domingo, 19 de fevereiro de 2023

Buscando o Reino de Deus

PELAS PARÁBOLAS DE JESUS, O QUE É O REINO DE DEUS?

Mateus 13: 24 - Ao homem que semeia a boa semente no campo, e junto com o trigo cresce joio: o Reino de Deus é a igreja verdadeira, que será revelada apenas no fim dos tempos. Tanto o joio como o trigo tinham aparência semelhante nos seus primeiros estágios de crescimento. Quando a diferença era percebida, já se tornava inviável remover o joio sem danificar o trigo, pois a raiz de ambos estava entrelaçada. Portanto, o Reino de Deus é a igreja que hoje persevera e sobrevive ao joio roubando seus nutrientes; e será evidenciada em toda a sua glória no momento da colheita, onde será separada do joio definitivamente.

Mateus 13:31-32 - Semelhante ao grão de mostarda: a história do povo de Deus começou  aparentemente pequena. É a história da promessa feita à um único homem, no qual todas as famílias na terra seriam benditas (Gênesis 12); é a história de um bebezinho numa mangedoura que muda a vida de milhares de pessoas; é a história de cada pequeno mártir, como Estêvão, cujo testemunho faz crescer a igreja. O Reino de Deus é a história de um único homem se sacrificando para que incontáveis outros homens pudessem ter acesso ao Senhor de maneira direta.

Mateus 13:33 - O fermento que leveda tudo: mesmo que o Reino de Deus comece pequeno, o seu impacto é gigantesco e se aplica a todas as coisas. 

O QUE É BUSCAR O REINO DE DEUS

1 - BUSCAR O REINO DE DEUS É BUSCAR O REI - 1 Timóteo 1:17

Jesus Cristo sempre nos foi apresentado como o Rei dos Reis, e mesmo no seu momento de maior sofrimento, ele não perdeu a Sua Soberania. Um reino só existe se houver um rei a ser servido e do qual os servos recebem proteção e benefícios; e ao qual se oferece serviço e fidelidade. 

Portanto, buscar o Reino de Deus é buscar o próprio Jesus Cristo na sua vida.

2 - BUSCAR O REINO DE DEUS É BUSCAR A IGREJA - Lucas 17:20-21; 1 Timóteo 1:16

Paulo nos ensina em sua carta aos Romanos, no capítulo 17:17-19, que o Reino de Deus está diretamente ligado à Igreja, que biblicamente, sempre foi a representante visível do Reino invisível. Se o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito, necessariamente o Reino de Deus está presente na existência da igreja e da comunhão entre os santos. O Espírito Santo é o consolador da igreja até que Jesus volte, de forma que não se fala de Reino de Deus a despeito da Igreja.

Onde a igreja está presente, o Reino está presente, como fora dito que o reino de Deus "está dentre vós", ou seja, presente no meio daqueles que o buscam: a igreja de Cristo. Tudo aquilo que se espera do Reino Vindouro pode ser desfrutado em menor grau pela igreja de hoje: amor, paz, alegria, misericórdia, justiça, comunhão com o Senhor e adoração com os santos.

3 - BUSCAR O REINO DE DEUS É AGORA -  Salmo 10:16; Salmo 145:13

O Reino de Deus é eterno: declaramos que Cristo não se tornará o Rei apenas no fim dos tempos, mas que Ele reina sobre todas as coisas no tempo presente. Um ponto de destaque se dá pelo esclarecimento de que a vida eterna não é outra vida, mas a vida presente, ressurreta na vida de Cristo. A vida eterna é a nossa vida projetada para a eternidade, sem descontinuidade desta existência para a que está por vir. Buscar o Reino de Deus é servir a Deus e se relacionar com ele totalmente no tempo presente.

É por isso que Jesus, em Mateus 6:33, convida os homens a buscarem primeiro o Reino de Deus, na fé é convicção que todo o mais necessário seria acrescentado. Jesus não diz as pessoas que não precisarão mais comer, ou beber, ou se vestir, como se o Reino de Deus anulasse essas coisas futuramente. Ele diz para as pessoas viverem o Reino de Deus primeiro, e que essas coisas seriam acrescentadas, embora não fossem as mais importantes. 

4 - BUSCAR O REINO DE DEUS É VIVER A ESPERANÇA DAS COISAS QUE AINDA ESTÃO POR VIR - Daniel 7:13-14; Apocalipse 21

O Reino de Deus está presente onde a igreja está presente, ao mesmo tempo em que há bençãos do Reino e a própria presença do Rei guardados para nós na completude do plano da salvação. A própria mensagem da salvação traz a doce expectativa do fim do pecado, renovação da criação e ressurreição de todos os filhos de Deus de maneira glorificada - 1 Coríntios 15:12-20.

Buscar o Reino de Deus é viver diligente, aguardando as promessas de Jesus para nossa vida. É permanecer vigilante, com os olhos no alto. É renovar as nossas forças para vencer o pecado, cientes que um dia ele não vai mais fazer parte da nossa vida. É poder enxugar as lágrimas, sabendo que um dia só derrubaremos elas por razões de alegria, e não mais de sofrimento.

 5 - BUSCAR O REINO DE DEUS É BUSCAR JUSTIÇA SOCIAL 

Deus na Sua Palavra sempre demonstrou Sua preocupação com os necessitados e hipossuficientes. Vimos anteriormente que o Reino de Deus começa pequeno e muda tudo a sua volta. Isso também ocorre através da prática da justiça social. Um pequeno gesto contra a desigualdade e sofrimento do nosso próximo por si só gera um grande impacto na vida da pessoa auxiliada. A história de mudança nem sempre vai começar com pregações impactantes que convertem milhares de pessoas, mas pode começar com pequenas atitudes que evidenciem o amor a Deus e ao próximo.




sábado, 4 de fevereiro de 2023

Tu és este homem - 2 Samuel 12:1-14

A história de Davi é a prova clara da honestidade do Evangelho sobre a verdadeira condição dos homens. Ela nos mostra a benção de Deus ao escolher para si o menor da casa e exaltá-lo sobremaneira; ela nos mostra um simples pastor de ovelhas se tornar um líder militar e rei de toda uma nação. Davi nos é apresentado como o homem segundo o coração de Deus.

Ao mesmo tempo, a mesma Palavra que apresenta todos os méritos de Davi e as bençãos do Senhor na sua vida, nos apresenta também o seu pior. Por ser Davi um homem segundo o coração do Deus, e pelo próprio Senhor escolhido para reinar Israel, não vemos Deus esconder de nós nenhuma das sua falhas. A bíblia nos apresenta sua desobediência ao fazer o censo do povo de Israel, e também o seu adultério e assassinato cometido para encobrir o seu pecado. O homem segundo o coração de Deus nos é apresentado como alguém que violou dois dos dez mandamentos.

No capítulo 11 de 2 Samuel nós vemos que Davi cobiçou e tomou para si a mulher de um dos seus soldados. Seu pecado não poderia permanecer encoberto, visto que a esposa de Urias havia ficado grávida do relacionamento com Davi, num período no qual o seu marido estava fora de casa, guerreando com os amonitas. Nós vemos Davi tentar fugir da responsabilidade e do escândalo público ordenando que Urias retorna-se para casa, e tivesse a oportunidade de deitar-se com a esposa em tempo hábil de ser considerado o pai de eventual criança que viesse a conceber.

Urias, compadecido da situação dos demais soldados que permaneciam acampados e distantes das suas famílias, decide não voltar para casa, e permanecer nas tendas dos guerreiros. A resposta de Urias, embora correta e nobre, não era a desejada por Davi, que precisava esconder os seus erros. Davi então decide dividir a mesa num banquete com o soldado, para ter a oportunidade de embriagá-lo e induzi-lo a voltar para casa. Esse plano também não dá certo.

Vendo o tempo passar sem qualquer sucesso, Davi toma uma decisão extremamente cruel: ele ordena o assassinato de Urias, enviando-o para o campo de batalha num combate sem perspectiva de retorno. O homem segundo o coração de Deus sacrifica centenas de soldados com o intuito de que um deles em específico não retornasse para casa e descobrisse o seu erro. Neste plano Davi teve sucesso.

A bíblia, portanto, ensina para nós tanto o potencial para o bem através da ação do Espírito Santo no coração do homem; como também a luta constante contra o pecado, que em determinados momentos da vida nós iremos perder. A Palavra nos ensina tanto as virtudes que devemos alcançar, como também nos apresenta os erros que devemos evitar, através da narrativa dos pecados e consequências na vida dos santos que nos antecederam.

No texto bíblico de hoje vemos que o sucesso do plano de Davi não havia passado despercebido pelos olhos de Deus, que enviou um profeta para repreender o rei e apresentar a sentença pelo crime cometido. O homem que era responsável pela morte de outro homem poderia pagar com a própria vida. Um homem e uma mulher que adulterassem poderiam ser apedrejados até a morte segundo a lei  mosaica. O plano de Davi objetivava proteger o rei das consequências do seu pecado, o que jamais seria aceito pelo Senhor. O homem que conduzia o povo de Deus na terra não poderia ser um transgressor da Lei do Senhor e permanecer impune. 

A repreensão de Davi através do profeta Natã é uma lição maravilhosa para a vida de todos nós. A frase ríspida e direta do profeta ao rei ecoa através dos tempos e chega a nós com a mesma acusação. Olhar para a forma que nos portamos em relação ao pecado próprio e do outro é nos depararmos com a Palavra do Senhor dizendo para nós: "Tu és este homem".



O texto bíblico nos ensina algumas lições muito práticas.

1º Nós somos extremamente cruéis com o pecado do nosso irmão, esquecendo que cometemos pecados semelhantes ou até mesmo mais escandalosos.

A Palavra nos mostra que enquanto ouvia o relato do rico que havia lesado ao pobre tomando o que era seu deixou Davi extremamente irado. Enquanto o profeta relatava o crime cometido Davi ficava cada vez mais enfurecido com a grande injustiça que estavam relatando para ele. E em nome de Deus ele declara que aquele homem era digno de morte. Ele exige a reparação quatro vezes maior pelo prejuízo financeiro causado ao pobre, como única forma de compensar o sofrimento da vítima e punir o transgressor. A fúria de Davi seria extremamente pertinente e verdadeira, se não fosse ele mesmo o acusado pelos crimes narrados.

Davi que antes estava inflamado pelo sentimento de justiça agora se encontrava diante do profeta tendo que confessar que pecou contra o Senhor. Neste momento todo sentimento de justiça necessária é substituído pela constatação do próprio pecado e do fato de ser ele mesmo repreensível e passível de morte. O próprio Deus enviara para ele o profeta, para que expusesse o crime cometido e ouvisse do rei a sentença a ser aplicada. Neste momento, Davi havia condenado a si próprio.

Nós, da mesma forma, temos muita facilidade para apontar e condenar o pecado das pessoas a nossa volta. Nós ficamos extremamente irados quando descobrimos o pecado de alguém, e questionamos como é possível que alguém que se diga "filho de Deus" seja capaz de cometer tal erro. O problema é que geralmente nós estamos cometendo pecados semelhantes ou mesmo mais escandalosos que o do nosso irmão, com a diferença de que os nossos erros sempre tem uma justificativa. Somos capazes de nos arrepender verdadeiramente e seguir em frente tentando lançar nossos pecados no esquecimento, enquanto olhamos para nosso irmão pecador e desejamos a maior exposição, confrontação e consequência possível para ele. Em termos simples: o pecado do outro é sempre mais grave.

2º O pecado precisa ser confrontado para que o nome de Deus não seja blasfemado

O texto bíblico nos mostra que mesmo que o plano de Davi tenha dado certo, ele precisaria confrontar o seu pecado e ser responsabilizado por ele. O próprio Deus envia um profeta com a Sua exortação para o rei, para que não houvesse dúvida de que a vontade do Senhor prevaleceria. Ser o rei de Israel não traria a Davi um tratamento mais benéfico em relação ao seu pecado. Até mesmo pelo fato de ser o rei, todos os olhos estavam voltados para ele.

O pecado do rei não permaneceu em oculto, e o que ele havia feito com Urias atravessou o campo de batalha, de forma que Natã declara que as ações de Davi faziam com que o nome do Senhor fosse blasfemado pelos amonitas. O grande líder do povo de Deus na terra era um assassino e adúltero, enquanto a Lei do Senhor condenava ambas as coisas. O testemunho do rei entrava em contradição com aquilo que Israel deveria representar para os povos a sua volta. Davi precisava ser confrontado.

Conosco também não é diferente. Tirando os pecados que cometemos em pensamento, aqueles que praticamos através das nossas ações sempre serão pedra de tropeço para o nosso próximo, e para todas as pessoas a nossa volta. Quando as pessoas nos percebem impunes pelos erros que cometemos, não é apenas o nosso nome que é jogado na lama, mas o testemunho do evangelho nas nossas vidas que é colocado em xeque. Estamos vivendo tempos complicados, onde parte da igreja se entregou à idolatria política e outros pecados, e o nome do Senhor tem sido menosprezado por isso. 

Sem entrar no mérito de se uma pessoa é verdadeiramente cristã ou não, a verdade é uma só: quando o nome de Jesus é proclamado por lábios impuros e de cristãos repreensíveis, a nossa pregação perde força, e ser cristão deixa de ser visto como um sinônimo de virtude e passa a ser visto como sinônimo de hipocrisia. O povo de Deus passa a ser tratado como aquele que condena tudo o que pratica em secreto.

3º Diferente de nós, quando Deus se ira com o nosso pecado ele estende a mão para levantar e não para agredir.

Davi é exortado pelo profeta, uma sentença é proferida, e o pecado teria consequências, como todas as ações necessariamente tem. Davi havia tentado esconder o seu pecado, e Deus decidiu que ele seria repreendido, e punido publicamente. O filho oriundo do adultério faleceria, e posteriormente o  seu leito e concubinas seriam violadas publicamente, para que Davi fosse envergonhado perante todas as pessoas.

Ainda assim, Deus envia suas palavras através de Natã: Também o Senhor perdoou o seu pecado; não morrerás.

Deus não pune por punir, ele não fere por ferir. Ele não se compraz sadicamente da dor dos Seus filhos. Pelo contrário, o seu jugo é suave, e a sua repreensão é sempre justa e com vistas a edificar o pecador. Se Davi, como rei, havia decretado a morte do homem que cometesse um pecado semelhante ao dele, Deus por outro lado havia decidido misericordiosamente ao seu favor.

Deus deseja que você confronte e confesse os seus pecados para que possa caminhar junto com ele.

E semelhante ao nosso Senhor Jesus, precisamos aprender a olhar para o pecado do outro com misericórdia.

sábado, 29 de outubro de 2022

Relacionamentos que edificam (Romanos 12:2)

 



"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Romanos 12:2

Quando lemos o capítulo 12 da carta de Paulo aos Romanos, vemos a sua exortação e apelo à igreja, para que seus irmãos em Cristo consagrem a sua vida a Deus. O capítulo, como um todo, é um apelo para que o filho de Deus seja humilde na sua vida cotidiana e reflita em como fazer o seu dia a dia neste mundo caído um exercício constante da busca pela vontade de Deus. A luz deste texto, precisamos falar de relacionamentos que edificam.

1º O seu relacionamento com Deus

Quando falamos de relacionamentos que edificam, não há como não começar pelo mais importante deles: o relacionamento com Deus. Este versículo nos ensina a necessidade de experimentar mais de Deus e Sua vontade boa, perfeita e agradável, e, na mesma medida, afastar-se do doce veneno do pecado e oportunidades que o mundo oferece. Paulo está falando de relacionamento, na medida em que roga que apresentemos nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; mas também está falando dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Toda ação, seja em direção a Deus ou não, começa naquilo que pensamos. 

Então o primeiro passo para construir relacionamentos que edificam, e construir um relacionamento com Deus. Você precisa entender que a coisa mais importante do mundo é caminhar com o Deus que te ama, e o relacionamento que efetivamente você não pode viver sem é o relacionamento com o Senhor Jesus. Você precisa compreender que Jesus sempre esteve e sempre estará comprometido com você, mesmo quando você nunca tinha ouvido falar dEle. 

Jesus Cristo leva o relacionamento com você tão a sério, que Ele ofereceu a própria vida por isso. Cristo tem um amor e compromisso tão sério com você que se dispôs a morrer para isso! Você PRECISA compreender que o relacionamento que mais vai edificar a sua vida é e sempre será o seu relacionamento com Deus. Você precisa pensar como suas ações e palavras afetam as pessoas a sua volta, mas acima de tudo, você precisa pensar em como afeta o seu relacionamento com Jesus.

Não se conformar com o mundo é a receita que Paulo apresenta para que você possa experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Isso significa que se você quiser experimentar mais de Deus, você precisa se afastar cada dia mais das coisas que te afastam dEle. Veja que o versículo não está dizendo que Deus te abandona, porque isso não é verdade. Ele diz que você será capaz de experimentar essa relação, e sentir o quanto ela é boa pra você.

Você vai perceber que ter amigos e família é bom. mas ter amigos e família caminhando com Jesus é perfeito. Você vai perceber que as dores e dificuldades são menos dolorosas, e que mesmo nos piores momentos ainda é possível sorrir. Você vai perceber que todas as pessoas a sua volta podem estar enlouquecendo e perdendo a cabeça, mas você continua firme nas promessas do Senhor.

2º O seu relacionamento com você

Você também precisa compreender o quanto é importante refletir a forma como você se relaciona consigo mesmo, afinal, tirando Deus, é a outra única pessoa que vai estar ao seu lado 24h por dia. Veja que Paulo adverte que o cristão não deve se conformar ao mundo, e, ao invés de mandar nós corrermos para as colinas ou nos escondermos numa caverna, ele manda que façamos uma transformação nas nossas mentes. Aprender a se relacionar consigo mesmo, refletindo seus sentimentos, motivações, ações, planos e projetos é extremamente importante.

Você precisa renovar o seu entendimento primeiro, antes de tentar ajudar as pessoas a sua volta. É aquela velha questão do homem que tenta apontar um cisco no olho do seu irmão, tendo uma estaca cravada no seu próprio olho. Se você precisa investir no seu relacionamento com Deus, precisa estar atento em como a sua forma de pensar pode beneficiar ou prejudicar isso!

Por um lado, você precisa sempre estar atento para que a sua estima não seja tão alta que te torne uma pessoa soberba e desumilde. Você precisa compreender que é um pecador sim, que erra tanto quanto os outros a sua volta, e, às vezes, tem pecados mais escandalosos que o de algumas pessoas que não tem Jesus Cristo. Você, estando de pé, precisa tomar cuidado para que não caia.

Por outro lado, você não pode estar ancorado nos seus erros e decisões do passado, afinal, a cada dia que passa Cristo renova as misericórdias dEle em nossas vidas. Quem você foi, as palavras que disse, e os erros que cometeu não devem te impedir de seguir em frente com Jesus. Você precisa refletir nas suas ações sim, mas não ficar preso a elas, lamentando ou justificando a sua omissão no fato de ser um pecador. Na igreja, todos nós somos.

Assim, você precisa renovar o seu entendimento acerca de si mesmo, das pessoas e do mundo a sua volta, olhando para Palavra de Deus e pensando em como você pode fazer para viver e experimentar a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor em todas as coisas. Você precisa focar menos nos problemas e mais na solução, que é Jesus. Lembrar do amor dEle, e da forma como pra Ele, que é Deus, o seu passado não importa.

3º O seu relacionamento com o mundo e com o outro

Colocar o seu relacionamento com o mundo como um "relacionamento que edifica" é um convite e desafio necessário na vida de cada um de nós. Não se trata do mundo nos edificar, mas de nós, renovados em nosso entendimento, fazer dele um lugar melhor. Afinal, a boa, perfeita e agradável vontade de Deus pode ser experimentada ainda neste tempo, através da presença da igreja e do Espírito Santo no mundo.

Sim, o mundo é cruel, jaz no maligno e hostiliza a vontade de Deus. Quanto mais santa e correta for uma coisa, mas o mundo vai odiar ela. Entretanto, a sua ação pode mudar a vida das pessoas a sua volta. Não é você que tem que ser influenciado pelas falas e ideias erradas que o mundo tem a oferecer; Deus espera que você seja a influência. E ainda que não possa convencer uma única pessoa que seja, Ele espera que você possa se manter digno diante dEle e não ceder. Sacode o pó das suas vestes e segue firme.

Você precisa entender que a aprovação de ninguém vale a pena a desaprovação de Deus. Um namorado, amigos, carreira e mesmo popularidade e influência social não valem a pena uma vida distante de Deus. Você precisa colocar Jesus em todos os seus relacionamentos. Afinal, se Deus é o caminho, a sua carreira e passos tem que ser nEle; se é a Verdade, qualquer amizade só vai ser verdadeira com a benção dEle; se é a Vida, não dá pra viver sem Ele de forma alguma.

Se você quiser ter um relacionamento de verdade com uma pessoa, Cristo precisa estar nessa relação. Você precisa viver relacionamentos que edificam a sua vida com Cristo, mas que também edificam a vida das pessoas a sua volta. Você é a luz em meio as trevas do mundo, a pessoa que Jesus separou pra viver a pregar a vontade dEle a todos que ainda precisam ouvir. Veja que todo o capítulo 12 fala sobre isso, e sobre a forma como você ama, perdoa, se alegra e se entristece com as pessoas a sua volta. Não se relacione com alguém simplesmente para se relacionar: se relacione com uma pessoa, sabendo que a sua presença na vida dele deve trazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Você pode ser o instrumento de salvação que Deus para a vida de alguém.

domingo, 14 de agosto de 2022

Olhar para trás e dar um passo a frente - 167 anos de Congregacionalismo Brasileiro

Em 19 de agosto de 2022 comemoramos os 167 anos do Congregacionalismo Brasileiro, e como faço em todas as demais datas comemorativas, aproveito para fazer uma retrospectiva da história e avaliar tanto se tenho motivos para estar comemorando, quanto qual a lição que os meus irmãos deixaram para mim, que eu possa aplicar hoje.

Acredito que essa análise é extremamente necessária, e quando olhamos para trás, podemos claramente  vê-la na própria razão de ser congregacional. Foi a análise feita por parte de um grupo de puritanos inseridos na Igreja Anglicana sobre si e sobre a estrutura da Igreja, compelindo-os a lutar pelo direito de ter igrejas autônomas e independentes. No fim, ser congregacional sempre será a liberdade de olhar para sua igreja, associação ou União de Igrejas e tentar mudar a história ativamente através da sua voz e voto.

A data que comemoramos não é a do surgimento das primeiras igrejas evangélicas congregacionais no mundo, e sim o início do congregacionalismo no Brasil. Não é uma história que inicia com uma grande igreja e um templo chamativo: ela começa com um casal, uma pequena escola dominical e serviços de culto doméstico, oração e estudos bíblicos. A nossa história começa em 19 de agosto de 1855, com a fundação de uma escola dominical em Petrópolis, sob a direção de Robert Kalley e Sara Kalley.

Assim como foi no começo, precisa ser hoje. A sua história e contribuição para nossa denominação começa no seu pequeno grupo de influência, nas pessoas a sua volta que você consegue alcançar através do seu ensino, e principalmente do seu exemplo. Antes de formar uma igreja estruturada, o casal Kalley estruturou pessoas para fazerem parte do Corpo de Cristo, dando a elas o ensino da Palavra, e meios para acessá-la.

A primeira igreja congregacional só vai surgir quase três anos depois, em 11/07/1858, no Rio de Janeiro, chamada de Igreja Evangélica Fluminense, onde ocorreu o primeiro batismo de um brasileiro: Pedro Nolasco de Andrade. 

Não sei se você sabe, mas o nome "Congregacional" estava com a imagem um tanto manchada naquela época, razão pela qual tanto a Igreja Evangélica Fluminense, quanto a Igreja Evangélica Pernambucana, fundada em  19/10/1873 não receberam essa palavra no nome! Ainda assim, foram as duas primeiras igrejas congregacionais. Isto porque ser congregacional nunca foi sobre a palavra que aparece na placa da sua igreja, mas sobre a forma como nós vivemos como comunidade de fé. Ser congregacional é acreditar que Deus é soberano nas decisões locais e diárias de cada igreja, de maneira igual, não havendo hierarquia entre elas, mas uma abençoada relação de colaboração e comunhão.

Entretanto, não basta ter um modelo congregacional na organização da igreja. É preciso partilhar a mesma fé e doutrinas fundamentais do Cristianismo, que podem ser resumidas no documento oficial adotado pela nossa denominação: os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo, lançados em 02/07/1876. Os artigos são realmente curtos, mas nem por isso são rasos no seu conteúdo. A base de uma vida cristã e conhecimento saudável sobre Deus e Sua igreja estão contidas ali.

O número de igrejas foi crescendo, crescendo e cresceu mais um pouco, tanto no Brasil quanto em Portugal, razão pela qual, em 06/07/1913, igrejas brasileiras e portuguesas formaram a Aliança das Igrejas Evangélicas Indenominacionais (até agora o nome continua sendo evitado). Aquelas igrejas compreenderam que ser autônomas e independentes não as tornavam o foco exclusivo de comunhão e adoração ao Senhor. Em um exercício de humildade, tais igrejas se uniram em uma união de igrejas que visava buscar uniformidade na sua prática da fé e colaboração mútua, afinal, adoravam ao mesmo Senhor! Elas entendiam que deveriam honrar e glorificar ao nome do Senhor juntas, colaborando umas com as outras em benefício do Reino de Deus! 

Nós também precisamos viver essa comunhão que extrapola os limites geográficos da igreja local, e buscar estar juntos em nossas associações de igrejas e na UIECB. Falando diretamente a você que é jovem, tem UMEC, FEMEC e COMEC, em nível local, regional e nacional, respectivamente! Queremos seu envolvimento conosco na UICEB, junto com outros milhares de jovens que partilham a sua fé! Você não está sozinho, e você pode edificar e ser edificado por outros irmãos espalhados por todo o país! Você pode (e deve hein!) fazer a diferença na vida dos seus irmãos em Cristo, dentro da sua denominação! 

E não se deixe enganar por palavras e relatos pessimistas de que não há conformidade entre as igrejas na UIECB, que há muita discordância e brigas nas nossas assembleias deliberativas, e que por vezes pastores se afastam de colegas de ministério em decorrência desses problemas. Afinal, se você olhar para história da nossa denominação vai perceber que ser congregacional não é pensar igual em tudo, mas permanecer unido, apesar das diferenças, mesmo que por um breve período de tempo a relação com seu irmão pareça rompida. É entender que somos todos parte do mesmo Reino, e um Reino no qual não há divisão.

É por isso nossa história e composta de uniões, separações e reaproximações. Em 1942, por exemplo, nós nos unimos com a Igreja Cristã Evangélica do Brasil e formamos a União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil (UIECCB). Por discordância nas práticas de batismo, questões acerca da segurança da salvação e modo de governo, um grupo de 51 igrejas se separou 1960 e formou a União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB). Mas calma, que essa ainda não é a nossa!

Em 1968 as igrejas que permaneceram na UIECCB desfizeram a união de igrejas e ficaram sendo representadas pela Igreja Evangélica Congregacional do Brasil. No fim de tudo, os dois grupos se uniram novamente, em 1969 e formaram a nossa UIECB!

E esse é um breve resumo da nossa história! Uma história de altos e baixos, onde pessoas foram perseguidas por sua fé, direitos precisaram ser conquistados e igrejas se uniram e separam. Por outro lado, o nome do Senhor foi pregado com amor e zelo, e mais e mais igrejas continuaram a surgir. Essa não é apenas a história da nossa denominação. É a história da sua igreja, e também a sua história.

Rogo ao meu Senhor Jesus Cristo que você possa desenvolver a atitude e coragem necessária para viver a sua história conosco, exercendo os dons e talentos que o Senhor te deu, em benefício da sua igreja, em primeiro lugar, mas também da sua Associação Regional e União de Igrejas.

Que Deus nos abençoe em mais um ano!



domingo, 14 de novembro de 2021

Aniversário da Igreja Congregacional de Pedra Bonita


Desejo aos irmãos da Igreja Evangélica Congregacional de Pedra Bonita a  alegria e direcionamento que apenas o Espírito Santo é capaz de nos dar! Parabéns  por mais um ano dedicado ao Senhor Jesus!!!

Quando lemos Romanos 8 estamos diante de uma mensagem emocionante e inspiradora de esperança e paciência. Mas também nos apresenta a certeza de outras coisas que num primeiro momento nos parecem ruins, como oposições, acusações e condenações.

É certo que ao abordar estas coisas, Paulo quer mostrar para igreja que mesmo o seu sofrimento coopera para o bem daqueles que verdadeiramente amam a Deus. Desta forma, a igreja de Cristo deve estar ciente de que foi chamada por Deus, e cada um dos seus membros tem um propósito santo.

Mesmo que as vezes não sejamos capazes de entender, há sim um propósito para nossos dilemas, conflitos e experiências de vida. Todas elas nos conduzem, em vida, para o Senhor da Igreja. Pensando nisso, qual é o propósito dos membros de uma igreja?

Compreender o propósito de uma igreja, é antes de tudo compreender a nossa condição diante do Senhor! Éramos seus inimigos, indignos de nos apresentar diante do Senhor por causa dos nossos pecados. Éramos, por natureza, desobedientes, egoístas e amantes da idolatria.

Os homens caminham dia após dia em direção à destruição e oposição a tudo que vem de Deus, e é santo. A própria natureza sofre as consequências do nosso pecado. Tudo a nossa frente é destrutivo e autodestrutivo. Por vezes nós lemos notícias de crimes tão horrendos e sofrimentos tão intensos, que fazem o mundo lá fora questionar se Deus realmente existe!

Deus, por outro lado, em Sua imensa bondade, decidiu chamar homens, mulheres, crianças e adolescentes para Si, os escolhendo desde a eternidade com um propósito. Esse é o propósito  dos membros de uma igreja: ser a imagem de Jesus Cristo no mundo! 

Nós, a igreja de Cristo, recebemos a maravilhosa missão de pregar sobre a misericórdia de Deus através do Seu Filho Jesus Cristo, o qual é o primogênito de muitos irmãos; o cabeça da igreja; aquele que vem antes de tudo; aquele por meio do qual todas as coisas existem, e sem o qual nada existiria.

A primeira razão que a igreja de Pedra Bonita tem para comemorar seu aniversário, é que o próprio Jesus Cristo a selecionou desde a eternidade para levar a mensagem da cruz pelo bairro de Aldeia da Prata e por todo o mundo! Deve comemorar, pois um dia Deus chamou cada um de vocês, membros da igreja, e deu um propósito abençoado.

Devem comemorar, pois seus pecados foram perdoados e justificados pelo Senhor Jesus Cristo, e hoje caminham em direção ao novo céu e terra, no qual louvará diante do Senhor, sem pecado, mas de maneira glorificada e pura.

Portanto, repito a pergunta do apóstolo: Diante de tudo isso que já falamos, se Deus é por nós, quem será contra nós?

Essa é a segunda razão pela qual devemos comemorar o aniversário da igreja! Pedra Bonita é alvo do amor e proteção do próprio Deus! É o próprio Deus que a sustenta diariamente, protegendo-a e edificando-a. Deus exorta e consola a igreja, e distribui gratuitamente o Seu amor e os Seus dons espirituais!

Deus amou tanto cada membro da Sua igreja, que deu Seu próprio Filho por ela! Fazendo isso, ele nos deu todas as coisas, e a maior delas foi a salvação! A igreja deve comemorar que não há nada mais que ela possa receber de especial, pois todas as coisas já foram dadas para ela gratuitamente e por amor!

A terceira razão pela qual devemos comemorar, é que ela não precisa temer acusações! Ora, irmãos, se o próprio Deus nos considera justos, não importa o que o resto do mundo diga sobre nós! Não devemos temer ser acusados de qualquer coisa quando pregamos e  vivemos a Palavra, pois o único a quem importa temer é o próprio Senhor!

E sendo acusados, se viermos a ser julgados e condenados por tribunais dos homens e pela opinião pública, louvado seja o Senhor!

Cristo nos salvou e nos deu um propósito, é isto  é o que importa para nós! Todos os dias ele olha atentamente para Sua igreja  e intercede junto ao Pai por nós,  de forma que não somos condenados ao inferno por nossos pecados! 

Essa é a quarta razão pela qual devemos comemorar: O Filho de Deus está aqui nesse momento! Ele participa ativamente da vida e atividade da igreja. Ele não está distante de nós, mas está conosco a cada culto e louvor! Ele caminha lado a lado conosco e nos orienta nas nossas decisões! Ele participa ativamente da nossa santificação colocando-se ao lado do Pai e intercedendo pelo nosso bem! 

Por fim, a igreja deve comemorar porque nada a separará do amor de Cristo! Ele morreu  e ressuscitou por nós! Nem mesmo nossos pecados podem nos separar do amor de Deus, pois Ele nos amou e salvou quando ainda éramos Seus inimigos.

Nem nós, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus. Nem mesmo perseguições, ou  fome, ou ameaças e nem mesmo a morte podem nos separar de Jesus e do Seu amor verdadeiro! Em todo contexto possível a igreja de Jesus vai triunfar, crescer e existir, pois a vitória está em Cristo, que já triunfou.

Que a Igreja Congregacional de Pedra Bonita não esqueça jamais que a maior razão pela qual deve comemorar é poder amar e louvar ao Senhor Jesus Cristo!

Pedro Silva Drumond,
Seminarista da Igreja Evangélica Congregacional de Niterói, em atividade na Primeira Igreja Evangélica Congregacional de Marambaia.
 

sábado, 6 de novembro de 2021

Congresso Teen - 2021 - Brilhe para glória de Deus

 


1 - Qual o significado e a importância do amor ágape na Bíblia??

O amor ágape pode ser compreendido basicamente como o tipo de amor que Deus sente por sua criação e por sua Igreja. Devemos entender ágape como um amor abnegado, incondicional, que procede da vontade e determinação de amar!

Assim, é mais fácil compreender como Deus nos ama, mesmo sendo pecadores. O amor de Deus não é baseado puramente nos seus sentimentos pela humanidade, pois do contrário, ele viveria irado conosco. Quer dizer que, independente de qualquer coisa, Deus está determinado a nos amar!

Deus é tão determinado a nos amar e tem tanta vontade de nos salvar, que deu Seu Filho para morrer em nosso lugar (João 3:16)!!!

E qual a importância disso?

Em primeiro lugar, o amor ágape é um consolo nos momentos que pecamos, pois Deus nos conforta com a certeza de que os nossos erros não vão nos afastar do Senhor para sempre. Se Deus está sempre determinado a nos amar, e nos amou mesmo quando éramos Seus inimigos, isso significa que não há nada que vai nos separar do amor dEle!

Em segundo lugar, o amor ágape é um padrão que nós cristãos devemos buscar. O amor ágape não deve ser tratado como algo sempre impossível para igreja, mas como algo que nós devemos buscar. Se somos imitadores de Cristo, precisamos aprender a amar como Ele amava: ágape.

Isso tanto é verdade, que o amor ágape vai ser cobrado da igreja expressamente, como por exemplo, em Efésios 5:25: "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela".

2 - Deus perdoa todo e qualquer pecado?

NÃO!

Existe o pecado que não pode ser perdoado, que é a blasfêmia contra o Espírito Santo, como o próprio Jesus declarou em Marcos 3:28-30 e Lucas 12:10.

Devemos, entretanto, levar esses textos em consideração junto com textos como o de Atos 16:31 e João 6:40, no qual fica claro que a fé no Filho garante a salvação do homem. Logo, não são considerados como blasfêmia contra o Espírito Santo:

  • Negar Jesus Cristo durante um tempo;
  • Negar por um tempo a graça de Deus;
  • Negar a divindade do Espírito Santo durante algum tempo;
  • Pecar contra o Espírito Santo;
Como definir Blasfêmia contra o Espírito Santo? A blasfêmia contra o Espírito Santo é a atribuição consciente da obra do Espírito Santo à Satanás; é negar a obra de Cristo por Cristo, atribuindo o que ele fez ao diabo. Dizer que Jesus era aliado do inimigo de Deus.

Não se trata de um único pecado, e sim a demonstração de um estado de pecado através da oposição intencional e obstinada ao poder do Espírito Santo, tendo como exemplo o texto de 1 João 5:16.

3 - Cristãos com pensamento comunista, pode?

Na teoria o comunismo é uma ideologia que prega o fim das desigualdades sociais, através da democratização dos meios de produção e acesso igualitário às riquezas produzidas. Marx buscava o fim dos conceitos de classe social e propriedade privada.

Vamos analisar o comunismo por quatro perspectivas:
  • Estado: no comunismo  o Estado não existe.
  • Propriedade privada: não existe propriedade privada, e os meios de produção pertencem a todos os cidadãos.
  • Forma da divisão da produção: tudo é dividido conforme a necessidade de cada pessoa.
  • Classes sociais: não existem.
Com base nestas informações, o cristão pode ser comunista?

Cristão pode acreditar na ausência do Estado? Não, pois ele é a espada de Deus para punir os injustos, conforme Romanos 13:4-6. A razão pela qual o comunismo não funciona, é porque se torna inviável pensar num mundo onde o pecado e maldade dos homens não existam, de forma que o Estado e sua função punitiva também deixem de existir. Sempre será necessário um agente regulador das relações pessoais, o qual deverá fiscalizar a aplicação da justiça e das leis.

Cristão pode acreditar na ausência de propriedade privada? Sim, mas não pode impô-la, pois é questão de foro íntimo! Aos que usam o texto de Atos 2:44-46, lembrem-se de que o que acontecia em Jerusalém não foi uma regra fixada pelos apóstolos, e nem o modelo aplicado nas demais igrejas.

Em primeiro lugar, a igreja de Jerusalém estava lidando com uma consequência do seu crescimento. No derramamento do Espírito Santo em Pentecostes judeus do mundo inteiro estavam presentes, e os que se converteram ficaram na cidade. Ou seja, milhares de pessoas sem atividade laborativa e residência. Como a igreja resolveu isso? Vendendo as propriedades excedentes e partilhando com essas pessoas.

E ainda assim, isso não era a regra, pois quando Ananias e Safira morreram, o próprio apóstolo Pedro declarou que a razão não foi em não ter dividido o dinheiro todo, mas por mentirem para Deus (Atos 5:1-4). Eles poderiam ter sido sinceros quanto a ter retido parte do fruto da venda.

Em segundo lugar, a propriedade privada é consequência direta do mandamento do Senhor de que o homem trabalhe, e que o mesmo seja digno do seu salário. Por vezes na Palavra de Deus vemos o Senhor tornar seus servos prósperos nos seus negócios, de forma que os mesmos reconheçam o Seu cuidado.

Além disso, vemos que a Lei nunca determinou que o homem abdicasse das suas terras ou colheitas, nem que as dividisse, mas que permitisse que os frutos da colheita que caíssem no processo fossem deixados para os mais necessitados. Deus quando determina desta forma está deixando bem claro que Seu intuito é que de fato cuidemos dos mais necessitados, mas em momento algum impõe a divisão da propriedade privada.

Então se um cristão acredita no fim da propriedade privada, deve ele mesmo abrir mão da sua em benefício dos outros, e viver como um monge franciscano, apenas com aquilo que é necessário para sobrevivência.

O cristão pode acreditar na divisão conforme a necessidade de cada um? Não, pelos motivos acima. Entretanto, o cristão deve acreditar na abertura de oportunidades iguais, e na assistência e justiça social que permita que isso ocorra. Somos encantados pela ideia de todo mundo tendo todas as coisas por igual, mas isso é até mesmo impossível quando olhamos para alguns bens.

É possível se falar na busca pelo acesso igualitário à cesta básica, à saúde, segurança, e por estas coisas devemos lutar. Outra coisa é falar, por exemplo, que bens de difícil ou escassa produção poderão ser divididos igualmente para todas as pessoas do mundo inteiro, ou mesmo de um país. Haverá sempre alguém que ficará de fora da divisão, não por ser inferior, mas porque a oferta de um determinado bem por vezes vai ser menor que a sua demanda!

Quanto ao fim das classes sociais, Marx queria por fim à burguesia e proletário, democratizando o acesso aos meios de produção. Como nós já falamos, é errado impor a divisão da propriedade privada a ponto de que deixe de existir a figura de um empregador e trabalhador. 

O cristão, por outro lado, deve lutar por leis trabalhistas justas, que assegurem a dignidade da pessoa humana e condições dignas para o exercício da atividade laborativa.

4 - Cristão pode "ficar"?

Não.

O plano de Deus para o relacionamento entre um homem e uma mulher sempre foi um espelho do relacionamento consigo mesmo. Assim, para que eu possa me relacionar com alguém, não basta ter desejo, vontade e atração. É preciso ter comprometimento, responsabilidade e comprometimento com a outra pessoa. Você não vai encontrar na bíblia nenhum romance desses que a gente vê na Netflix  onde uma paixão arrebatadora pega o casal, e rola aquela coisa "de pele".

Você sempre verá na Palavra um homem e uma mulher que assumiram um compromisso pra vida inteira um com o outro!

Discursos como "E como você vai saber se gosta do beijo da pessoa?" não tem qualquer função. O beijo, o carinho, tudo isso é sempre bom quando há amor. Se há a intenção de demonstrar amor e carinho quando nós beijamos nossa namorada/ noiva/ esposa, é evidente que tudo será bom.

Na verdade, essa história de "Como vou saber se gosto do beijo da pessoa?" quer dizer outra coisa: Como  vou saber que o beijo da pessoa vai me atiçar sexualmente? Quem fala isso, na verdade, quer saber se vai ficar excitado na hora do beijo, o que é uma curiosidade bastante perigosa para se ter, se o seu objetivo é um relacionamento santo.

5 - Como posso fazer boas obras?

O conceito bíblico de boas obras é defini-las como aquilo que fazemos em obediência ao Senhor (João 15:6), como fruto (e não a causa!) da nossa salvação, e com o objetivo de glorificar o nome do Senhor. Todas as coisas na sua vida podem ser feitas como uma boa obra, se elas forem consequência de uma mente e coração que estavam dispostos a agradar a Deus quando as realizaram!


domingo, 31 de outubro de 2021

A procura da Palavra como uma das maiores lições da Reforma Protestante

 

"Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para o meu caminho."

Salmos 119:105


No dia de hoje comemoramos o Dia da Reforma Protestante, quando Martinho Lutero fixou nas portas da Catedral de Wittenberg as suas 95 Teses acerca da prática de indulgências pela Igreja Católica Romana. Lutero desejava iniciar uma Disputa, um debate teológico acerca daquelas práticas, através da qual o perdão pelos pecados e mesmo a salvação eram oferecidas para quem pudesse pagar mais.

Quando o reformador afixou as teses, a sua luta não era contra a Igreja Católica, muito menos contra o Papa: Lutero lutava pelo respeito à Palavra de Deus.

Na nossa reflexão de hoje, gostaria de abordar um dos aspectos mais marcantes de toda a Reforma Protestante, qual seja, a possibilidade de procura e acesso a Palavra de Deus por todas as pessoas. Embora eu vá abordar alguns aspectos do período da Reforma, o ponto principal de hoje é refletir no que chamamos de Sola Scriptura. Quais são as lições de Lutero e dos reformadores quando eles se posicionam em prol das Escrituras?

1ª lição: Sem a Palavra, somos levados por todo vento de doutrina, movimento ou heresia

O período da Reforma e da Pré-Reforma  é marcado pela falta de conhecimento, no geral. A maioria da sociedade era analfabeta, e pouquíssimas pessoas sabiam ler. No geral, essas pessoas pertenciam ao clero. Já a Palavra, antes da prensa de Gutemberg, precisa ver reproduzida página por página, manualmente, o que limitava muito o número de cópias.

Portanto, era comum que as pessoas comum as pessoas acreditarem em tudo que os sacerdotes e o clero afirmavam. Sem o conhecimento acerca da verdadeira fé em Jesus Cristo, as pessoas acreditavam que precisavam se submeter a tudo que lhes era exigido. 

Havia uma visão sinérgica acerca da salvação, pela qual a penitência era capaz de fazer que os homens se livrarem da culpa dos seus pecados, seu período no purgatório, e mesmo dos seus familiares. Um papa poderia declarar um verdadeiro cristão em herege, e fechar as portas do céu para quem desejassem.

Isso nos ensina, que sem o acesso direito à Palavra de Deus, todos nós somos como aquelas pessoas que não tinham a capacidade de discernimento. Todos nós podemos ser vítimas de maior ignorância, e mesmo de homens maliciosos dispostos a usar a nossa fé para o seu próprio benefício. 

Somente a Palavra de Deus pode nos proteger de todos estes males.

2ª lição: A Palavra de Deus é a regra de fé e prática da igreja

Quando olho para Lutero diante da Dieta de Worms, vemos um homem de consciência limpa. Lutero estava disposto a entregar a sua vida, mas totalmente avesso à ideia de rejeitar seus escritos, pois acreditava que estavam totalmente de acordo com a Palavra. Lutero mostrando a todas as pessoas, e a nós, que a consciência do cristão é escrava de Cristo, e não dos homens.

Lutero declarou na Dieta:

“A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é evidente que todos eles frequentemente erram e se contradizem); estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa à Palavra de Deus: não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência. Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém!”.

A Palavra de Deus precisa ser a regra de fé e prática da igreja; aquilo que faz os homens agirem ou pararem; falarem ou se calarem. A  igreja que Lutero buscava era a igreja que buscava a Palavra como meio de descobrir uma vida que agrada a Deus.

Com esta afirmação, não estou negando a autoridade pastoral e a tradição da igreja, mas afirmando que não podem se posicionar em contradição com a Palavra. Caso ocorra, os mandamentos devem ser observados, e nem a ordem eclesiástica.

Também não nego as autoridades civis, pois a própria Palavra as definem como espada do Senhor, meio de justiça e punição do injusto. Digo, por outro lado, que nossa submissão ao Estado não deve ficar acima da submissão ao Senhor.

Por último, não nego a autoridade pastoral, mas que a mesma deve ser confrontada com os mandamentos do Senhor.

3ª lição: O acesso à Palavra precisa ser universal

Lutero se dedicou à tradução da bíblia do latim para o alemão, para que as pessoas comuns pudessem ter acesso ao texto bíblico sem necessidade de um intermediário. O reformador entendia a necessidade do acesso do povo ao Seu criador.

O que é o evangelho se não Deus falando diretamente com os homens? Privar os homens da bíblia é privá-los do contato com Jesus.

É partindo dessa premissa que precisamos lembrar que há grupos sociais com acesso muito restrito à Palavra e à pregação. Reflita: se um deficiente auditivo entrar na sua igreja hoje, há um intérprete de Libras preparado para isso?

A igreja deve investir na propagação do evangelho, no trabalho de intérpretes, tradutores, medidas de acessibilidade e capacitação de pessoas para alcançar os perdidos.

4ª lição: É através da Palavra de Deus que podemos ser santificados

Quando olhamos para a Igreja no tempo de Lutero, vemos um quadro deprimente. Havia um declínio moral extremo entre o clero, que necessariamente precisava observar o celibato. Como consequência, muitos sacerdotes tinham concubinas, frequentavam prostíbulos ou mantinham relações ilícitas com mulheres da sua congregação.

Estamos falando de um clero sem preparo teológico, que tinha mais contato com determinações papais e de autoridades da igreja do que com a própria Palavra.

Também estamos falando de um clero corrupto, que por vezes vendiam decisões, cargos, e mesmo a salvação e o perdão.

As pessoas não sabiam que era possível glorificar ao Senhor, vivendo de maneira santa nas coisas comuns, como estudo e profissão.

5ª lição: Pregar o simples evangelho é pregar o evangelho de uma forma que seja simples para quem está ouvindo

Lutero escreveu dois catecismos: o Maior e o Menor. Textos que visavam ensinar uma congregação, e mesmo um clero, sem qualquer preparo teológico.

Com isso, Lutero nos ensina que pregar o simples Evangelho é pregar de forma simples para quem está ouvindo, o que não significa negar espaço ao profundo ensino e estudo teológico.

Precisamos entender que alguns se converterão com poucas palavras, outro, talvez, mediante um debate filosófico ou científico à luz da teologia. 

Devemos sempre adequar o conteúdo ao público alvo da mensagem, o que não significa diluir o evangelho e empobrecer seu conteúdo.

6ª lição: Precisamos usar todos os meios de propagação da Palavra:

POR CAUSA DA RELAÇÃO DE LUTERO COM A MÚSICA

MÚSICA, MÍDIAS SOCIAIS, CINEMA, PODCASTS, ETC

7ª lição: Manter a sua bíblia fechada é ignorar toda a luta que vivemos para que tivéssemos acesso a ela

EXORTAÇÃO A SE VOLTAR PARA PALAVRA DE DEUS NOVAMENTE

A IGREJA LUTOU PARA QUE O POVO PUDESSE TER A PALAVRA, PARA HOJE MANTERMOS A BÍBLIA FECHADA, NÃO A ESTUDARMOS, E NÃO BUSCARMOS COMPREENDÊ-LA

Os 28 artigos da breve exposição das doutrinas fundamentais do Cristianismo

 Artigo 1 - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus "Existe um só Deus, vivo e pessoal; suas obras no céu e na terra mani...