Mostrando postagens com marcador Antigo Testamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antigo Testamento. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Panorama dos Livros da Bíblia - Antigo Testamento

Introdução

No artigo de hoje eu gostaria de dar um breve panorama sobre todos os livros do Antigo Testamento. É importante compreender um pouco do escopo geral de cada um dos livros, o que ajuda bastante na compreensão de passagens específicas, ou mesmo do contexto histórico no qual determinado livro foi escrito.

A bíblia cristã evangélica possui 66 livros, os quais são divididos em 39 livros do Antigo Testamento e 27 livros do Novo Testamento. 

Divisão do Antigo Testamento

  • Livros da Lei ou Pentateuco
  • Livros Históricos
  • Livros Poéticos
  • Livros dos Profetas Maiores: 
  • Livros dos Profetas Menores

Divisão do Novo Testamento

  • Livros Bibliográficos ou Evangelhos
  • Livro Histórico
  • Epístolas de Paulo
  • Epístolas Gerais
  • Livro Profético

O Antigo Testamento

O Antigo Testamento, embora negligenciado e muitas vezes mal interpretado, é muito útil para igreja, pois apresenta o pano de fundo histórico para compreensão no Novo Testamento e das palavras e ações do nosso Senhor Jesus Cristo.

Essa importância se torna ainda mais clara quando descobrimos que o Antigo Testamento é citado mais de 600 vezes no novo testamento, sendo muitas dessas citações feitas pelo próprio Senhor Jesus. É certo, inclusive, que muitas das palavras pronunciadas pelo nosso Salvador enquanto falava às multidões são reproduções constantes de passagens do Antigo Testamento.
  • Gênesis: significa "Começo". O livro de Gênesis narra o início de todas as coisas, com a criação dos céus, da terra, da humanidade. Também narra o início do plano da salvação, através do registro da Queda, da promessa de redenção, separação de um povo para Deus, e profecias acerca da vinda do Messias.
  • Êxodo: significa "Saída". O livro de Êxodo narra a saída do povo hebreu do Egito em direção ao Monte Sinai, onde receberam as tábuas da Lei.
  • Levítico: o livro dos levitas, dos sacerdotes. Logo, Levítico é o livro da Lei e das instituições básicas de Israel.
  • Números: O livro do censo do povo de Israel durante sua peregrinação no deserto.
  • Deuteronômio: significa "Segunda Lei". A Lei de Deus é entregue novamente ao povo no deserto.
  • Josué: traz a história da conquista de Canaã por Josué.
  • Juízes: O período no qual o povo de Israel foi governado por Juízes. Após os juízes, inicia o período dos reis.
  • Rute: Ainda no tempo dos Juízes, Rute trata da linhagem de Davi, o rei de Israel, e ancestral do Senhor Jesus.
  • 1 Reis: a história dos 3 primeiros reis de Israel: Saul, Davi e Salomão.
  • 2 Reis: a história da divisão do Reino de Israel em Reinos do Norte (Israel) e do Sul (Judá), governados pelos reis que sucederam Salomão.
  • 1 e 2 Crônicas: repete muitos dos relatos dos livros dos Reis, bem como os cativeiros da Assíria e Babilônia. Aborda a promessa do Senhor de retorno à Terra Prometida.
  • Esdras: aborda o retorno da terra da Babilônia e reconstrução do Templo de Jerusalém.
  • Neemias: aborda a reconstrução dos muros de Jerusalém.
  • Ester: aborda a instituição da Festa do Purim como comemoração do livramento dos judeus durante o período Persa.
  • Jó: aborda o sofrimento de um justo à luz da sabedoria geral e do relacionamento com Deus.
  • Salmos: coletânea de cânticos para adoração adequada do povo em diversas situações.
  • Provérbios: ensinamentos sobre a sabedoria que deveriam ser passados para os jovens.
  • Eclesiastes: demonstra que a vida sem Deus é apenas existência vazia que resulta em pessimismo.
  • Isaías: Deus chamou Isaías para advertir o povo sobre a decisão dEle de enviá-los para o exílio, e consolá-lo que seriam trazidos de volta com a bênção do Senhor.
  • Jeremias: deveria lembrar ao povo as razões pela qual estavam vivendo o exílio, e exortar o povo ao arrependimento.
  • Lamentações de Jeremias: o lamento do profeta e orientações para o povo que estava sofrendo sob o jugo babilônio.
  • Ezequiel: deveria incentivar os exilados a permanecerem fiéis ao Senhor.
  • Daniel: deveria dar aos exilados e primeiros libertos a certeza de que Deus estava no controle da história.
  • Oseias: deveria informar que após o justo julgamento divino e exílio, o povo de Deus receberia grande restauração. 
  • Amós: deveria informar a severidade do castigo divino diante da infidelidade de Israel e Judá, e declarar esperança e restauração depois da destruição e exílio que se aproximavam.
  • Obadias: deveria encorajar o povo de Judá a ter esperança na justiça divina e na vitória final sobre todos os inimigos. O Reino enfrentava diversidades vindas de Edom.
  • Jonas: deveria pregar arrependimento a Nínive, levando a misericórdia do Senhor para outros povos, ainda que a contragosto do profeta.
  • Miqueias: deveria chamar Judá ao arrependimento durante a crise assíria e prepará-la para o exílio babilônico. 
  • Naum: Confortar Judá ao anunciar julgamentos futuros contra Nínive.
  • Habacuque: guiar Israel em direção a fé durante as provações e exílio babilônico.
  • Sofonias: chamar Judá e Israel ao arrependimento diante da invasão babilônica.
  • Ageu: incentivar a reconstrução do Templo.
  • Zacarias: encorajar a confiança do povo nas promessas de Deus.
  • Malaquias: incentivar e renovar a fé do povo anunciando o julgamento que viria através do Messias.

sábado, 20 de março de 2021

Jesus - O Cordeiro Pascal

A Páscoa no Antigo Testamento é o memorial da libertação dos hebreus do Egito, representando a primeira reunião com o povo da aliança.




E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:
Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.
Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.
Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.
O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras.
E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.
E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.
Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.
E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo.
Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.
E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor.
E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.
E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.


Quais são os pontos chaves da instrução?


1 - Cada homem deveria selecionar um cordeiro sem mancha ou defeito para sua família. Depois da escolha desse animal no décimo dia do mês, ele deveria ser observado durante cinco dias para certificar que não havia nada de errado com ele.

2 - Era necessário levar o cordeiro até a própria porta de casa e matá-lo. Recolhia-se o sangue numa bacia e depois o aspergia em ambos os lados do umbral e acimado umbral. Toda a entrada da casa fica coberta pelo sangue do cordeiro.

3 - O cordeiro inteiro deveria ser assado e consumido. Nada poderia sobrar para o dia seguinte. Ao preparar a refeição, nenhum osso deveria ser quebrado e o cordeiro deveria ser transpassado por espetos para que o corpo ficasse aberto.

4 - Enquanto comiam, Deus permitiu que o anjo da morte passasse pela terra. Ao passar de porta em porta, ele procurava entrar em cada casa. Se a entrada estivesse coberta pelo sangue, o anjo da morte não conseguia entrar Do contrário, o juízo viria sobre aquela família.

5 - Nenhum incircunciso deveria participar da refeição da Páscoa ou celebrar a festa (Êxodo 12:48). A circuncisão era o sinal externo de que o homem havia aceitado Deus como verdadeiro, e feito uma aliança de sangue com Ele.

A assim foi estabelecida a Páscoa do Senhor. O sangue do cordeiro  era a cobertura e proteção para o povo de Deus. 

Mas por que o sangue nos umbrais das portas apenas? Já que a ideia é evitar a entrada do anjo da morte, ele poderia entrar pela janela também!

Há um contexto histórico para o sangue ser aspergido nos umbrais das portas. O mais antigo altar primitivo à Deus e mesmo aos deuses falsos eram a soleira ou a entrada das casas. As pessoas sacrificavam aos deuses no altar da soleira, como forma de pedir proteção e convidar essa suposta divindade para entrar na casa. Era comum matar um animal na soleira para dar boas vindas à divindade da família, em seguida atravessar a soleira e entrar em casa.

O entendimento bíblico, portanto, ganha muito mais riqueza! Não se trata apenas de uma barreira de proteção feita com sangue; era um convite para Deus entrar na casa e proteger a família do anjo da morte! Deus entrava no lar com vida, enquanto o anjo trazia morte para os impiedosos!

Com base nisto, porque Jesus é o Cordeiro Pascal? Por que não há mais sacrifícios?

Sabemos muito bem que a Lei de Deus não foi revogada, mas que Cristo a cumpriu por nós, a fim de que pudéssemos nos apresentar justificados diante do Pai (Mateus 5:17-18). Milhares de cordeiros eram sacrificados e consumidos anualmente em Jerusalém, a fim de que a Páscoa fosse comemorada! Jesus, por outro lado, ofereceu um único sacrifício definitivo entregando a Si mesmo como o Cordeiro Pascal.

Sabemos que todo o sistema religioso e sacrificial do Antigo Testamento aponta para a obra redentora de Jesus Cristo. Se o único caminho para Deus é o próprio Senhor Jesus, o que fica muito claro para nós é que qualquer forma de justificação ou salvação provém dEle e aponta para Ele. Os símbolos do Antigo Testamento apontam para o que Jesus ainda faria no seu ministério terreno, e todos  que morreram antes disso foram justificados pela fé no Messias redentor (Hebreus 11).

Vamos voltar aos três primeiros pontos chaves da Páscoa Judaica?

1 - Cada homem deveria selecionar um cordeiro sem mancha ou defeito para sua família. Depois da escolha desse animal no décimo dia do mês, ele deveria ser observado durante cinco dias para certificar que não havia nada de errado com ele.

Jesus  foi separado para ser interrogado e sacrificado no exato mês, dia e hora que os judeus vinham tratando os cordeiros para a festa da Páscoa. O cordeiro precisava ser separado no décimo dia do mês, e Jesus entrou em Jerusalém  no décimo dia, a fim de iniciar os preparativos do seu próprio sacrifício. 

Jesus foi para Betânia no nono dia (João 12:1), e entrou em Jerusalém no dia seguinte, o décimo dia de Nissam (João 12:12-13).

O cordeiro era separado com antecedência para garantir que não tivesse mancha ou defeito, e por tal razão  ficava sob observação por 5 dias. Jesus, após sua chegada em Jerusalém, foi observado e posto a prova por 5 dias pelos líderes religiosos, os quais questionaram sua autoridade e interrogaram-lhe para que desse alguma resposta errada com a qual pudessem acusá-lo (Mateus 21:23-37/ Mateus 23).

Por fim, Jesus foi levado diante do governador de Roma, já que segundo a Lei nada puderam acusar. Após ser torturado e interrogado, Pilatos declarou sua inocência (João 19:4). Tudo isso ocorreu entre o décimo e o décimo quarto dia.

2 - Era necessário levar o cordeiro até a própria porta de casa e matá-lo. Recolhia-se o sangue numa bacia e depois o aspergia em ambos os lados do umbral e acimado umbral. Toda a entrada da casa fica coberta pelo sangue do cordeiro.

Era necessário que os judeus preparassem o sacrifício às nove horas da manhã do décimo quarto dia, e o cordeiro fosse morto às três horas da tarde para a Páscoa ser concluída antes das seis horas, quando um novo dia iniciaria. Na hora exata em que os judeus estavam preparando os cordeiros da Páscoa, Cristo foi crucificado por nós (Marcos 15:25).

Cristo é o Cordeiro Pascal, que foi ferido e moído por nós. O Cordeiro que levou sobre si a iniquidade e nossas dores, embora não tenha aberto sua boca, como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:4-7 c/c Atos 8:34-35).

O que nós entendemos como três horas da tarde, o judeu compreendia como hora nona. O que exatamente ocorreu na hora nona? Lembrei! Cristo morreu! Na hora nona, Jesus clamou, bradou, e entregou o Seu espírito, conforme (Marcos 15:34-37).




Com isto o véu do templo se rasgou de cima a baixo, simbolizando que a separação entre o homem e Deus não mais existia! A partir daquele momento Deus olha para seus filhos e não vê as transgressões! Ele vê o sangue de Jesus aspergido sobre nós, nos livrando da morte eterna e nos tornando justos diante de Deus! A comunhão é reestabelecida, e Deus entra em nossas vidas e nossos lares trazendo vida aos que estavam mortos em seus delitos e pecados!

3 - O cordeiro inteiro deveria ser assado e consumido. Nada poderia sobrar para o dia seguinte. Ao preparar a refeição, nenhum osso deveria ser quebrado e o cordeiro deveria ser transpassado por espetos para que o corpo ficasse aberto.

Cristo foi totalmente consumido no julgamento de Deus por nossos pecados. Não há um aspecto da vida de Jesus no qual Ele não tenha se entregue por cada um de nós. Cada palavra proferida, cada decisão tomada, cada milagre realizado! Em todo momento Ele estava sendo obediente até a morte, e morte de cruz!

Nada deveria ser deixado para o dia seguinte, e Jesus foi retirado da cruz antes das seis horas (João 19:31). Cristo não foi deixado na cruz até o dia seguinte. Seus ossos, como o do cordeiro sacrificado, não foram quebrados! Era costume quebrar as pernas dos crucificados, para que morressem asfixiados mais rápido, pois tal pena poderia durar dias! Jesus morreu em poucas horas, e após quebrarem as pernas dos ladrões, os guardas não precisaram quebrar as de Cristo (João 19:30-37).

Com base nessas informações, vemos que Jesus é o Cordeiro Pascal que foi sacrificado por nós (1 Coríntios 5:7), sem manchas ou defeitos, revelado em favor de nós, e ressuscitado pelo Pai dentre os mortos para nos trazer fé e esperança (1 Pedro 1:18-21). Ele foi crucificado, com seus braços abertos e esticados, como um cordeiro transpassado por espetos!




No próximo artigo abordaremos a ressurreição de Jesus! 

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...