quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
As declarações que ninguém lê.
Todos os dias milhares de pessoas postam declarações para os seus amores em postagens de centenas de páginas de uma dúzia de redes sociais!
Eu me surpreendo como passo dias sem ter o que escrever, e de repente vejo uma imagem postada em uma página de conteúdo romântico, e pessoas marcando seus pares, e, não contentes com o teor da imagem (que geralmente se resume à uma frase em letras redondas num post-it inserido colado em uma paisagem aleatória embaçada pelo enquadramento da câmera), acrescentam algumas linhas no comentário com suas declarações de amor!
Eu reparei que jamais parei pra ler uma dessas declarações até o fim!
São as declarações que ninguém lê, ainda que não sejam anônimas! São pessoais, cheias de particularidades, e por esta razão, poucas pessoas as consideram! Mas quem se importa com isso? Elas não foram feitas para serem lidas, ainda que em páginas de redes sociais. Foram feitas para que a pessoa a quem são direcionadas leia, e saiba que há páginas que falam de amor, e que há alguém que lembra dela quando vê uma das postagens!
Só que o amor é prolixo! Ele não cabe na frase do post-it, e é preciso dizer mais! É preciso ir além, ou acreditamos não ser entendidos! Não é o comum à todos, e que se resume ao teor da postagem que você quer dizer! É o peculiar, o individual, é o que vem depois do que é comum nos amores o que a gente quer deixar claro, exatamente por considerar que não é!
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Por que "Ironias do Amor" é o meu filme favorito!
Eu tenho dois filmes favoritos: "Ironias do Amor" e "Scott Pilgrim vs. O mundo"! O segundo não tem muitas razões para a escolha, a não ser o fato de que eu ainda tenho algumas raízes nerds que englobam todos os elementos do filme, desde a música ao formato gamer da história! Já o primeiro filme, eu o assisti em 2012 pela primeira vez, e tenho minhas razões para considerar este o melhor filme de comédia romântica que existe!
Talvez vocês procurem uma sinopse do filme aí no Google, mas eu evitei fazê-lo, pois talvez parte do diferencial do filme pra mim seja a minha forma de interpretar a história. Portanto, farei a minha própria sinopse!
O filme conta a história de amor de Charlie Bellow, um estudante de administração cujo o único objetivo aparente de vida é trabalhar na empresa na qual o seu pai trabalhou a vida inteira. Charlie é um típico gentleman inglês (com direito a carregar lencinho), um daqueles caras que a gente olha e pensa: "Nasceu no século errado". Eu acabei por me identificar muito com o personagem na época que assisti o filme, em razão da simplicidade excessiva das suas posições, e uma inocência que beira a lerdeza, que podemos considerar uma falta de conhecimento próprio.
O que eu mais aprecio no personagem é a importância que ele dá à questões que atualmente são relativizadas, o que percebe-se nos primeiros diálogos do filme com seu melhor amigo Léo, no qual este questiona seu amigo sobre a importância que ele dá ao envolvimento emocional, desafiando Charlie a encontrar, no parque onde estavam, uma mulher com a qual ele dormiria sem precisar conhecer. Charlie conserva o relacionamento como algo que vai além da satisfação sexual e sentimental, de forma que não cede, ainda que constrangido por seu amigo a sentir-se um idiota por ser tão "antiquado".
E no contexto desse desafio, ele vê pela primeira vez Jordan Roark: uma bela mulher visivelmente embriagada vociferando com outro homem. Naquele mesmo dia, Charlie salva a sua vida na estação de metrô, episódio no qual ela desmaia e é "sequestrada" pelo personagem. É a partir deste momento que começa uma linda história de amor, com direito a concussões, ferimentos, destruição de uma carreira estável, um quase afogamento e outras tantas desventuras, as quais não entrarei em detalhes.
Jordan foge de qualquer clichê de personagem de filme romântico. Passa boa parte do filme embriagada, discutindo com homens e crianças, e principalmente sabotando a vida de Charlie, agredindo-o e fazendo-o passar por toda forma de constrangimento, o que inclui comentários sobre a inatividade sexual do casal na grande entrevista de emprego de Charlie. No curso do filme é normal até mesmo torcer para que os dois não fiquem juntos, por compaixão do protagonista, que em conversa com seu Léo coloca sobre a mesa o pró e contras de estar com Jordan:
"Motivos para parar de ver ela:
1 - Perigo físico eminente;
2 - Boas chances de ela partir meu coração;
3 - Ela sabota a minha carreira;
4 - Ela com certeza é louca;
5 - Parece que ela gosta de me ver sofrendo;
6 - Ela tem uma bagagem emocional que assusta qualquer um;
7 - Eu não dei nenhum beijo nela, pelo amor de Deus!
8 - Ela está arruinando a minha vida;
E os motivos para continuar vendo ela?
1 - Eu to apaixonado por ela."
Pois é gente.... Quando o amor chega não tem jeito! Essa é a beleza do filme pra mim!!!
Ele mostra que o amor não tem uma fórmula ou pressupostos. Acontece! Mostra também que as pessoas amam como sabem amar, com suas peculiaridades. Alguns gostam de ouvir música no mesmo fone, Charlie e Jordan gostam de trocar tapas na estação de metrô e dançar em lugares aleatórios. E no amor, Charlie descobre o homem que ele realmente queria ser, e não o homem que esperavam que ele fosse!
Isso fica mais evidente em Jordan, que vai além da insensibilidade provocada pelo álcool, e, embora bruta e impulsiva, o objetivo dela não é bem ferir (na verdade é sim) ou sabotar Charlie. É a forma dela de amar, ao menos no período da vida dela que está passando, o que torna tudo bonito pra mim.
Como bom cristão protestante de pressupostos reformados eu também acho bastante legal a forma como o casal tenta entregar o seu futuro à casualidade, ao destino, tentando usar seus desencontros como um evidências de que não nasceram para ficar juntos!
Então, sem entrar em detalhes (tem que ver o filme!), apenas no final do filme é revelado como eles estavam enganados, e como cada acontecimento no filme foi para que ficassem juntos no final! Como eu disse, é uma análise pessoal, e o que eles chamam de destino, eu chamo de... Destino! Mas um destino decretado por um Deus que reina soberano sobre todas as coisas, e não por uma força natural de probabilidades.
Pra mim a relação de Jordan e Charlie mostram de maneira bastante simples como o destino é uma realidade, mas que embora predeterminado, precisava da ação dos dois. Não quero dizer que a decisão final era deles, pois não creio nisso, mas que a ação deles era necessária e consciente. É uma forma romântica pra mim de tentar ponderar os decretos de Deus e a Livre Agência do homem. Como o próprio Charlie declara, é necessário sair de casa para encontrar o seu amor!
Quando se declara no filme que destino é a ponte que se constrói até a pessoa amada, se declara nada mais nada menos que o destino é real, mas o agir é necessário para trazer aquilo que já era um decreto à realidade.
O final do filme é um divisor de águas, e também me marcou por mostrar que as pessoas são mais do que aparentam ou declaram, e dá vontade de assistir o filme todo de novo, observando cada cena com os olhos abertos pelo que é revelado pelo casal nas cartas que escrevem um para o outro! Jordan é mais do aparenta, e Charlie só foi capaz de conhecer a mulher que ela é, porque a amou, ainda que não tivesse motivos. E eu só fui capaz de descobrir quem era Jordan porque tive a paciência de não tacar o controle na televisão com raiva dela por todo desgosto que fez Charlie suportar!
Seis anos depois, segue sendo o meu filme favorito, por mostrar que o amor é peculiar, é coisa do casal, que tem sua forma de amar, e que tudo sofre - e como sofreu! - tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1 Coríntios 13:7). É meu filme favorito por mostrar que o amor nos vira do avesso, e as vezes põe por terra tudo aquilo que tínhamos como certeza!
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
As igrejas locais devem proceder na exclusão de membros?
INTRODUÇÃO
O objetivo do presente artigo é abordar se há na Palavra de Deus fundamentos para exclusão de membros nas igrejas. Ressalto não possuir qualquer interesse na abordagem do assunto com objetivo de criar polêmica e dissensões nas igrejas locais.
Busco, à contrario sensu, unificar o entendimento deste aspecto da doutrina da Igreja, demonstrando não só apenas a base bíblica e doutrinária da exclusão, como também os benefícios para saúde da igreja e do pecador excluído.
FUNDAMENTOS
1º A INAFASTABILIDADE DAS ESCRITURAS
"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" - 2 Timóteo 3:16-17
"... sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." - 2 Pedro 1:20-21
Considerando que no momento em que o Evangelho adquire um saber amargo, exortando o povo, homens apelam para relativização das Escrituras, sob a alegação de que o teor de determinada passagem tem aplicação restrita ao período temporal ou contexto social do povo a quem foi declarada, é de se esperar que haja quem alegue que a exclusão de membros é algo que não se aplica mais nas igrejas.
Tal alegação é descabida, em razão dos atributos do Autor das Escrituras. Deus inspirou, influenciou, soprou toda e cada palavra das Escrituras que a nós foi entregue através do Espírito Santo, de tal modo que nada se deu pela vontade ou simples cognição humana.
O autor da Palavra é Deus, o qual não mente (Tito 1:2), e no qual não há mudança ou sombra de variação (Tiago 1:17), de forma que suas palavras registradas no cânon das Escrituras são divina revelação, infalível, verdadeira e de aplicação atemporal.
A autoria humana das Escrituras não a torna relativa, em razão da ação de Deus sobre seus escolhidos, seja no falar dos profetas ou mesmo no trabalho de pesquisa que antecedeu a escrita dos evangelhos (Lucas 1:1-4).
Alegações de membros da igreja no sentido de não aplicar a Palavra no que diz respeito a qualquer parte, sob fundamento na autoria humana (por serem os homens falíveis) são pecado, e refletem falta de conhecimento (Oséias 4:6), carnalidade (1 Coríntios 3:1) ou indisposição de renovar o mundo sendo sal e luz (Mateus 5:13-16).
Ademais, olhando para Cristo, o Verbo, que foi plenamente homem, mas sem pecado, por ser Deus; é plenamente aceitável que os verbos de Deus sejam, independente da falibilidade dos autores humanos, inerrantes e dotados de todas as prerrogativas da autoria divina.
Desta forma, se há na Palavra princípios ou estatutos acerca da exclusão de membros, aspectos humanos como sociedade e história não são suficientes para afastar a aplicação da Palavra de Deus.
2º PRECEDENTES NAS ESCRITURAS
Podemos apontar a legitimidade da igreja para exclusão de membros na existência de precedente nas Escrituras.
Paulo escreve acerca da imoralidade da igreja de Corinto em sua primeira carta, no capítulo 5, citando a existência de um homem que estava vivendo uma relação incestuosa com a esposa do seu pai (vs. 1).
Paulo aponta o estado de soberba da igreja, que não se entristeceu pelo homem cometer tal ato não ter sido tirado de entre a igreja (vs. 2)! Desta forma, o apóstolo é claro não só quanto a possibilidade, mas também a necessidade da exclusão daqueles que não se apresentam regenerados.
A presença de tais pessoas tem que causar tristeza à igreja, o que pode ser considerado uma forma de avaliação da saúde espiritual da mesma, visto que a tolerância ao membro em pecado, sem arrependimento, denuncia a soberba da igreja, seu afastamento de Deus e sua condescendência ao pecado, pois uma igreja doente não realizará tratamento radical ao pecado da membresia.
É determinado que a igreja não se associe a tais pessoas, apontando não tratar-se dos gentios, sim dos que se dizem irmãos em Cristo (vs. 9 a 11).
Infelizmente algumas pessoas recusam-se a comer com os pecadores sem Jesus, mas não deixam de comer com o dito cristão, mas que no seu interior é devasso; ou, em uma atitude mais hipócrita, mostra-se em repulsa com os pecados exteriores, mas joga panos quentes sobre os pecados cometidos pela membresia, ainda que iguais (ou mesmo piores) que o de não convertidos.
Paulo é categórico ao fim do capítulo: "... Tirai pois dentre vós a esse iníquo." (vs. 13)
3º O ENSINO DE JESUS
É preciso ressaltar que todos pecamos, das mais variadas formas possíveis. A redação do presente artigo pode se tornar um pecado para mim, se a glória de Deus, o amor ao próximo e a edificação da igreja deixarem de ser meu objetivo; a sua leitura pode ser o seu pecado, se a faz não pelo crescimento na Palavra e amor à igreja, mas a fim de atacar alguém que você nutre uma inimizade. Logo, mesmo atividades ordinárias como a leitura e escrita podem ser instrumentos do pecado.
Se todos pecamos, qual o critério adotado para exclusão de membros, sem que se haja de maneira hipócrita ou intolerante, bem como evitar acusações nestes sentidos vindas daqueles à quem a medida é aplicada?
O critério a ser aplicado é a evidente obstinação e oposição à vontade de Deus no qual não há arreprendimento constatado pela comunidade de fé, visto que o Espírito Santo que habita na congregação não é de confusão (1 Coríntios 14:33).
A presença do Espírito Santo nos dando discernimento acerca da vontade do Pai é uma realidade que se molda ao ensino de Jesus em Mateus 18:15-17, que aponta para a igreja como bússola acerca da vontade divina.
Jesus nos ensina como tratar o irmão culpado. Caso ele peque, devemos levar a questão ao irmão, de forma personalíssima, sem exposição pública. Neste caso, ganha-se o irmão, que reconhece seu erro e corrige seus passos. Caso contrário, leve testemunhas que confirmem suas acusações do pecado.
Por último, o caso é levado à igreja, e não havendo arrependimento e retratação, esta o considera como gentio e publicano, ou seja, não é um cristão, ainda que tenha composto a membresia da igreja.
Logo, a exclusão de um membro da igreja não é uma atitude discriminatória e inconsistente com o amor ao próximo, pois só ocorre após todas as tentativas de convencer o pecador da perdição dos seus caminhos.
4º A AUTORIDADE DA IGREJA
Vemos em Mateus 18:18 Jesus dar autoridade à igreja para declarar, após todas as tentativas, que determinada pessoa não é cristã, desligando-a na terra, e consequentemente no céu.
Tal autoridade não procede dos homens que compõem a igreja local, e sim de Deus e Sua Palavra. Jesus é a fonte da autoridade da igreja (Mateus 28:18-20), de forma que, a exclusão de um membro não poderá ser considerada contrária à vontade de Deus, se observar aquilo que as Escrituras ensinam, e aquilo que o próprio Filho declarou.
A exclusão é permitida para a igreja, mediante autorização daquele que é o cabeça, não admitindo-se, entretanto, que se proceda de forma diversa dos ensinos da bíblia.
APLICAÇÕES
Apresentados os fundamentos, irei não só demonstrar a licitude da medida, como também os benefícios não só para igreja, como também para aquele que sofre a exclusão.
1º Se a igreja é um corpo com diversos membros funcionando em unidade, um membro da igreja local agindo doente pelo pecado pode comprometer a saúde espiritual da igreja, como uma célula cancerígena destrói o hospedeiro aos poucos. Isto pode ocorrer de diversas formas, desde o ensino enganoso, a adesão ao pecado ou o esmorecimento de alguns membros diante da sensação de omissão e relaxamento da igreja, que morre lentamente e afastasse cada vez mais da vontade de Deus.
Embora a salvação seja individual, a edificação na vida cristã é uma tarefa comunitária (1 Tessalonicenses 5:11 e Romanos 14:19), de forma que a comunhão com um membro da igreja local que não possa ser considerado um membro da igreja universal é misturar joio e trigo, luz e trevas.
Assim, a exclusão do membro não significa que a igreja seja insensível, e sim que tem a sensibilidade de compreender que o amar ao próximo não é ser condescendente com o pecado, e que o segundo grande mandamento (amar ao próximo) não pode se sobrepor ao primeiro (amar a Deus sobre todas as coisas), anulando-o pela aceitação pública e medo de esvaziamento dos bancos.
2º A exclusão de um membro não pode ser acusada como falta de misericórdia, visto que a mesma é um favor de Deus aos homens, àqueles que tomaram a cruz como justiça e Cristo como fiador.
A igreja deve ser composta por aqueles que produzem frutos de arrependimento e que demonstram a fé em Jesus pelo observar dos seus mandamentos. A exclusão não é falta de misericórdia e amor, mas a consciência de que, como representação visível da igreja invisível, assim como no porvir os pecadores obstinados não irão compor a nova Jerusalém, tais não devem compor as galerias e assembleias das igrejas.
3º A exclusão é sempre com o objetivo de preservar, seja a igreja, seja o pecador. Paulo declara que o adúltero seja entregue para destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1 Coríntios 5:5), o que aponta para o fato de que a medida buscava preservar a alma daquele homem.
Poderíamos trabalhar com a hipótese de que a exposição e exclusão fira o ego daquele homem, e mesmo que entregue ao mundo, ao sentir falta do amor do Pai, este reconheça seu pecado e retorne arrependido, como o filho pródigo (Lucas 15:11-32). Ficam os demais membros, portanto, com a responsabilidade de estar prontos a receber o pecador de volta, sem imputar à ele o pecado passado.
4º Se tal homem não retornar à Cristo, confirma-se a Palavra, e de fato aquele sempre foi gentio, não sendo ilícita a exclusão; se tal homem retornar, também confirma-se que as ovelhas de Cristo reconhecem sua voz, e nenhuma delas se perderá (João 10:28-29).
Desta forma, conclui-se que a exclusão de membros não é apenas prevista, mas necessária para a manutenção do corpo de Cristo.
Deus seja louvado acima de tudo!!!
Pedro Silva Drumond.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Rotina Poética #1
Sexta-feira, fim de expediente.
Finalmente encontro o que buscava em uma rosa carmesim de saltar aos olhos, com folhas verdes e feridas pela rotina da terra. Uma flor que começou a se abrir ao mundo, mas que ainda não revelou a plenitude de sua beleza, que será exposta exclusivamente a mulher que amo.
Imagino-a repousando a flor no copo verde da escrivaninha do quarto, e surpreendendo-se dois dias depois, após perceber que a flor desabrochou intensa e imponente. Deixo para R... não a simples atitude de dar a flor, mas saber que em torno dela o mundo floresce aos seus cuidados.
Saio ainda sob o céu metálico das nuvens que bloqueiam o sol, trazendo a memória a luz refletida em qualquer prataria bem polida. Hora de tomar a última grande decisão do dia; Qual flor daria para R...?
Quando você procura dar flores a sua amada com certa regularidade, você acaba descobrindo qual ela gosta mais (uma informação que nem ela sabe).A minha amada prefere as rosas da tenda de flores em frente ao Terminal Garagem Menezes Cortes.
Procuro uma flor dentro das minhas exigências: Não pode ser muito fechada. Uma flor assim, jovem e tímida, de desabrochar tardio, não chamaria a atenção dela na hora da entrega.
Também não pode ser madura demais, e já ter desabrochado totalmente. O ápice da alegria de R... seria receber a flor, que morreria poucas horas depois da entrega. Nas primeiras horas as pétalas começariam a perder seu vigor. Seu quarto acabaria sendo ornamentado por uma flor escurecida e opaca.
Procuro uma flor dentro das minhas exigências: Não pode ser muito fechada. Uma flor assim, jovem e tímida, de desabrochar tardio, não chamaria a atenção dela na hora da entrega.
Também não pode ser madura demais, e já ter desabrochado totalmente. O ápice da alegria de R... seria receber a flor, que morreria poucas horas depois da entrega. Nas primeiras horas as pétalas começariam a perder seu vigor. Seu quarto acabaria sendo ornamentado por uma flor escurecida e opaca.
Finalmente encontro o que buscava em uma rosa carmesim de saltar aos olhos, com folhas verdes e feridas pela rotina da terra. Uma flor que começou a se abrir ao mundo, mas que ainda não revelou a plenitude de sua beleza, que será exposta exclusivamente a mulher que amo.
Imagino-a repousando a flor no copo verde da escrivaninha do quarto, e surpreendendo-se dois dias depois, após perceber que a flor desabrochou intensa e imponente. Deixo para R... não a simples atitude de dar a flor, mas saber que em torno dela o mundo floresce aos seus cuidados.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
A Ação como um risco para Comunhão:
Estava assistindo um sermão de John Owen denominado "Tentação", no qual uma ponderação valiosa foi realizada: Quando o excesso de ação se torna um risco para oração.
Uma ponderação realizada no século XVI, mas que consegui imaginar sendo pregada em nossos púlpitos, para nossos jovens, principalmente, bem como para os que foram regenerados recentemente, e estão sedentos por obras de gratidão ao Senhor!
Será possível que as obras em nome de Deus sejam um risco para nossa comunhão com ele?
Para isso devemos considerar o conceito de tentação, e a relação íntima que esta mantém com o pecado. A tentação é a influência externa que abraça a nossa inclinação para o mal, com a finalidade de abater nossa alma, abrindo porta para o pecado.
Satanás tenta nos atrair para si, fazendo uso dos nossos desejos e emoções, e da nossa pré-disposição ao engano, turvando a nossa visão da realidade de quem somos, o que efetivamente necessitamos e o que estamos fazendo!
Logo, a menos que estejamos vivendo uma vida de sincera comunhão com Cristo, seguindo a risca a premissa de vigiar e orar, o próprio desejo das obras do Reino, movido pelo sentimento de gratidão à Cristo poderá ser uma arma nas mãos de Satanás.
Não sejamos ingênuos... Nem sempre o pecado e a queda virão com um letreiro luminoso escrito "PECADO". As vezes o pecado está na nossa porta, tão disfarçado, atraente e maquiado, como um tímido que possui um coração devasso. De repente a tentação e o pecado aparecem como uma pessoa em situação de rua pedindo auxílio... Ajudamos a referida pessoa e logo depois a nossa boa obra vai parar em alguma das nossas redes sociais.
Espere... Tanto a tentação quanto o pecado estão consumados nesse momento: a tentação disfarçada de vontade de motivar os outros a ter a mesma atitude caridosa; o pecado, quando não só sua mão direita, como também todos os seus amigos virtuais souberam o que você fez (Mt 6:3-4).
Viu como a tentação pode vir camuflada em sentimentos e ações nobres? E é neste ponto que as ações do Reino se tornam um risco para nossa vida de oração, nossa comunhão com Cristo e nossa santidade!
Assumimos tantas responsabilidades, planejamos tantas coisas, puxamos para nós mesmos as ações, crendo que ao fazer isso estamos desfrutando de uma comunhão colossal!
Talvez sim! Talvez tenhamos diversas tarefas, mas temos tempo, capacidade e responsabilidade para cumprir todas elas!
Talvez sim! Talvez tenhamos diversas tarefas, mas temos tempo, capacidade e responsabilidade para cumprir todas elas!
Mas talvez o pragmatismo (um risco das nossas igrejas), ou a vontade de ação, mesmo que por gratidão e amor sejam uma caminhada alegre em direção ao rompimento da comunhão com o Deus em nome do qual você diz agir!
Onde está o teu tempo de vigiar, quando você está correndo de uma programação a caminho de outra? Onde você ora em secreto, se está a todo tempo trabalhando, ou cansado demais no fim do dia? Realmente acredita que uma oração gentílica na iminência do sono é mais que uma vã repetição?
É sobre isso que me proponho a falar! Sobre estarmos tão preocupados em falar em nome de Deus, que deixamos de nos preocupar em falar com Deus! Quando Satanás faz uso da nossa boa intenção de agir pra nos afastar da comunhão com Deus, mediante uma vida sem oração!
Quando assumir uma responsabilidade, pondere: Se eu topar isso, haverá prejuízo na minha vida com Cristo? Eu terei menos tempo para orar? Terei tempo hábil para preparar um sermão ou ensaiar meus louvores? Nessa hora o razoável não pode ser um padrão. Você tem que estar seguro que poderá dar o seu melhor em tudo que já está fazendo antes de assumir uma nova responsabilidade.
Razoável, aceitável, bom... Nada disso se aplica quando diz respeito a nossa vida com Cristo. Tem que ser o melhor! E mais! Não assuma responsabilidades, se elas te afastarem da comunhão e afinidade com o Senhor e Sua Palavra!
Irmãos... Tomem cuidado quando o pecado vem disfarçado de boa obra, e de obra pro Reino.
Nadabe e Abiú não tiveram esse cuidado, e ofereceram fogo estranho ao Senhor (Lv 10:1-2),
Uzá tinha boa intenção e amor quando foi morto por tocar a Arca da Aliança (2 Samuel 6:1-9), mas não deveria fazê-lo, pois era proibido (Nm 4:6,15). A tentação veio como a boa vontade de evitar a queda da Arca, mas a morte pelo pecado de tocá-la!
O povo judeu teve a Lei, mas não teve a fé e comunhão com o Filho! (João 1:11)
Não deixem que suas ações, por melhores que sejam as intenções, te afastem da comunhão com Deus!
Fragmento de Crônica - Rua da Quitanda
Todos os dias eu caminho na Rua da Quitanda.
Aquela rua que as vezes sufoca de tão apertada;
que a calçada vira rua, rua vira calçada;
Onde preocupado com a vida, não reparo em mais nada;
exceto naquele prédio com uma porta de cofre no hall da entrada.
que a calçada vira rua, rua vira calçada;
Onde preocupado com a vida, não reparo em mais nada;
exceto naquele prédio com uma porta de cofre no hall da entrada.
Rua de paralelepípedo irregular. De gente caindo, tamanco quebrando, gente descalça dando topada.
Pobres meninos...
Sem chinelos e sem infância.
Pobres tamancos...
Braços esguios tentando sustentar o peso de querer se estar mais próximo do céu.
Sem chinelos e sem infância.
Pobres tamancos...
Braços esguios tentando sustentar o peso de querer se estar mais próximo do céu.
Rua cinza, opaca, úmida e molhada;
que faz esquina com a Rua da Assembleia;
vizinha da Rua do Carmo,
aquela que é lar de muita gente sem lar.
Aquela rua que tem mais engraxate do que sapatos.
que faz esquina com a Rua da Assembleia;
vizinha da Rua do Carmo,
aquela que é lar de muita gente sem lar.
Aquela rua que tem mais engraxate do que sapatos.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Após um bom tempo afastado...
Boa tarde, gente....
Após um bom tempo afastado, resolvi voltar a postar. Tenho dessas fases na qual a gente não tem nem vontade de produzir nada, e nem de compartilhar. Acho que todos sabemos que a vida tem esses momentos de silêncio, onde a gente não quer produzir nada.
Nos últimos meses minha conta da NetFlix finalmente teve alguma utilidade, e pela primeira vez na vida consegui assistir uma série até o final.
Bem...
Estou retornando com algumas ideias novas. Talvez meus textos oscilem nos temas, e vocês conheçam assuntos de interesse que eu nunca expus a ninguém.
Também pretendo escrever algumas crônicas, algo mais atrativo pra quem procura um Blog hoje. Nem todo mundo gosta de poemas, poesia e afins. E eu tenho muito a dizer, e quero ser ouvido.
Então espero que gostem do que vem por aí!
Após um bom tempo afastado, resolvi voltar a postar. Tenho dessas fases na qual a gente não tem nem vontade de produzir nada, e nem de compartilhar. Acho que todos sabemos que a vida tem esses momentos de silêncio, onde a gente não quer produzir nada.
Nos últimos meses minha conta da NetFlix finalmente teve alguma utilidade, e pela primeira vez na vida consegui assistir uma série até o final.
Bem...
Estou retornando com algumas ideias novas. Talvez meus textos oscilem nos temas, e vocês conheçam assuntos de interesse que eu nunca expus a ninguém.
Também pretendo escrever algumas crônicas, algo mais atrativo pra quem procura um Blog hoje. Nem todo mundo gosta de poemas, poesia e afins. E eu tenho muito a dizer, e quero ser ouvido.
Então espero que gostem do que vem por aí!
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