicar. Ainda que alegue que seu grande descontentamento é ter hesitado na prática do crime, de forma que não poderia ser considerado um homem extraordinário, Raskolnikóv evidencia uma culpa que, não assumida pela sua razão (amante de si mesma) é carregada por um senso de moralidade contra o qual luta a todo instante. Podemos usar como exemplo que, após socorrer Marmeladov e ter o sangue deste na sua roupa e ser informado disto, toma um ar mais sério e declara que realmente ele está todo coberto de sangue, o que é uma clara reflexão sobre os assassinatos. Ou quando declara que não foi a velha que ele matou, e sim a si mesmo.

Raskolnikóv inconscientemente sente necessidade de ser remido pelo seu crime (visto que conscientemente ele considera que não pode ser considerado criminoso por ser extraordinário), e, em momentos como estes, dá todo o dinheiro que tem à uma viúva ou tenta impedir uma mulher embriagada de ser molestada por um homem que a seguia. Raskolnikóv tenta, a todo momento provar que não estava errado, ao tentar fazer do mundo um lugar melhor.

Agora o crime!!! Não, Raskolnikóv não sentiu fome e roubou para comer! Ele matou porque se considerava superior! Como assim? Na universidade Raskolnikóv escreveu um artigo no qual apresentava uma tese na qual afirmava que há homens ordinários e extraordinários, e que estes últimos estão acima da lei, reformulando-as ou ignorando-as para mudar o mundo. Usa como um dos exemplos Napoleão e todas as mortes vinculadas ao mesmo, que, ao invés de lançar sobre ele o estigma de assassino, são celebradas junto com suas vitórias civis.

Ocorre que Raskolnikóv considera-se um desses homens, e a fim de comprovar sua tese, planeja assassinar a velha usurária e usar o seu dinheiro para custear a sua ascensão, não por necessidade financeira, mas por recusar-se ser considerado um dos homens comuns, aos quais todas as leis são imputadas. Raskolnikóv mesmo admite isto, comparando-se com Razumikhim, um exemplo de esforço e juízo (menos quando está bêbado). A própria situação financeira de Raskolnikóv é questionável, visto que o mesmo poderia dar aulas para custear seus estudos, optando, em sentido contrário por ficar deitado em seu divã durante dias, apenas pensando e sem vontade alguma de trabalhar. Somos apresentados à um Raskolnikóv ainda mais doentio: diferente de um homem que matou por dinheiro, um homem que matou por matar. Não há como negar este fato, na medida em que durante toda a narrativa não há um momento no qual o assassino pense em usar o fruto do roubo (não por medo ser pego, ele simplesmente não pensa no que roubou), não tendo sequer abrido as bolsas para saber o que tinha dentro.

Raskolnikóv sendo um dos homens extraordinários do mundo.
Os personagens secundários e suas histórias não deixam a desejar. Em alguns momentos, os dramas secundários chegam a ser mais intensos que o principal! Histórias bem construídas e vinculadas. Personagens com os mais variados perfis. Meu destaque vai para Porfíri, com jogos psicológicos e artimanhas dignas do "L" e Kira de Death Note! Aliás, acredito que Tsugumi Ohba tenha realmente lido Crime e Castigo... É muita coincidência mais alguém criar um estudante homicida e genial (sim, não nego que Raskolnikóv é de certa forma um gênio) e um policial igualmente genial, que já tem o assassino antes da evidência.

Porfíri e Raskolnikóv.


No fim, o personagem só encontra a paz de espírito que tanto ansiava no amor de Sônia, filha de Marmeladov, que o seguiu até a Sibéria, local no qual cumpria a pena pelo crime. Aliás, foi por esta mulher que ele se entregara à polícia, visto, não obstante Porfíri descobri-lo, houve um terceiro que por motivos de autopenitência confessou o crime no momento em que Raskolnikóv seria preso (após uma maravilhosa tortura psicológica). De fato, é compreensível que a única coisa forte o suficiente para transpor o amor próprio (que no caso de Raskolnikóv é o que impede sua reabilitação e superação da culpa) é o amor a outra pessoa. Ir para a Sibéria punir seu corpo pelo crime cometido não surtiu nenhum efeito até o amor por Sônia rasgar sua alma, momento no qual ele encontra redenção.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Evangelho de Temporada: Como o Carnaval desperta o zelo que falta o ano todo.

Não, eu não vou defender cristãos que neste momento estejam em alguma festinha de carnaval de bairro, ou em algum grande bloco. Já deixo claro meu posicionamento: UM CRISTÃO NÃO FESTEJA CARNAVAL.



Entretanto, refleti bastante nessa minha posição (que é a de outras milhares de pessoas) por uma nova perspectiva! O feed de notícias do meu Facebook tem algumas postagens e tirinhas sobre quem estar no carnaval não ser cristão (e eu mesmo postei uma delas), e parei para pensar até que ponto isso é coerente.

Comecei a refletir sobre o que chamo "Evangelho de Temporada", que é a proclamação de condutas cristãs que o próprio denunciador não aplica durante todo o resto do ano. 

A grande questão a refletir, é se tudo que a gente critica no carnaval, de certa forma nós mesmos não praticamos no nosso dia a dia.

"Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem;
Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.
Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais"
1 Coríntios 5:9,11

Denuncia-se o uso de fantasias com o intuito de atrair a atenção dos outros e mascarar sua verdadeira identidade. Mas nós mesmos não temos nas fileiras das nossas igrejas gente que se fantasia de "crente" diariamente e pratica coisas ainda piores do que pessoas que não tiveram contato com o Evangelho? Sim, Paulo denunciou isso na igreja de Corinto, e a situação ainda não mudou! Temos gente que diz "Senhor, Senhor" sem de fato o ter conhecido, seja para ser adorado por outros, seja para que os outros não vejam o tamanho das suas iniquidades!

Denuncia-se a "pegação" durante a temporada de Carnaval, mas temos jovens na igreja que fazem pegação o ano todo, as vezes descaradamente, as vezes até mesmo com a chancela da família e/ou comunidade de fé. Como? Simples: Aquele jovem que namora muito e, apenas depois de começar a namorar, descobre não ser "a vontade de Deus"! E isso se repete.... e se sucede... e se repete de novo... Isso não é um relacionamento passageiro? Esse jovem está errando o alvo, ou simplesmente satisfazendo a vontade de se relacionar com determinada jovem? E sim, isso vale pras meninas também.

Denuncia-se lascívia, concupiscência da carne e dos olhos, imoralidade... Mas não temos também pessoas com olhos maus, desejos pecaminosos e acesso à pornografia? Sim, nós temos! Isso não acontece só no Carnaval!!!

Não estou defendendo e apoiando o que ocorre nessa semana. Apenas levanto a reflexão sobre até que ponto nossas críticas são coerentes! E mais!!! Os que estão pulando Carnaval são os "deste mundo", e pra eles não há uma vontade de Deus para zelar! Estou apenas levantando a questão de que denuncia-se muito o pecado de ímpios durante a semana de Carnaval, e as vezes não fazemos isso com os pecados da igreja (ou do mundo mesmo) durante o resto do ano!!!

Nossa preocupação deve ser sim denunciar os pecados deste mundo, não nos conformando com eles (Romanos 12:2), mas deve ser principalmente mantê-los fora da igreja, como representante visível da igreja invisível! Não adianta dizer pra um homem que tem um cisco no olho dele, se no nosso tem uma trave inteira (Mateus 7:1-5)! 

Que sejamos capazes de ser zelosos, piedosos e denunciadores do pecado durante todo o nosso ano, e não apenas na temporada onde o mundo evidencia que jaz no maligno (1 João 5:19).

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

As declarações que ninguém lê.



Todos os dias milhares de pessoas postam declarações para os seus amores em postagens de centenas de páginas de uma dúzia de redes sociais!

Eu me surpreendo como passo dias sem ter o que escrever, e de repente vejo uma imagem postada em uma página de conteúdo romântico, e pessoas marcando seus pares, e, não contentes com o teor da imagem (que geralmente se resume à uma frase em letras redondas num post-it inserido  colado em  uma paisagem aleatória embaçada pelo enquadramento da câmera), acrescentam algumas linhas no comentário com suas declarações de amor!

Eu reparei que jamais parei pra ler uma dessas declarações até o fim!

São as declarações que ninguém lê, ainda que não sejam anônimas! São pessoais, cheias de particularidades, e por esta razão, poucas pessoas as consideram! Mas quem se importa com isso? Elas não foram feitas para serem lidas, ainda que em páginas de redes sociais. Foram feitas para que a pessoa a quem são direcionadas leia, e saiba que há páginas que falam de amor, e que há alguém que lembra dela quando vê uma das postagens!

Só que o amor é prolixo! Ele não cabe na frase do post-it, e é preciso dizer mais! É preciso ir além, ou acreditamos não ser entendidos! Não é o comum à todos, e que se resume ao teor da postagem que você quer dizer! É o peculiar, o individual, é o que vem depois do que é comum nos amores o que a gente quer deixar claro, exatamente por considerar que não é!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Por que "Ironias do Amor" é o meu filme favorito!

Eu tenho dois filmes favoritos: "Ironias do Amor" e "Scott Pilgrim vs. O mundo"! O segundo não tem muitas razões para a escolha, a não ser o fato de que eu ainda tenho algumas raízes nerds que englobam todos os elementos do filme, desde a música ao formato gamer da história! Já o primeiro filme, eu o assisti em 2012 pela primeira vez, e tenho minhas razões para considerar este o melhor filme de comédia romântica que existe! 



Talvez vocês procurem uma sinopse do filme aí no Google, mas eu evitei fazê-lo, pois talvez parte do diferencial do filme pra mim seja a minha forma de interpretar a história. Portanto, farei a minha própria sinopse!

O filme conta a história de amor de Charlie Bellow, um estudante de administração cujo o único objetivo aparente de vida é trabalhar na empresa na qual o seu pai trabalhou a vida inteira. Charlie é um típico gentleman inglês (com direito a carregar lencinho), um daqueles caras que a gente olha e pensa: "Nasceu no século errado". Eu acabei por me identificar muito com o personagem na época que assisti o filme, em razão da simplicidade excessiva das suas posições, e uma inocência que beira a lerdeza, que podemos considerar uma falta de conhecimento próprio.

O que eu mais aprecio no personagem é a importância que ele dá à questões que atualmente são relativizadas, o que percebe-se nos primeiros diálogos do filme com seu melhor amigo Léo, no qual este questiona seu amigo sobre a importância que ele dá ao envolvimento emocional, desafiando Charlie a encontrar, no parque onde estavam, uma mulher com a qual ele dormiria sem precisar conhecer. Charlie conserva o relacionamento como algo que vai além da satisfação sexual e sentimental, de forma que não cede, ainda que constrangido por seu amigo a sentir-se um idiota por ser tão "antiquado".


E no contexto desse desafio, ele vê pela primeira vez Jordan Roark: uma bela mulher visivelmente embriagada vociferando com outro homem. Naquele mesmo dia, Charlie salva a sua vida na estação de metrô, episódio no qual ela desmaia e é "sequestrada" pelo personagem. É a partir deste momento que começa uma linda história de amor, com direito a concussões, ferimentos, destruição de uma carreira estável, um quase afogamento e outras tantas desventuras, as quais não entrarei em detalhes.






Jordan foge de qualquer clichê de personagem de filme romântico. Passa boa parte do filme embriagada, discutindo com homens e crianças, e principalmente sabotando a vida de Charlie, agredindo-o e fazendo-o passar por toda forma de constrangimento, o que inclui comentários sobre a inatividade sexual do casal na grande entrevista de emprego de Charlie. No curso do filme é normal até mesmo torcer para que os dois não fiquem juntos, por compaixão do protagonista, que em conversa com seu Léo coloca sobre a mesa o pró e contras de estar com Jordan:


"Motivos para parar de ver ela:

1 - Perigo físico eminente;
2 - Boas chances de ela partir meu coração;
3 - Ela sabota a minha carreira;
4 - Ela com certeza é louca;
5 - Parece que ela gosta de me ver sofrendo;
6 - Ela tem uma bagagem emocional que assusta qualquer um;
7 - Eu não dei nenhum beijo nela, pelo amor de Deus!
8 - Ela está arruinando a minha vida;

E os motivos para continuar vendo ela?

1 - Eu to apaixonado por ela."

Pois é gente.... Quando o amor chega não tem jeito! Essa é a beleza do filme pra mim!!!

Ele mostra que o amor não tem uma fórmula ou pressupostos. Acontece! Mostra também que as pessoas amam como sabem amar, com suas peculiaridades. Alguns gostam de ouvir música no mesmo fone, Charlie e Jordan gostam de trocar tapas na estação de metrô e dançar em lugares aleatórios. E no amor, Charlie descobre o homem que ele realmente queria ser, e não o homem que esperavam que ele fosse!

Isso fica mais evidente em Jordan, que vai além da insensibilidade provocada pelo álcool, e, embora bruta e impulsiva, o objetivo dela não é bem ferir (na verdade é sim) ou sabotar Charlie. É a forma dela de amar, ao menos no período da vida dela que está passando, o que torna tudo bonito pra mim. 


Como bom cristão protestante de pressupostos reformados eu também acho bastante legal a forma como o casal tenta entregar o seu futuro à casualidade, ao destino, tentando usar seus desencontros como um evidências de que não nasceram para ficar juntos!

Então, sem entrar em detalhes (tem que ver o filme!), apenas no final do filme é revelado como eles estavam enganados, e como cada acontecimento no filme foi para que ficassem juntos no final! Como eu disse, é uma análise pessoal, e o que eles chamam de destino, eu chamo de... Destino! Mas um destino decretado por um Deus que reina soberano sobre todas as coisas, e não por uma força natural de probabilidades.

Pra mim a relação de Jordan e Charlie mostram de maneira bastante simples como o destino é uma realidade, mas que embora predeterminado, precisava da ação dos dois. Não quero dizer que a decisão final era deles, pois não creio nisso, mas que a ação deles era necessária e consciente. É uma forma romântica pra mim de tentar ponderar os decretos de Deus e a Livre Agência do homem. Como o próprio Charlie declara, é necessário sair de casa para encontrar o seu amor!

Quando se declara no filme que destino é a ponte que se constrói até a pessoa amada, se declara nada mais nada menos que o destino é real, mas o agir é necessário para trazer aquilo que já era um decreto à realidade.

O final do filme é um divisor de águas, e também me marcou por mostrar que as pessoas são mais do que aparentam ou declaram, e dá vontade de assistir o filme todo de novo, observando cada cena com os olhos abertos pelo que é revelado pelo casal nas cartas que escrevem um para o outro!  Jordan é mais do aparenta, e Charlie só foi capaz de conhecer a mulher que ela é, porque a amou, ainda que não tivesse motivos. E eu só fui capaz de descobrir quem era Jordan porque tive a paciência de não tacar o controle na televisão com raiva dela por todo desgosto que fez Charlie suportar!

Seis anos depois, segue sendo o meu filme favorito, por mostrar que o amor é peculiar, é coisa do casal, que tem sua forma de amar, e que tudo sofre - e como sofreu! - tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1 Coríntios 13:7). É meu filme favorito por mostrar que o amor nos vira do avesso, e as vezes põe por terra tudo aquilo que tínhamos como certeza!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As igrejas locais devem proceder na exclusão de membros?



INTRODUÇÃO

O objetivo do presente artigo é abordar se há na Palavra de Deus fundamentos para exclusão de membros nas igrejas. Ressalto não possuir qualquer interesse na abordagem do assunto com objetivo de criar polêmica e dissensões nas igrejas locais.

Busco, à contrario sensu, unificar o entendimento deste aspecto da doutrina da Igreja, demonstrando não só apenas a base bíblica e doutrinária da exclusão, como também os benefícios para saúde da igreja e do pecador excluído.


FUNDAMENTOS

1º A INAFASTABILIDADE DAS ESCRITURAS

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" - 2 Timóteo 3:16-17

"... sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." - 2 Pedro 1:20-21


Considerando que no momento em que o Evangelho adquire um saber amargo, exortando o povo, homens apelam para relativização das Escrituras, sob a alegação de que o teor de determinada passagem tem aplicação restrita ao período temporal ou contexto social do povo a quem foi declarada, é de se esperar que haja quem alegue que a exclusão de membros é algo que não se aplica mais nas igrejas.

Tal alegação é descabida, em razão dos atributos do Autor das Escrituras. Deus inspirou, influenciou, soprou toda e cada palavra das Escrituras que a nós foi entregue através do Espírito Santo, de tal modo que nada se deu pela vontade ou simples cognição humana.

O autor da Palavra é Deus, o qual não mente (Tito 1:2), e no qual não há mudança ou sombra de variação (Tiago 1:17), de forma que suas palavras registradas no cânon das Escrituras são divina revelação, infalível, verdadeira e de aplicação atemporal.

A autoria humana das Escrituras não a torna relativa, em razão da ação de Deus sobre seus escolhidos, seja no falar dos profetas  ou mesmo no trabalho de pesquisa que antecedeu a escrita dos evangelhos (Lucas 1:1-4).

Alegações de membros da igreja no sentido de não aplicar a Palavra no que diz respeito a qualquer parte, sob fundamento na autoria humana (por serem os homens falíveis) são pecado, e refletem falta de conhecimento (Oséias 4:6), carnalidade (1 Coríntios 3:1) ou indisposição de renovar o mundo sendo sal e luz (Mateus 5:13-16).

Ademais, olhando para Cristo, o Verbo, que foi plenamente homem, mas sem pecado, por ser Deus; é plenamente aceitável que os verbos de Deus sejam, independente da falibilidade dos autores humanos, inerrantes e dotados de todas as prerrogativas da autoria divina.

Desta forma, se há na Palavra princípios ou estatutos acerca da exclusão de membros, aspectos humanos como sociedade e história não são suficientes para afastar a aplicação da Palavra de Deus.

2º PRECEDENTES NAS ESCRITURAS

Podemos apontar a legitimidade da igreja para exclusão de membros na existência de precedente nas Escrituras.

Paulo escreve acerca da imoralidade da igreja de Corinto em sua primeira carta, no capítulo 5, citando a existência de um homem que estava vivendo uma relação incestuosa com a esposa do seu pai (vs. 1).

Paulo aponta o estado de soberba da igreja, que não se entristeceu pelo homem cometer tal ato não ter sido tirado de entre a igreja (vs. 2)! Desta forma, o apóstolo é claro não só quanto a possibilidade, mas também a necessidade da exclusão daqueles que não se apresentam regenerados.

A presença de tais pessoas tem que causar tristeza à igreja, o que pode ser considerado uma forma de avaliação da saúde espiritual da mesma, visto que a tolerância ao membro em pecado, sem arrependimento, denuncia a soberba da igreja, seu afastamento de Deus e sua condescendência ao pecado, pois uma igreja doente não realizará tratamento radical ao pecado da membresia.

É determinado que a igreja não se associe a tais pessoas, apontando não tratar-se dos gentios, sim dos que se dizem irmãos em Cristo (vs. 9 a 11).

Infelizmente algumas pessoas recusam-se a comer com os pecadores sem Jesus, mas não deixam de comer com o dito cristão, mas que no seu interior é devasso; ou, em uma atitude mais hipócrita, mostra-se em repulsa com os pecados exteriores, mas joga panos quentes sobre os pecados cometidos pela membresia, ainda que iguais (ou mesmo piores) que o de não convertidos.

Paulo é categórico ao fim do capítulo: "... Tirai pois dentre vós a esse iníquo." (vs. 13)

3º O ENSINO DE JESUS

É preciso ressaltar que todos pecamos, das mais variadas formas possíveis. A redação do presente artigo pode se tornar um pecado para mim, se a glória de Deus, o amor ao próximo e a edificação da igreja deixarem de ser meu objetivo; a sua leitura pode ser o seu pecado, se a faz não pelo crescimento na Palavra e amor à igreja, mas a fim de atacar alguém que você nutre uma inimizade. Logo, mesmo atividades ordinárias como a leitura e escrita podem ser instrumentos do pecado.

Se todos pecamos, qual o critério adotado para exclusão de membros, sem que se haja de maneira hipócrita ou intolerante, bem como evitar acusações nestes sentidos vindas daqueles à quem a medida é aplicada?

O critério a ser aplicado é a evidente obstinação e oposição à vontade de Deus no qual não há arreprendimento constatado pela comunidade de fé, visto que o Espírito Santo que habita na congregação não é de confusão (1 Coríntios 14:33).

A presença do Espírito Santo nos dando discernimento acerca da vontade do Pai é uma realidade que se molda ao ensino de Jesus em Mateus 18:15-17, que aponta para a igreja como bússola acerca da vontade divina.

Jesus nos ensina como tratar o irmão culpado. Caso ele peque, devemos levar a questão ao irmão, de forma personalíssima, sem exposição pública. Neste caso, ganha-se o irmão, que reconhece seu erro e corrige seus passos. Caso contrário, leve testemunhas que confirmem suas acusações do pecado.

Por último, o caso é levado à igreja, e não havendo arrependimento e retratação, esta o considera como gentio e publicano, ou seja, não é um cristão, ainda que tenha composto a membresia da igreja.

Logo, a exclusão de um membro da igreja não é uma atitude discriminatória e inconsistente com o amor ao próximo, pois só ocorre após todas as tentativas de convencer o pecador da perdição dos seus caminhos.

4º A AUTORIDADE DA IGREJA

Vemos em Mateus 18:18 Jesus dar autoridade à igreja para declarar, após todas as tentativas, que determinada pessoa não é cristã, desligando-a na terra, e consequentemente no céu.

Tal autoridade não procede dos homens que compõem a igreja local, e sim de Deus e Sua Palavra. Jesus é a fonte da autoridade da igreja (Mateus 28:18-20), de forma que, a exclusão de um membro não poderá ser considerada contrária à vontade de Deus, se observar aquilo que as Escrituras ensinam, e aquilo que o próprio Filho declarou.

A exclusão é permitida para a igreja, mediante autorização daquele que é o cabeça, não admitindo-se, entretanto, que se proceda de forma diversa dos ensinos da bíblia.


APLICAÇÕES

Apresentados os fundamentos, irei não só demonstrar a licitude da medida, como também os benefícios não só para igreja, como também para aquele que sofre a exclusão.

1º Se a igreja é um corpo com diversos membros funcionando em unidade, um membro da igreja local agindo doente pelo pecado pode comprometer a saúde espiritual da igreja, como uma célula cancerígena destrói o hospedeiro aos poucos. Isto pode ocorrer de diversas formas, desde o ensino enganoso, a adesão ao pecado ou o esmorecimento de alguns membros diante da sensação de omissão e relaxamento da igreja, que morre lentamente e afastasse cada vez mais da vontade de Deus.

Embora a salvação seja individual, a edificação na vida cristã é uma tarefa comunitária (1 Tessalonicenses 5:11 e Romanos 14:19), de forma que a comunhão com um membro da igreja local que não possa ser considerado um membro da igreja universal é misturar joio e trigo, luz e trevas.

Assim, a exclusão do membro não significa que a igreja seja insensível, e sim que tem a sensibilidade de compreender que o amar ao próximo não é ser condescendente com o pecado, e que o segundo grande mandamento (amar ao próximo) não pode se sobrepor ao primeiro (amar a Deus sobre todas as coisas), anulando-o pela aceitação pública e medo de esvaziamento dos bancos.

2º A exclusão de um membro não pode ser acusada como falta de misericórdia, visto que a mesma é um favor de Deus aos homens, àqueles que tomaram a cruz como justiça e Cristo como fiador.

A igreja deve ser composta por aqueles que produzem frutos de arrependimento e que demonstram a fé em Jesus pelo observar dos seus mandamentos. A exclusão não é falta de misericórdia e amor, mas a consciência de que, como representação visível da igreja invisível, assim como no porvir os pecadores obstinados não irão compor a nova Jerusalém, tais não devem compor as galerias e assembleias das igrejas.

3º A exclusão é sempre com o objetivo de preservar, seja a igreja, seja o pecador. Paulo declara que o adúltero seja entregue para destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1 Coríntios 5:5), o que aponta para o fato de que a medida buscava preservar a alma daquele homem.

Poderíamos trabalhar com a hipótese de que a exposição e exclusão fira o ego daquele homem, e mesmo que entregue ao mundo, ao sentir falta do amor do Pai, este reconheça seu pecado e retorne arrependido, como o filho pródigo (Lucas 15:11-32). Ficam os demais membros, portanto, com a responsabilidade de estar prontos a receber o pecador de volta, sem imputar à ele o pecado passado.

4º Se tal homem não retornar à Cristo, confirma-se a Palavra, e de fato aquele sempre foi gentio, não sendo ilícita a exclusão; se tal homem retornar, também confirma-se que as ovelhas de Cristo reconhecem sua voz, e nenhuma delas se perderá (João 10:28-29).

Desta forma, conclui-se que a exclusão de membros não é apenas prevista, mas necessária para a manutenção do corpo de Cristo.

Deus seja louvado acima de tudo!!!
Pedro Silva Drumond.

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