Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
domingo, 23 de maio de 2021
A necessidade do amor (1 Coríntios 13:1-3)
sábado, 22 de maio de 2021
Bíblia Hebraica - O texto massorético
O texto hebraico do Antigo Testamento é denominado de texto massorético, pois se baseia na transmissão textual dos massoretas, eruditos judeus que na Idade Média se propuseram a formar a bíblia hebraica e transmitir o texto da forma mais exata possível. O texto massorético medieval é constituído de quatro elementos: texto consonantal, vocalização, organização textual e a massorá à margem.
O texto consonantal
a) Primeiro período (3º Século a.C.): texto consonantal bem conceituado, a partir do texto protomassorético. O que importava era o conteúdo do texto, e a exata reprodução das consonantes parecia algo secundário. Período que durou até a destruição do segundo Templo pelos romanos.
b) Segundo período (70 d.C. até o 7º século): maior unificação do texto massorético consonantal e sua preservação pelos rabinos.
c) Terceiro período (8º século d.C. até o final da Idade Média): estabelecimento da vocalização do texto consonantal, inicialmente com diferentes sistemas de pontuação. Período de continuada fixação do texto, com vistas a sua preservação.
A Escritura Sagrada do judaísmo precisa ser descrita como um corpus escalonado de textos autorizados: (1) Tanak, que é a revelação direta dada a Moisés no Monte Sinai e transmitida pela tradição; (2) livros proféticos; (3) Salmos. Essa divisão reflete o processo histórico de construção.
Os livros da terceira divisão do cânon hebraico passaram a integrar as Escrituras Sagradas após um longo processo de discussão entre o século 3º d.C. e 4º d.C. Tal processo foi atribuído à um suposto sínodo em Jâmnia, no qual o conselho superior dos judeus teria se reunido sob a liderança do rabino Gamaliel II, criando um cânone hebraico distinto do cristão. Entretanto, tal sínodo não ocorreu.
Transmissão e correções
O texto consonantal transmitido pelos massorestas apresenta diversas peculiaridades, como letras estranhas e pontos extraordinários; observações na margem sobre a leitura das consonantes.
Sobre os pontos extraordinários (puncta extraordinaria), 15 passagens receberam pontos por cima de determinadas letras ou de palavras inteiras. Alguns desses pontos indicam supressão, mas no geral se discute seu suposto uso para indicar a presença de supostos erros de cópia ou de variantes questionáveis.
Na BHS também ocorre o nun invertido (nun inversum) em 9 oportunidades, acompanhado de um sinal diacrítico, e seu uso é comparado ao do sigma invertido em fontes alexandrinas do grego. Indicariam que o texto está entre colchetes, fora do seu lugar original. Alguns consideram como abreviação para nakud, onde o nun era invertido para não ser considerado como parte do texto.
O texto massorético também apresenta letras suspensas (Litterae suspensae) em 4 palavras, utilizados como forma de correção do texto, necessária por razões de natureza crítico-textual.
Também apresenta letras ampliadas (litterae maiusculae) nos manuscritos medievais, no início de uma seção ou livro, para diferentes finalidades. Também podem ser utilizadas para indicar o meio de um livro.
Outro fenômeno é o Ketib-Qere, onde as observações marginais são feitas pelos copistas conectadas diretamente ao texto consonantal. Na margem é inserida uma palavra ou forma de palavra diferente da encontrada no texto, indicando a forma correta de ler em voz alta. Alguns dizem que se tratam de instrumento que visava a melhoria do texto. Outra corrente alega serem variantes textuais extraídas de um ou mais manuscritos e inseridas na margem.
Há também um tipo especial de Ketib-Qere, a ser lido sempre (Qere perpetuum), que ocorre sempre no nome de Deus, na pronúncia de Jerusalém e no uso do pronome pessoal da terceira pessoa do singular feminino.
O texto massorético também apresenta opiniões (Sebirin), passagens onde uma forma alternativa foi anotada à margem, com formas mais simples ou comuns de palavraas do texto que são consideradas difíceis ou complicadas. Recebem o significado de simples opiniões ou sugestões.
Há também correções dos escribas (Tiqqune sopherim), segundo a tradição rabínica, em 18 lugares onde há evidência de que os escribas interferiram no texto consonantal, corrigindo-o. Correções que tem a ver principalmente com leituras ofensivas, ensejando alterações.
Vocalização massorética
Haviam diferentes grupos de transmissores entre os massorestas, dependendo do tipo de trabalho que faziam: alguns copiavam exclusivamente o texto consonantal (soferim); outros eram responsáveis por adicionar os sinais vocálicos e acentos à estrutura consonantal (naqdanim); e aqueles que adicionavam observações nas margens e abaixo do texto, a fim de garantir e exercer controle sobre a forma do texto.
A vocalização dos massoretas foi precedida por outras tentativas de fixar a pronúncia e leitura do texto, como a transcrição do texto hebraico em caracteres gregos, uso de sinais vocálicos e de pontuação e pontos diacríticos.
Houveram 3 sistemas de vocalização: palestina, babilônica e tiberiense. As vocalizações babilônica e palestina são divergentes não apenas nos sinais vocálicos utilizados, como também na própria fixação da pronúncia.
Já quando falamos da vocalização tiberiense, 3 fatores determinantes são destacados: (1) a vocalização se baseia na tradição da leitura oral, sendo mais recente; (2) a interação ou influência recíproca entre a pronúncia do hebraico e considerações de ordem gramatical; (3) decisões de natureza exegética.
A vocalização tiberiense se deu por duas famílias: Ben Asher e Ben Naftali, tendo suas diferenças listadas pelo Kitab al-Khilaf, um tratado que serve para apurar o grau de concordância dos manuscritos medievais que trazem vocalização tiberiense.
Dianta de diversas possibilidades de vocalização, entende-se que a crítica textual não pode ter como ponto de partida o texto vocalizado, e sim o consonantal, sem qualquer vocalização.
Divisão do texto e sistema de acentuação
Nos rolos de Qumran aparecem sistemas de divisão de texto, em especial a divisão prosaico bivalente, que faz distinção entre seções principais e seções subordinadas dentro do texto que é copiado de forma contínua. Desta forma, as divisões não são fruto da atividade dos massoretas, que apenas as transmitiram.
A Torá foi dividida pelos massoretas em leituras semanais, que poderiam durar um ano (parashás) ou três (sedarim), respectivamente 54 ou 154/167 seções semanais.
Também se aplica a divisão em versículos, que é a menor unidade significativa do texto e já pode ser identificada em alguns dos manuscritos de Qumram.
No tocante à acentuação, cumprem 3 funções: (1) sinais de cantilação para declamação ou recitação do texto no culto; (2) revelam sílabas tônicas; (3) sinais de pontuação e organização de texto.
Entre os acentos também temos o Paseq, que é um sinal vertical colocados entre duas palavras para indicar que devem ser mantidas separadas, ou quando a consonante final da primeira palavra é idêntica à inicial da segunda; e o Meteg, que é um tracinho que aparece ao lado esquerdo da vogal, para dar sustentação ou apoio à vocalização.
Já a divisão em capítulos foi inserida na Vulgata Latina, sendo introduzida também na bíblia hebraica por volta do século 14 d.C.
Massorá menor e massorá maior
Os massoretas desenvolveram um sistema de preservação do texto, denominado de massorá, consistente em notas marginais colocadas ao lado (massorá parva) ou abaixo (massorá marginal) do espaço em que se encontra o texto.
Tinham por objetivo principal impedir que surgissem formas de escrita anômalas ou irregulares. Tratava-se de uma forma de controle da qualidade do texto consonantal, que buscava também evitar erros e trazer dados estatísticos.
Temos a massorá menor indicando a aparição de uma palavra ou formulação, enquanto a massorá maior traz as referências ou passagens onde ocorrem essas palavras ou formulações.
- Impedir formas de escrita anômalas ou irregulares
- Evitar erros por desatenção ou acomodação
- Trazer dados estatísticos sobre uma palavra ou forma de palavra
- Controle da qualidade do texto consonantal
Manuscritos hebraicos da Idade Média
A bíblia completa em hebraico tem os manuscritos do início da Idade Média como textos fundamentais. São eles: PARA NATÁLIA DAR UM RESUMINHO
- Códice do Cairo
- Códice Aleppo
- Códice Leningrado
- Códice Oriental Ms. 4445
- Códice Sassoon 1053
- Códice Babilônico Petropolitano
- Fragmentos de Guenizá
- Bíblia Hebraica Quinta (BHQ)
- Stuttgarter Elektronische Studienbibel (SESB Version 2.0)
- Hebrew University Bible (HUB)
- Oxford Hebrew Bible Project (OHB)
quinta-feira, 8 de abril de 2021
Considerações sobre "João Calvino - 500 anos"
O livro escrito por Hermisten Maia aborda a vida e teologia do reformador de Genebra, João Calvino. A obra se divide em duas partes, sendo certo que a primeira consiste no apanhado histórico, trazendo o pano de fundo da Reforma Protestante. Tal divisão é extremamente necessária para compreender tanto a história da Reforma, quanto algumas das formulações teológicas e filosóficas da época.
Inicialmente, destaca-se a Reforma como um movimento teológico e religioso, com raízes no Humanismo e Renascimento, os quais facilitaram a expansão das ideias e pensamentos de reforma dentro da igreja e sociedade. Tais movimentos por si só não era suficientes, de forma que a origem da Reforma Protestante encontra-se também na ênfase nas Escrituras dadas pelo Senhor. Havia grande comoção pelo retorno à Palavra Deus, em detrimento da tradição católica.
Ao abordar a história da vida de João Calvino, a obra trata dos pressupostos do reformador, sua vida, formação e experiência de conversão. Aliás, há poucas informações de caráter pessoal da experiência do reformador com Cristo, que se limita a citá-la poucas vezes e sem muitos detalhes. Um paralelo entre o Humanismo e a visão de Calvino nos é apresentada: para o humanista de seu tempo, a ênfase era na exaltação e capacidade do ser humano; Calvino, por outro lado, apresenta um humanismo caracterizado pela exaltação do homem como criatura portadora da imagem e semelhança de Deus, ressaltando a sua incapacidade. Portanto, o diferencial das duas visões é que a primeira coloca o homem no pedestal, e a segunda torna-o valoroso, na medida em que se valoriza Deus em primeiro lugar.
Nos termos acima, Calvino nos é apresentado como um humanista, pois detinha o conhecimento do movimento, e correspondia-se com amigos humanistas ao seu tempo. O pressuposto da valorização do homem está presente na sua obra e teologia, mesmo sem transformar o ser humano em objeto de adoração.
A segunda parte do livro aborda a teologia e prática de João Calvino. A pauta inicial diz respeito às Escrituras e o debate da sua suficiência como regra de fé e prática para a igreja e o indivíduo. A Palavra, embora não seja exaustiva em todos os assuntos, traz informações suficientes acerca da vida cristã e salvação do homem através de Jesus Cristo. Ela é autoritativa, pois não se propõe a explicar Deus e sua soberania, mas sim afirma-la e defendê-la como pressuposto.
Na medida em que a Palavra não é exaustiva, porém é autoritativa, dois pressupostos são defendidos na teologia de Calvino: (1) assim como defendia a Reforma Protestante, as Escrituras deveriam ser a regra de fé e prática da igreja, orientando o culto e a vida pessoal dos indivíduos. É a Palavra que deve justificar as ações, crenças e fé das pessoas, e não a tradição ou autoridade de líderes religiosos; (2) Por outro lado, a tradição tem o seu devido lugar tanto na história quanto na vida prática da igreja. A tradição pode trazer parâmetros para vida cristã, desde que não avoque para si a inspiração e infalibilidade das Escrituras.
Isto porque o responsável pelas Escrituras e sua preservação é o próprio Espírito Santo, o qual guiou os autores humanos na redação das palavras de Deus, no processo de inspiração. Quando Moisés, Lucas, Paulo ou qualquer outro autor bíblico escreveram, era o Espírito conduzindo-os na produção das Escrituras. Este mesmo Espírito preservou o texto bíblico pelos séculos seguintes, a fim de que a igreja tivesse acesso ao conhecimento de Deus. Por fim, o mesmo Espírito ilumina a igreja para reconhecer as Escrituras como Palavra de Deus. Com base nesta informação o Espírito Santo e a Palavra de Deus são inseparáveis.
Nas Escrituras o homem tem toda a informação necessária acerca de Deus, o relacionamento com a humanidade, queda, salvação e santificação. Ao tomar conhecimento de Deus, Seu poder e atributos, e de quem é o homem diante dEle de fato conhecer a si mesmo. Conforme já citado anteriormente, o conhecimento e valorização do homem só é possível na medida em que ele conhece e valoriza ao Deus cuja imagem e semelhança ele é dotado. Conhecer a Deus se torna um privilégio responsabilizador, pois apresenta ao homem a necessidade de busca diária da conformidade ao Deus Santo que o criou.
O livro também aborda a responsabilidade pastoral, os quais são vocacionados e capacitados pelo próprio Senhor a fim de serem usados para o ensino e cuidado das igrejas temporais. O pastor deve ser reverente e submisso ao Senhor, preparando-se piedosamente na Palavra, a fim de ensinar e disciplinar a igreja, sendo porta-vozes da mensagem do evangelho. O pastor não deve apenas possuir conhecimento teológico e domínio bíblico, mas principalmente desenvolver vida e prática de oração, visto que o relacionamento do seu ministério com a igreja está abaixo do seu relacionamento com o próprio Deus.
Em seguida, a obra aborda a eleição divina, e seu uso gramatical no Antigo Testamento e Novo Testamento. Deus elege os homens sem qualquer pressuposto inicial que não seja a Sua própria vontade soberana e graciosa. A eleição divina tem como pressupostos: (1) a depravação total do homem, tornando-o totalmente culpado e carente de méritos diante do Senhor, com os quais poderia justificar a sua escolha para salvação; (2) diferente do homem, Deus é totalmente livre e soberano, de forma que a Sua decisão de salvar ou não qualquer indivíduo não depende de qualquer critério alheio, Deus não consulta ninguém no processo da salvação, muito menos aquele que será salvo; (3) desde a fundação do mundo o plano da salvação já estava estabelecido, de forma que as ações e decisões do homem que foram posteriores ao decreto divino não tem qualquer poder de alterá-lo.
Portanto, na teologia de Calvino o Senhor é apresentado como o autor da salvação e eleição dos homens, de acordo com a sua livre e soberana vontade, que é eterna e imutável, baseada na justiça de Cristo, derramada de forma graciosa e incondicional sobre os eleitos de forma individual e irresistível. A eleição divina é justa, pois considera a necessidade de pagamento do pecado, a incapacidade do homem de quitá-lo e a benevolência do Senhor.
Assim, segundo João Calvino, a eleição tem como objetivo abençoar os homens, salvando-os, para que Deus seja glorificado pelas suas obras de amor e misericórdia. Cientes de que fomos eleitos, não há nada que o homem possa oferecer a Deus, a não ser depositar a sua fé em Jesus Cristo e na verdade. Ao homem cabe o serviço a Deus e ao próximo como forma de amor, desenvolvendo uma vida de humildade e santidade como atos amorosos.
Viver de acordo com a vontade de Deus não se torna um meio para obter a salvação, e sim uma consequência direta de ser salvo. Para Calvino, a partir do momento em que somos eleitos por Deus, que não considerou nossos pecados, devemos louvar e adorar Jesus como autor e consumador da nossa fé, proclamando a salvação com certeza da nossa vitória conquistada no Senhor, a fim de promover a glória de Deus entre as nações.
A obra também aborda a espiritualidade de João Calvino, e sua abordagem sobre a oração, o qual deve estar firmada nas promessas do Senhor. Interessante que na visão de Calvino, a oração que não possui firmeza e convicção em seu cumprimento não é mais do que o ato de tentar ao Senhor. Devemos glorificar ao Senhor e dirigir a ele nossas súplicas convicto de que ele nos ouve e nos concede tudo aquilo do que precisamos. Devemos buscar refúgio nos momentos de oração e interceder uns pelos outros, conforme mandamento e exemplo do próprio Senhor Jesus.
O livro encerra com a ética social de Calvino, sua visão sobre a educação e o seu pensamento no tocante à ciência. Merece destaque a sua visão acerca da graça comum como fator de influência na cultura.
O livro, portanto, nos apresenta a pertinência do calvinismo para os tempos atuais. A obra serve para apresentar o que verdadeiramente foi defendido por João Calvino, e a extensão da sua contribuição para sociedade e igreja. Sua teologia sempre foi muito mais do que debate soteriológico, e a sua teologia nunca foi meramente especulativa, e sim dotada de um caráter de grande aplicabilidade pessoal e litúrgica.
Bíblia Hebraica - Língua, escrita e material de escrita
Fischer, Alexander Achilles. O texto do Antigo Testamento - Edição reformulada de Introdução à Bíblia Hebraica de Ernest Wurthwein / Fischer, Alexander Achilles. Trad. Vilson Scholz. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
O hebraico antigo faz parte do grupo de línguas semíticas, tendo parentesco com os idiomas ugarítico, cananeu, fenício-púnico, moabita, amonita, edomita e aramaico. O hebraico bíblico deriva do judaico utilizado em Jerusalém nos séculos seto e sétimo a.C. Neste tempo, em Judá, a língua de contato e comércio era o aramaico imperial, razão pela qual alguns trechos dos livros mais recentes do Antigo Testamento estejam neste idioma (Jr 10:11; Dn 2:4-7:28; Ed 4:8-6:18; Ed 7:12-26).
O hebraico bíblico
O significado lexical de uma palavra no hebraico está vinculado às consonantes da "raiz" da palavra, e as formas e classes gramaticais se constituem pelo acréscimo de vogais e sílabas antes, dentro e ao final dessa raiz.
É certo que na transmissão do texto bíblico, devido a diferentes possibilidades de pronúncia que ensejariam diferentes interpretações, desenvolveu-se a escrita plena, onde algumas consonantes indicam vogais longas. Além disso, os massoretas na Idade Média criaram um sistema de sinais vocálicos que são colocados acima ou abaixo das consonantes.
No hebraico bíblico não existe diferente entre poesia e prosa, e a maioria do Antigo Testamento foi escrito em prosa. O que difere as duas formas é a diagramação em versos, e o paralelismo dos membros (sintético, antitético e sinônimo). Outra forma de identificar a poesia é o uso de colonometria, no qual se conta as consonantes para determinar a existência de versos poéticos (cólons).
A escrita
A escrita hebraica é quadrática, uma vez que a maioria das consonantes cabe dentro de um quadrado. Por sua origem, muitas vezes é chamada de escrita assíria. Entretanto, esse nome é atribuído originalmente para escrita aramaica, comum no período do império aquemênida ou persa, o que não significa que o hebraico tenha sido totalmente deixado de lado.
A escrita proto-hebraica desenvolveu-se nos tempos bíblicos, a partir do alfabeto fenício, e foi utilizada não apenas por Israel, mas também pelos povos vizinhos.
O material de escrita
Vários materiais foram utilizados para escrita hebraica, entre eles o talhar em pedras, muros, paredes, monumentos com inscrições; e a pintura com cal e/ou tinta. Outro material utilizado da mesma forma era a madeira talhada ou tábuas revestidas de cera. Também era possível o registro em metais como prata; e também o uso de argila, que poderia ser queimada na forma de tábua, ou utilizada em cacos para escrever (óstracos).
O uso do papiro, derivado de uma planta, também ocorria, sendo um material extremamente resistente. Entretanto, há poucos fragmentos na Palestina, pois as condições climáticas são menos favoráveis para sua preservação do que no Egito.
Couro também foi utilizado como material para escrita hebraica, como o primeiro rolo de Isaías descoberto na Caverna 1 de Qumran e que remonta ao 2º século a.C. Assim como o papiro, demorou para ser difundido, pois o tratamento da pele de animais era um processo difícil. Sua vantagem em relação ao papiro é a sua durabilidade.
Material desenvolvido através do uso de um solução calcária em pele de animais, sendo um material mais liso e claro, facilitando a escrita em dois lados e a leitura. Era um material mais elástico e sua superfície poderia ser lavada para ser reutilizado, e o texto apagado pode ser recuperado através do uso de infravermelho.
Rolo e códice
Antigamente os "livros" tinham forma de rolos, de forma que o uso de códices começou apenas na parte final do período helenístico. Entretanto, as sinagogas continuaram a utilizar o livro no formato de rolos. No geral, os textos são encontrados fragmentados em diversos rolos, razão pela qual há um trabalho de reconstrução do texto com base nos fragmentos adquiridos.
A passagem do rolo para o códice teve início no 1º século d.C., embora ambos tenham coexistido por um bom período de tempo. Nos primeiros séculos houveram vários centros cristãos de produção de bíblias (Cesareia, Antioquia e Alexandria).
Instrumentos para escrever e tinta
Para inscrições em monumentos utilizava-se cinzel. Para inscrições menores, utilizava-se ponteiro ou um objeto pontiagudo. Para carimbos ou sinetes se utilizava brocas e goivas. Já para papiro e couro utilizava-se tinta.
A tinta mais antiga era feita de vegetais e plantas, enquanto as mais recentes eram feitas de metais. Saber o tipo de tinta auxilia o trabalho de reconstrução de manuscritos, buscando-se aqueles fragmentos que possuem composição química semelhante.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Resumo do livro "Congregacionalismo Brasileiro"
Editado pelo Departamento de
Educação Religiosa e Publicações – DERP da União de Igrejas Evangélicas
Congregacionais do Brasil.
Os
congregacionais foram chamados originalmente de “independentes”, por volta do
final do século XVI e início do século XVII, durante a Reforma Inglesa.
Trata-se de um modelo de comunidades autônomas que surge de movimentos
históricos como o de Wycliffe, os lolardos, menonitas e anabatistas.
É certo
que quando falamos de modelos de estruturação eclesiástica, podemos nos deparar
com três regimes gerais: (1) Episcopal; (2) Congregacionalista; (3)
Presbiteriano.
No
tocante ao Congregacionalismo, trata-se do modelo onde cada comunidade local é
uma igreja completa e autônoma, não sujeita a qualquer entidade além da própria
assembleia de membros. Assim, as igrejas se unem para cooperação e consulta, e
não por hierarquia e submissão de algumas igrejas a outras. Na forma, adota uma
democracia, porém na prática é uma teocracia, pois é Cristo o Cabeça da igreja.
Trata-se
de um tipo de organização político-administrativa resultante da prática dos
princípios teológicos fundamentais descobertos pela Reforma Protestante. Suas
primeiras manifestações históricas ocorreram em Londres, com a prisão e
condenação de grupos em 1567 e 1568. É certo que em 1561 já havia aparecido na
cidade de Londres uma declaração de fé.
O
congregacionalismo brasileiro se dá através de Robert Reid Kalley, que era de
origem presbiteriana, mas ao criar a primeira Igreja Evangélica do Brasil se
distanciou da tradição presbiteriana na matéria eclesiástica e introduziu uma
constituição do tipo Congregacionalista na igreja.
Kalley
também evitou adotar a nomenclatura “Congregacional”, que não tinha boa
reputação por causa do liberalismo das igrejas americanas no final do século
XIX. Por essa razão adotou unicamente a nomenclatura “Evagélica” na fundação
das duas primeiras igrejas: a Igreja Evangélica Fluminense (Rio de Janeiro -
1858) e a Igreja Evangélica Pernambucana (Recife – 1873). Quando 13 igrejas
brasileiras se uniram às 5 igrejas de Portugal formaram uma entidade
denominacional chamada Aliança das Igrejas Evangélicas Indenominacionais.
Se por
um lado Kalley não queria ser ligado às demais denominações existentes, também
se recusava a atribuir “Congregacional” à sua nomenclatura, diante do erro
teológico das comunidades que traziam o nome. O pastor não queria que as
igrejas fossem consideradas como parte do grupo de liberais da época. É certo
que a designação de “Congregacionais” foi adotada definitivamente em 1916.
Quando
falamos de Congregacionalismo as seguintes obras devem ser consideradas: Os Axiomas da Religião (Dr. E. Y.
Mullins); A Manual of Congregational
Principles (Dr. R. W. Dale); Nossos
Princípios: Um Manual da Igreja Congregacionalista (Rev. G. B. Johnson); Creeds and Plataforms of Congregationalism
(W. Walker); Evangelical &
Congregational (The Evangelical Fellowship of Congregational Churches - EFCC).
A) Igreja:
A comunidade de crentes de todos os tempos que Cristo irá apresentar ao Pai. Historicamente e no tempo, é a comunidade dos que professam a fé em Cristo, segundo a Palavra. O termo também pode ser adotado para designar um grupo de igrejas locais, em semelhança com Atos 9:31. O modelo bíblico é a da comunidade local, onde cada igreja é autônoma, completa e independente, ligadas umas as outras pela fé e amor.
B) Autonomia e Soberania das igrejas locais:
As
igrejas são autônomas, pois podem se administrar por suas próprias leis, sendo
administrativamente independentes. Também são soberanas, pois não estão
subordinadas a qualquer poder coercitivo fora de si mesmas. A assembleia de
membros é o poder supremo de direção da igreja, e nenhuma autoridade denominacional
pode exercer sobre a igreja qualquer parcela de comando ou poder legislativo.
No
congregacionalismo, independência não significa isolamento, e sim autonomia,
liberdade de consciência e de governo. Como Cristo está presente em cada igreja
integralmente, dirigindo-as pelo Espírito, entende-se pela capacidade de tomar
decisões de acordo com a vontade do próprio Senhor Jesus, sem excluir a
possibilidade de erro quando a igreja se encontra fraca ou afastada do Senhor.
C) Comunidades de igrejas locais:
O que
caracteriza uma comunidade como igreja local é ser dirigida por Deus e ser
obediente a Ele. Seguindo esta lógica, a união das igrejas com Cristo cria
necessariamente a união das igrejas entre si, no sentido simples de
companheirismo e ajuntamento. Assim: (1) cada igreja respeita o caráter e atos
das demais; (2) cada igreja deve promover o bem estar das demais; (3) cada
igreja deve buscar fortalecimento junto às outras nas tarefas comuns ao
Evangelho.
Torna-se
natural e conveniente a constituição de federações e associações pelas quais
expressem tal comunhão e companheirismo.
Essas entidades não tem caráter eclesiástico, ou qualquer poder
legislativo sobre as igrejas. Uma União, Associação, Federação, Confederação, Concílio
ou Convenção de Igrejas não é uma igreja em si mesma, de forma que não batiza,
não recebe, não disciplina, não exclui membros de igrejas, não dirige
assembléias das igrejas locais e nem administra os seus bens.
Essas
comunidades de igrejas locais também não ordenam ministros por seu próprio
poder, mas a pedido das igrejas. Esse ministro pode ser pastor, ainda que não
assuma a direção de uma igreja, ou nunca venha a exercer.
D) Oficiais Eclesiásticos:
Os
oficiais são denominados pastores, presbíteros e diáconos. O pastor exerce as funções
de presidente da igreja, sendo responsável pela doutrina; os presbíteros e
diáconos são oficiais de função restrita à igreja que os elegeu e ordenou. As igrejas locais possuem
prerrogativa para consagrar obreiros para atividades específicas do seu
ministério, além dos oficiais acima, sempre que julgar conveniente e útil.
E) Recepção e Disciplina de Membros de uma Comunidade Local:
Membros
de uma igreja local são recebidos por batismo, transferência ou por jurisdição
(caso em que não é possível conseguir a Carta de Transferência da igreja
anterior). A fim de evitar proselitismo e zelar pelo respeito entre igrejas,
não é recomendado receber uma pessoa sob
disciplina em outra igreja, a menos que haja reconciliação.
As
igrejas locais devem disciplinar seus membros de forma amorosa, com o objetivo
de restaurar o disciplinado.
O autor
defende que disciplina, transferência ou reconciliação de membros é de
competência da assembleia eclesiástica. Entretanto, o que vemos na prática é a
aplicação da disciplina sem a submissão à assembleia da igreja, a fim de
preservar ao máximo o disciplinado. A
maior parte das disciplinas atualmente são aplicadas em gabinete pelo pastor da
igreja, ou mediante decisão colegiada do corpo
de oficiais.
F) Ordenações Eclesiásticas:
As
igrejas congregacionais não são sacramentalistas, e consideram Eucaristia e
Batismo como símbolos da continuidade da comunhão dos crentes com Deus e a
igreja. Tais ordenanças não conferem qualquer graça especial que já não tenha
sido derramada sobre o cristão. Isso não anula a possibilidade de que tais ocasiões se tornem motivo de bênçãos
pessoais e coletivas para igreja.
Quanto
ao batismo, as igrejas congregacionais reconhecem a validade do batismo por
imersão ou afusão, entretanto, praticam exclusivamente o batismo por aspersão.
Como o batismo é um sinal de fé adulta e consciente, as igrejas congregacionais
não praticam o pedobatismo.
A HISTÓRIA CONGREGACIONAL DO BRASIL
A) Primeiro Período – Maio de 1855 a Julho de 1876: período correspondente à estada do casal Kalley no Brasil, com a implantação do trabalho. Funda-se a Escola Dominical em Petrópolis (19/05/1855). Em 08 de novembro de 1857 é fundada a Igreja Evangélica Fluminense, e efetuado o batismo do primeiro brasileiro: Pedro Nolasco de Andrade. Período de grande perseguição, no qual Kalley conseguiu o reconhecimento da liberdade de culto, casamento de não católicos, registro civil, óbitos e possibilidade de sepultamento em cemitérios públicos. Em 10 de julho de 1876 o casal parte definitivamente para Escócia, oito dias após a aceitação do texto dos 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo.
B) Segundo Período – 1876 a 1913: período do desenvolvimento eclesiástico e instalação da Convenção das Igrejas do Brasil e Portugal. Fundação da Sociedade de Evangelização e do O Cristão.
C) Terceiro Período – 1913 a 1942: período da expansão nacional e da união da Primeira Convenção das Igrejas do Brasil e Portugal com a Igreja Cristã Evangélica. Período de instalação do Seminário Evangélico Congregacional, em 03 de março de 1914. O Cristão se torna o órgão oficial da Denominação.
D) Quarto Período – 1942 a 1969: a União das Igrejas Evangélicas do Brasil e a Igreja Cristã
Evangélica do Brasil se fundiram como União das Igrejas Evangélicas
Congregacionais e Cristãs do Brasil, na 13ª Convenção (1942). Fundação do
Instituto Bíblico da Pedra em 1944, onde passou a funcionar o internato do Seminário
Congregacional. A União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil surge
como um grupo dissidente da União de 1942, em discordância à pratica de dois
modos de batismo, diversidade no modo de governo e discordância no tocante à
segurança da salvação. Em 1969 os dois grupos congregacionais se unem novamente
como a UIECB.
OS 28 ARTIGOS DA BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS
FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO
1º. Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus;
2º. Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem;
3º. Da Natureza dessa Revelação;
4º. Da Natureza de Deus;
5º. Da Trindade na Unidade;
6º. Da Criação do Homem;
7º. Da Queda do Homem;
8º. Da Consequência da Queda;
9º. Da Imortalidade da Alma;
10º. Da Consciência e do Juízo Final;
11º. Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus;
12º. Da Origem da Salvação;
13º. Do Autor da Salvação;
14º. Da Obra do Espírito Santo no Pecador;
15º. Do Impenitente;
16º. Da Única Esperança de Salvação;
17º. Da Obra do Espírito Santo no Crente;
18º. Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço;
19º. Da União do Corpo de Cristo;
20º. Dos Deveres dos Crentes;
21º. Da Obediência dos Crentes;
22º. Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito;
23º. Da Relação de Deus para com o Seu Povo;
24º. Da Lei Cerimonial e dos Ritos Cristãos;
25º. Do Batismo com Água;
26º. Da Ceia do Senhor;
27º. Da Segunda Vinda do Senhor;
28º. Da Ressurreição para Vida ou para a Condenação.
Kalley entendeu a necessidade de elaborar uma súmula das doutrinas
fundamentais para instrução dos neófitos e para os membros da Igreja Evangélica
Fluminense. Por tal razão, em 02/10/1874, apresentou a necessidade de artigos
de fé que resumissem as doutrinas fundamentais do Cristianismo.
sábado, 20 de março de 2021
Quando Jesus foi crucificado?
Por qual razão comemoramos o Domingo de Páscoa, se a Palavra nos ensina que Jesus permaneceria morto por 3 dias e 3 noites, nos termos de Mateus 12:40, onde o próprio Jesus anuncia o sinal de Jonas!
Quando olhamos o relato bíblico, vemos que Jesus foi crucificado não deveria permanecer crucificado no sábado (João 19:31). Ora, se ele não poderia ficar crucificado no sábado, quer dizer que a crucificação foi numa sexta-feira! E pior ainda: Entre sábado e domingo se passam apenas um dia! Este, por muito tempo, foi o entendimento que alguns estudiosos fizeram uso.
Entretanto, conforme a imagem acima, e as informações do artigo anterior, Jesus Cristo foi crucificado no Dia da Preparação, que antecede o grande Shabat! Não era, portanto, o sábado do calendário ordinário, mas o "Grande Shabat" das festividades de Levítico 23!
Leve em consideração que o calendário judaico é lunar, e os dias começam às 18:00 horas, com o pôr-do-sol. Desta forma, Jesus foi crucificado na Páscoa, sepultado na Festa dos Pães Ázimos e ressuscitou no fim do Shabat semanal e início da Festa das Primícias. Três dias e três noites se contam da seguinte forma:
- 1º Dia - 18:00 horas da quarta-feira às 06:00 horas da quinta-feira
- 2º Dia - 18:00 horas da quinta-feira às 06:00 horas da sexta-feira
- 3º Dia - 18:00 horas da sexta-feira às 06:00 horas do sábado
- 1ª Noite - 06:00 horas da quinta-feira às 18:00 horas da quinta-feira
- 2ª Noite - 06:00 horas da sexta-feira às 18:00 horas da sexta-feira
- 3ª Noite - 06:00 horas do sábado às 18:00 horas do sábado
Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo
Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...
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A Páscoa no Antigo Testamento é o memorial da libertação dos hebreus do Egito, representando a primeira reunião com o povo da aliança. E fal...
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Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e...


