sábado, 29 de abril de 2023

Cosmovisão cristã sob a perspectiva do Reino de Deus

 

A cosmovisão cristã é a forma como você interpreta a realidade, fenômenos e acontecimentos a sua volta, tendo como premissa a Verdade do Evangelho. Como já declarado por Felipe Fontes, da Mackenzie:

"A cosmovisão cristã não é apenas um conjunto de ideias, mas é, antes de qualquer coisa, um conjunto de verdades com as quais estamos comprometidos. Por isso, é fácil vê-la na forma como vivemos e não só no que entendemos como verdade. Porque ela transcende a teoria."

Se a sua cosmovisão diz respeito a forma como você interpreta o mundo, ela não é meramente um ideal subjetivo, mas se reflete principalmente nas suas ações. Se reflete na forma como você se posiciona socialmente, politicamente, filosoficamente. Se reflete na forma como você interpreta um dogma  ou recebe uma informação. A sua cosmovisão vai definir em qual lado de um debate você vai estar posicionado, por quais pautas sociais você vai lutar, e mesmo a forma que você vai se comportar.

Quando falamos do conjunto de verdades que pautam a nossa cosmovisão, estamos falando das verdades bíblicas, as quais geralmente são sintetizadas em quatro pilares: criação, queda, redenção e consumação. Portanto:

  • Deus é o criador do universo e tudo que nele há (Gênesis 1:1);
  • Todos os homens são pecadores à semelhança de Adão (Romanos 3:23-26);
  • Cristo morreu e ressuscitou para reatar o relacionamento dos pecadores com Deus (Romanos 3:23-26);
  • Na consumação dos tempos Deus fará novos céus e terra para habitarmos com Ele (Isaías 65:17).
Os quatro pilares da cosmovisão cristã, na verdade, poderiam ser resumidas na cosmovisão do Reino de Deus. O cristão entende a realidade presente e as suas expectativas quanto ao futuro do ponto de vista de que Deus Reina sobre toda a criação. Há diversas passagens bíblicas que evidenciam o Reino de Deus não apenas como algo futuro, mas também como a realidade do povo cristão.

Essa visão do Reino de Deus como algo presente e agora nos torna responsáveis pelas coisas que acontecem a nossa volta. O Reino gera uma consciência transformadora e história, que nos revela a postura social, política e religiosa que precisamos viver. O próprio Cristo é quem declarou a contemporaneidade do Reino de Deus:

"Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está entre vós."

Lucas 17:20-21 

Quando dizemos que o Reino de Deus é eterno, declaramos que Cristo não vai se tornar o Rei apenas no fim dos tempos, mas que desde sempre Ele reina sobre todas as coisas. Uma teologia que ensine o homem apenas a olhar para o futuro com esperança escatológica é uma teologia ruim. Viver a cosmovisão cristã nada mais é do que buscar a Cristo diariamente através da política, ciência, vida religiosa, família, trabalho, etc.

Portanto, a cosmovisão do Reino de Deus parte das seguintes premissas:

  • Cristo reina por toda a eternidade, englobando passado, presente e futuro;
  • O Reino de Deus é experimentado onde a igreja de Cristo está presente;
  • Como Rei, os decretos do Senhor são experimentados através do impacto da moral de Deus na elaboração das leis.
  • O cristão não deve se omitir diante do crescimento da maldade e depravação, sob o argumento de que o mundo jaz no maligno, e não pertencemos a ele.
  • O cristão deve ser o padrão moral e exemplo para os demais a sua volta.
  • A igreja deve ser influente para além do seu culto e atividades internas.

Pra quem não entender a razão da imagem: sua cosmovisão é a lente pela qual você enxerga o mundo hehehe



quinta-feira, 6 de abril de 2023

Uma Páscoa para recordar a segurança que só Cristo concede

A Páscoa é uma data comemorativa para nós, cristãos, de extrema importância e complexidade. Ela é capaz de gerar os mais variados sentimentos naquele que reflete o que a Palavra registra sobre a morte e ressurreição de Jesus Cristo. O nosso Senhor, o Filho de Deus, levou sobre si as nossas dores e transgressões, sofrendo castigo que estava reservado para cada um de nós. Os últimos capítulos do evangelho de Mateus relatam a história do martírio de Jesus em nosso lugar, e a grande questão que fica é: como recordar com alegria e reverência uma data tão especial para nós, mas que envolve tanto sofrimento do nosso Senhor?

Jesus deixa para nós o verdadeiro exemplo de que a vida também é composta de momentos nos quais sorrimos e nos alegramos em meio ao sofrimento e ansiedades. São os sorrisos ensombrecidos que somos capazes de dar durante um momento de muita angústia. Quando somos capazes de nos contentar, mesmo que infimamente, em meio a lágrimas e tristezas. Na véspera da sua traição, tortura e morte, Jesus ceiava na companhia dos discípulos que amava; eu meio a dores físicas e emocionais ele conseguiu olhar com amor para sua própria mãe; e mesmo sob zombaria, ele clamou ao Pai pelo perdão daqueles que só desejavam a sua morte.

Relembrar o sofrimento de Jesus é sempre um motivo de muita tristeza, mas pensar que tudo ocorreu da exata forma como Ele determinou, e que tudo foi feito intencionalmente em nosso benefício torna a lembrança também um motivo de alegria. Pensar que tudo foi feito por misericórdia de amor é motivo para glorificar e se alegrar no Senhor!

São os pequenos detalhes que fazem toda a diferença! É dito que ele "entregou o espírito" (Mateus 27:50), Sua vida não foi roubada, e sim dada de boa vontade para nos dar vida. A morte foi apenas uma etapa do plano do Senhor, e após o terceiro dia o Senhor ressuscitou, tendo reaparecido para os seus discípulos, orientado eles e prometido que estaria conosco até a consumação dos séculos. Cristo foi o sacrifício definitivo para perdoar os pecados de todos os homens que depositam nEle a sua fé. 

Então podemos encarar a Páscoa como a oportunidade de recordar a segurança que só Cristo concede. Se seguirmos os exemplos do nosso Senhor Jesus, seremos capazes sim de sofrer imaginando as dores que Cristo levou em nosso lugar, mas, ao mesmo tempo, seremos capazes de sorrir sabendo que o sepulcro amanheceu vazio. 

Cristo é o Cordeiro Pascal, que foi ferido e moído por nós. O Cordeiro que levou sobre si a iniqudade e nossas dores, embora não tenha aberto sua boca, como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:4-7 c/c Atos 8:34-35. É o dia de recordar a segurança que só Cristo pode trazer, e compreender que a morte já foi derrotada, e que o sepulcro está vazio. Em Cristo nascemos novamente, e um dia estaremos  pessoalmente na presença dEle. Sem pecados ou sua influência. Apenas a alegria de se estar diante de Deus.

A Páscoa traz a lembrança do sofrimento, mas também nos traz alegria da salvação e o exemplo maior do amor de Deus. A lembrança da agonia do Senhor na cruz, e da esperança, surpresa e felicidade de encontrar o sepulcro vazio, e constatar que de fato o Senhor cumpriu a promessa que nos daria a vida eterna.


domingo, 2 de abril de 2023

O que dar a quem pode te dar tudo?

 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.

Hebreus 11:6


Constantemente eu me pego pensando no qual desequilibrada é a relação do cristão com Jesus. Entenda como equilíbrio o estado no qual ambos os lados possuem o mesmo peso, de forma que a balança não pende para nenhum dos lados. É uma relação desequilibrada no tocante as partes envolvidas, tendo em vista que de um lado temos o Deus Todo Poderoso, ilimitado em conhecimento, poder, autoridade, santidade, bondade; enquanto do outro lado temos um homem, pequeno, breve, inconstante e incapaz de agradar ao Senhor em seu estado natural e pecaminoso.

Mas essa relação também  é desequilibrada quando pensamos no próprio objeto da nossa relação com Deus. O preço da nossa vida, o perdão dos nossos pecados, a restauração da santidade verdadeira e nossa capacidade de viver plenamente felizes por toda a eternidade ao lado do próprio Deus que nos criou está de um lado da balança, enquanto do nosso lado há apenas fé naquele que é capaz de todas estas coisas. Em termos simples, Jesus nos diz: "Eu posso te dar tudo!"; e nós respondemos "Eu posso acreditar nisso!". 

Há de fato esse desequilíbrio, que nos levaria a acreditar verdadeiramente que estamos em constante dívida com o Senhor Jesus. Entretanto, a carta aos Hebreus, e mais especificamente seus capítulos 10 e 11 nos mostram que estamos errados! Acreditar que você está em dívida com Jesus é negar o que Ele mesmo fez por você, afinal, Ele é Deus, e morreu na cruz no seu lugar exatamente para que a dívida do seu pecado fosse quitada. E somente nesse caso poderíamos falar de equilíbrio na nossa relação com Deus, pois de um lado temos o Senhor pronto para receber o preço dos nossos pecados, e do outro o Filho de Deus com plena capacidade de quitar a dívida por nós.

A questão que fica é: O que podemos dar para Jesus, se Ele próprio é quem pode nos dar todas as coisas?

Podemos (e devemos), dar ao Senhor a nossa fé.

Não são poucos os versículos espalhados pela bíblia sagrada no qual o nosso Senhor deixa claro que o que Ele deseja de nós é a fé. Em João 6:35 o Senhor declara: "Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.". Em João 11:25 ele declara: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá". Então o que nós de fato somos capazes de dar a Deus é a nossa própria fé.

E dar a nossa fé não é apenas uma questão de sentimentos, pois dela depende a nossa própria salvação.  Os textos lidos acima deixam bem claro que é necessário ter fé no Senhor Jesus para que não haja mais fome e sede, e para que viva eternamente, ainda que morto. 

É impossível agradar a Deus sem fé em Jesus, pois a condição do homem sem a ação de Jesus Cristo na vida dele é de ser objeto da Ira de Deus. A gravidade dos nossos pecados faz com que não haja boa disposição do Senhor ao nos contemplar como criaturas rebeldes que diariamente vivemos como se Ele não importasse. 

É impossível agradar a Deus sem a fé em Jesus, porque antes de tudo é impossível estar diante de Deus e Sua santidade plena com a mancha dos nossos pecados. É preciso estar santificado e irrepreensível para estar diante de Deus, que é Santo.

Então o primeiro passo é acreditar que Ele existe

A mensagem sobre a fé não é sobre ter fé na humanidade, ter fé no nosso potencial para o bem, ter fé nas gerações futuras, e espiritualmente falando, nunca foi sobre ter fé com base em sinais e prodígios. Fé é desenvolver o conhecimento de Deus, acreditando que Ele existe, e, mais especificamente, caminhou entre nós, morreu por nós, ressuscitou por nós e ainda hoje intercede por nós junto ao Pai. É muito fácil para o homem acreditar que Jesus é uma figura histórica que marcou o mundo, deu bons exemplos e lições de como desenvolver a humanidade, mas isso não é tudo.

A verdade é que precisamos crer que Deus existe, e Jesus não era só um homem, mas também o próprio Deus conosco. Ele não pregava sobre o potencial do homem melhorar e conquistar a sua própria salvação, pelo contrário, ele sempre pregou o Reino de Deus, declarando a Si mesmo como o caminho, a verdade e a vida. Ele é categórico ao afirmar que NINGUÉM vai ao Pai senão por meio dEle. Ele não pede que os homens tenham fé na sua capacidade de fazer o bem e evoluir um tanto mais a cada geração que passa. Jesus ensina constantemente que é preciso depositar a sua fé no próprio Senhor, pois o mundo jaz no maligno.

O segundo passo é acreditar que Ele é galardoador daqueles que o buscam

O autor da carta aos Hebreus encerra o versículo sobre a impossibilidade de agradar a Deus dizendo não apenas que é necessário ter fé e acreditar que Deus existe, mas também que ele é galardoador daqueles que O buscam. Portanto é certo que Deus se agrada de você no seu reconhecimento das bênçãos que diariamente Ele o presenteia.

A fé é trabalhada não apenas como o acreditar que Deus existe, mas que Ele existe e cuida de você diariamente. É impossível agradar a Deus se você vive como se o Senhor estivesse distante, afinal, a fé não é liturgia e rito, e sim relacionamento. Quanto mais se conhece de Deus, mas fé nós desenvolvemos. É por isso que é impossível agradar a Deus sem uma fé que O reconhece como abençoador daqueles que O buscam, pois quanto mais próximo você está do Senhor, mais e mais você consegue ver as bênçãos dEle pra sua vida.

A fé compreende acreditar nas bênçãos do Senhor, porque o relacionamento do homem com Deus já começa com uma bênção, e a principal delas: a salvação. Se você não crê nessa bênção logo no começo, não vai conseguir ter fé e agradar ao Senhor. Jesus morreu na cruz te oferecendo o melhor e maior presente da sua vida. E não só te presenteou com essa salvação, como também com todas as demais coisas as quais você pode ser grato. Família, emprego, alimentos, proteção física, cura de doenças, felicidade, amor, etc. Você agrada a Deus reconhecendo que todas essas boas dádivas são presentes dEle para você.

Deus não quer apenas que você saiba que Ele existe, é Todo Poderoso e está irado com os homens pelos seus pecados. Muitas religiões acreditam na existência de uma divindade poderosa que abusa dos homens ou exige deles sacrifícios em troca de benefícios para aplacar a sua ira. Nosso amado Deus apenas exige que tenhamos fé na obra dEle em nosso benefício, e isso nos é imputado por justiça, como diz Romanos 4:3-5.

Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada por justiça.

Romanos 4:3-5

Você agrada a Deus tendo fé no que Ele fez por você, na Sua misericórdia contigo. Isso para o homem já é extremamente difícil, pois desejamos o controle e a certeza naquilo que fazemos. A salvação, por outro lado está totalmente fora do nosso controle, pois Cristo realizou toda a obra sozinho. Isso tira do homem o controle sobre o que de fato o leva para perto de Deus e o coloca na condição de uma criança totalmente dependente dos cuidados dos seus pais.

Então a resposta é simples: 

O que dar a quem pode te dar tudo? Apenas a sua fé. Acredite diariamente que Deus existe, e que Ele existe para você. Que as Suas misericórdias se renovam a cada dia. Que Ele te deu gratuitamente a salvação, e todas as demais bênçãos que você tem na sua vida. Agrade a Deus com fé, se aproximando e conhecendo mais dele, desenvolvendo um relacionamento mais íntimo com ele. Dê ao Senhor a única coisa que Ele exige de você.



terça-feira, 21 de março de 2023

My Cristo Academy

O anime Boku no Hero (My Hero Academy) traz a história de um jovem, chamado Izuku Midoriya, que nasceu sem poderes numa sociedade onde a maior parte da população é superpoderosa! Ele admira um herói chamado All Might, considerado o herói nº 1, e símbolo de esperança para todas as pessoas.

All Might possui uma individualidade chamada One For All, que é passada de geração em geração e guarda em si mesma a força de todos que utilizaram esse poder antes. Seus poderes permanecem junto ao One For All e são repassados para o usuário atual, que pode fazer uso deles.

Em primeiro lugar, podemos comparar Cristo ao All Might e todos os usuários do One For All: o nosso Senhor é o símbolo de esperança e justiça, aquele que é por tudo e todos, e sem o qual nada existiria (João 1:3) 

Aquele Plus Ultra no tinhoso!


A igreja pode ser representada pelo próprio One For All: carregamos conosco a força e as conquistas dos nossos irmãos que vieram antes de nós em prol do Reino. Assim como a individualidade, nos tornamos mais fortes a cada nova geração, e contra nós o mal não prevalece! (Mt 16:18) Choramos com os que choram, nos alegramos com os que se alegram, e, acima de tudo, testificamos Cristo e aprendemos com os testemunhos dos nossos irmãos.

"A verdadeira natureza do One for All é a capacidade de passar para alguém toda a experiência, vontade e habilidade que foram acumuladas. É o símbolo daqueles que carregam o fardo de proteger o futuro." - Nana Shimura, Boku no Hero Academia



É nesse sentimento que nós bem sabemos que somos um só corpo, num só Espírito, sendo chamados em uma só esperança da nossa vocação. Devemos andar de forma digna da nossa vocação, suportando-nos uns aos outros em amor (Efésios 4:1-4)

Assim como no anime, mesmo quando parece que o mal irá prevalecer, a esperança e fé no portador do One For All renova as nossas forças e nos motiva a continuar!  Mesmo feridos e cansados, nos levantamos mais uma vez! Somos perseguidos, abatidos, mas nunca destruídos! (2Co 4:8-9)

Diante das aflições, tentações e setas do maligno, não se desespere! Sejam fortes e corajosos, pregando a Palavra de Deus em todo tempo e lugar, fazendo discípulos em todas as nações e batizando-os! (Mateus 28:19)

Lembre-se nos seus piores momentos que o próprio Senhor Jesus disse que estaria conosco todos os dias até o fim dos tempos (Mateus 28:20). É exatamente como o All Might fala: 


Não temam, cidadãos, a esperança chegou...



PORQUE EU ESTOU AQUI!

domingo, 19 de março de 2023

Não construa uma Torre de Babel - Gênesis 11:4-6

 "Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra. Então, desceu o Senhor para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer."

Gênesis 11:4-6


A história da Torre de Babel é uma das histórias bíblicas mais conhecidas do Antigo Testamento. Lembro-me de sequer ser um cristão quando fiquei sabendo dela pela primeira vez. Eu era uma criança, e havia recebido um livro de histórias bíblicas com gravuras, e uma delas representava o momento da confusão de línguas. Na verdade, a gravura não correspondia bem à realidade do que a Palavra de fato narra, pois longe de registrar a confusão das línguas, ela registrava um caos quase apocalíptico onde homens despencavam do alto da Torre de Babel e caíam mortos. É uma conjectura muito grande, porém não totalmente impossível que a confusão tenha gerado mortes e conflitos, tendo em vista que a falta de diálogo por vezes ocasiona a violência entre os homens.

A história da queda de Babel não fala sobre Deus ficar ofendido pela torre ser muito grande e tocar os céus, como se isso fosse capaz de permitir que os homens alcançassem ao próprio Senhor. Afinal, a terra é o escabelo dos seus pés (Isaías 66:1) e nem mesmo os céus poderiam conter a glória de Deus (1 Reis 8:27). 

A lição da queda de Babel e desse sermão diz respeito à desobediência, afinal, Deus havia ordenado ao homem que multiplicasse e enche-se toda a terra (Gênesis 9:1). Não era porque a torre era alta e majestosa que Deus decidiu confundir os homens, mas porque, em primeiro lugar, ela nem deveria ter sido construída. Toda a humanidade descendia de Noé e sua família, os únicos que foram salvos pelo Senhor. Não é possível negar a existência de outras línguas antes do dilúvio, mas é correto afirmar que após ele só havia um idioma.

Os homens se uniram, num único propósito, o qual Deus havia tencionado destruir: fazer a sua própria vontade, de maneira irrestrita, e sem a possibilidade de serem afligidos. A partir do momento que o homem não se espalhasse, diminuiria a possibilidade de um conflito entre povos; e, no mesmo sentido, se todos partilhavam o mesmo idioma, isso favorecia o diálogo e a identidade de uma única nação. Na mentalidade daqueles homens, era o contexto perfeito para que prosperassem e se fizessem grandes aos próprios olhos. Acima de tudo, era o ambiente perfeito para que a perversidade do homem crescesse novamente, como um dia já havia sido.

1º Devemos tomar cuidado para não erguer Torres de Babel

Com isso me refiro a nossas tentativas falhas de construir grandes coisas que aos nossos olhos justifiquem postergar ou mesmo ignorar a vontade de Deus para nossas vidas. Me refiro aos esforço hercúleo que fazemos para tornar o nosso nome célebre o suficiente para aparentar ser justo e razoável não atender ao chamado de Cristo para nós. 

É a tentativa falha do homem em construir um grande negócio que tome o seu tempo que deveria estar dedicando ao Evangelho e ao Reino. São os grandes projetos que justificam o tempo roubado de devoção, comunhão, leitura da Palavra e oração, como se as necessidades imediatas dos nossos objetivos terrestres fossem mais urgentes que a saúde da nossa vida espiritual.

São os filhos que colocamos no mundo e com os quais justificamos a recusa de um chamado ministerial, assim como o jovem judeu não atendeu ao chamado do próprio Jesus porque precisava enterrar o seu pai primeiro. Como se tornar nossos descendentes célebres fosse o grande projeto das nossas vidas até que completem a maioridade, e em alguns casos, a famosa "Geração Coruja" que decide não sair da casa dos pais até a plena "estabilidade" (como se um dia considerássemos tê-la alcançado).

São as carreiras acadêmicas que almejamos, como se a intelectualidade fosse tão majestosa quanto a obediência. Desejamos ser doutos e célebres, mesmo que isso signifique tratar a Palavra de Deus e o próprio Senhor como um objeto de estudo das Ciências da Religião, ou Filosofia, ou Sociologia, etc. 

A grande realidade é que diariamente tentamos fazer com que os intentos pecaminosos do nosso coração, nossa vaidade e rebeldia ergam-se em direção ao céu, como se fosse possível ignorar a majestade do Senhor e chamar a atenção para as obras das nossas mãos. 

Onde a vontade do homem é posta em primeiro lugar, não há restrição para os seus próprios intentos, por piores que sejam. O que de pior pode brotar do coração do homem crescerá no solo da desobediência e rebeldia.

2º Devemos compreender que qualquer tentativa de se opor à vontade de Deus vai falhar

Assim como em Babel, não faltam relatos bíblicos da falha pífia do homem em tentar se opor à vontade de Deus.

Jonas tentou fugir para Társis e foi vomitado de volta para o caminho de Nínive; o Faraó do Egito em vão lutou contra a vontade do Senhor de que o povo Hebreu fosse embora; quantos povos tentaram derrubar Israel de forma definitiva, e ela sempre se reergueu? Quantas vezes o povo de Deus correu perigo de morte e sobreviveu? Quantos impérios, reinos e governos já não tentaram  obrigar o povo de Deus a recusá-lo?

A bíblia e a história da igreja está repleta de evidências que mesmo nos piores intentos do coração humano, a vontade de Deus sempre se concretizou. Na traição de José pelos irmãos, Deus foi glorificado ao salvar todos da fome; na traição de Jesus por Judas, a vontade de Deus perseverou, e hoje cada um de nós pode estar diante de Deus, na fé em Cristo Jesus.

Mesmo quando aparentemente o mal venceu, na verdade ele foi derrotado. Na morte de Jesus, a própria morte foi vencida. Nas perseguições que tentaram derrubar a igreja, ela cresceu de forma abundante pelo testemunho e sangue daqueles que morreram por amor a Jesus. 

Toda vez que uma nova torre é levantada em direção aos céus para confrontar a vontade de Deus, o Senhor a põe ao chão, pisando seus opositores e mostrando que nesta terra até mesmo uma torre de diamante é como um fio de algodão de um tapete no qual o Senhor repousa os seus pés. 

3º Precisamos compreender que em Deus está a plena comunhão e vontade de Deus para o seu povo

O Deus que causou a confusão de línguas em Babel para espalhar os homens pela terra e cumprir a Sua vontade para nós é o mesmo que uniu gregos, partos, medos, elamitas, naturais da Capadócia, Judeia, Mesopotâmia, e outros tantos lugares ao redor do mundo no Pentecostes, fazendo com que cada um deles compreende-se o que os demais falavam, no seu próprio idioma! 

"Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua."

Atos 2:5-6

Espalhar os homens pela terra não tinha como intenção mantê-los solitários e isolados uns dos outros, e sim cumprir a vontade do Senhor que no Filho de Deus fossem benditos todos os povos da terra. O que une o povo de Deus, a igreja, não é genética, idioma ou cultura, e sim o cabeça: Jesus Cristo.

Somos todos diferentes, porém com o mesmo objetivo, que é honrar e glorificar o nome de Jesus. Diferente de Babel, que foi desolada porque sua intenção era exaltar os homens, a Igreja cresce e frutifica porque a sua intenção é exaltar o Filho de Deus.

Não há confusão de línguas, porque não é o mesmo idioma que nos mantém unidos, mas o Espírito de Deus que fala a cada um de nós individualmente e como coletivo. Deus mantém unida a Sua igreja para honra e glória do Seu próprio nome.

A famosa Torre de Babel


domingo, 12 de março de 2023

Sede meus imitadores - 1 Coríntios 11:1

A primeira frase do capítulo 11 da carta aos Coríntios nos traz um grande ensinamento: é preciso aprender com os exemplos a nossa volta.

Nos capítulos anteriores Paulo havia narrado um pouco da história de Israel, e seus episódios de idolatria e cobiça que se "tornaram exemplos para nós", conforme 1 Coríntios 10:6. Em seguida ele fala sobre a imoralidade, a murmuração, sobre colocar o Senhor à prova, trazendo-as como exemplos de condutas que devem ser monitoradas para que aquele que pensa estar de pé não caia. Ele segue falando sobre liberdade cristã, e como mesmo todas as coisas sendo lícitas, nem todas serem convenientes ou edificantes.

Paulo segue ensinando que é prudente limitar a própria liberdade em benefício da consciência do outro, visando fazer tudo para glória de Deus. Para entender a primeira frase de Paulo no capítulo 11 é preciso compreender a sua última frase no capítulo 10: "assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.

Eu procuro ser agradável a todos, não a mim mesmo.
Sejam meu imitadores
Pois eu sou imitador de Jesus

1º Precisamos imitar Paulo e aprender a colocar o bem estar do outro acima do nosso.

Paulo ensina para a igreja que, embora pudesse comer o que quisesse, falar o que quisesse ou fazer o que quisesse, no fim das contas ele fazia aquilo em que pudesse ser agradável aos seus irmãos, e não a si mesmo. Veja que em momento algum Paulo diz que ser agradável é ser carismático, bajulador ou permissivo. Ele está dizendo que em tudo que ele faz, tenta ser um exemplo que conduz o outro ao caminho da salvação.

Nós de fato temos a liberdade de comer o que quiser, fazer o que quisermos, desde que isso não agrida a moral de Deus. Mas na prática tem coisas que por mais pequenas que sejam, pode ferir a consciência do outro, e nesse caso, devemos colocar o bem estar do outro acima do nosso. Se eu acredito que fazer uma tatuagem não seja pecado, mas meus pais acreditam que seja, eu não vou fazer uma tatuagem e agredir a consciência cristã deles. 

Seja assistir um filme de terror ou suspense; praticar uma determinada atividade física; consumir uma determinada bebida ou alimento... Tudo aquilo no que eu puder ferir a consciência do outro deve ser evitado, ao menos temporariamente. É preciso tomar cuidado que, se algo para você é tão importante que o bem estar das pessoas a sua volta não importa, talvez você esteja se tornando extremamente orgulhoso, ou essa coisa já se tornou um ídolo no seu coração.

Colocar o bem estar do outro acima do nosso não diz respeito apenas àquilo que você deixa de fazer, mas também àquilo que você faz intencionalmente, porque sabe que a outra pessoa precisa. Tem gente que é mais introspectiva, mais solitária, e às vezes precisa ser mais expansiva e sociável para poder estar com quem precisa disso. É se colocar a disposição para o bem estar do outro, mesmo que isso signifique lutar contra suas próprias limitações e seguranças.

2º É importante agir como Paulo e não tentar se colocar como exemplo do outro por nossos próprios méritos, mas naquilo em que nós tentamos ser iguais a Jesus. 

Paulo não exige que a igreja seja sua imitadora porque ele era um cara legal, muito inteligente e moral. A justificativa dele para ser imitado não leva em consideração suas próprias qualidades (e ele tinha muitas), mas no fato de que ele era imitador de Cristo. Ele não queria ser imitado em eloquência, conhecimento, erudição ou coisas do tipo. Ele queria ser imitado no fato de imitar Jesus. 

Paulo nos ensina que devemos desejar que as pessoas aprendam conosco e vejam Jesus Cristo através de nós. Devemos ansiar que, se um dia alguém diga "Aprendi com você", seja em relação a algo que a deixe mais parecida com o Senhor Jesus. Precisamos não apenas aprender com os bons exemplos das pessoas a nossa volta, mas principalmente aprender com os exemplos que nos aproximam de Deus.

Precisamos aprender com o próprio Jesus Cristo, que foi o maior exemplo de como o homem deve ser para agradar a Deus, pois Ele mesmo se faz carne para nos ensinar pessoalmente. Jesus nos ensinou o que é amor de verdade, misericórdia, alegria, e acima de tudo, o verdadeiro caminho em direção ao relacionamento com Deus. Ele nos ensinou como amar de verdade, e a quem amar de verdade.

Quer maior exemplo de doação ao próximo do que o próprio Senhor Jesus entregando a Si mesmo na cruz do Calvário? Quer maior exemplo de misericórdia do que a que ele dispensou a Maria Madalena? Quer maior exemplo de compaixão do que ele teve pela mulher do fluxo de sangue, pelos leprosos e outras centenas ou milhares de pessoas que Ele curou? O próprio Jesus, sendo Deus, se dispôs a caminhar como homem para fazer a vontade do Pai e salvar a cada um de nós, por mais doloroso que isso fosse.

Sendo imitadores de Paulo, devemos imitar ele inclusive em ser imitador de Jesus, do qual se diz em Filipenses 2:3-8:

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere ou outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

3º Precisamos imitar Jesus Cristo e aprender a colocar a vontade de Deus acima da nossa.

Sendo imitadores de Cristo, devemos buscar a vontade de Deus acima da nossa. Pai, Filho e Espírito Santo partilhavam desde a eternidade um plano salvífico para o pecado do homem, no qual o Filho se entregava pelos homens, o Espírito Santo os convencia das suas obras más e da salvação concedida pelo Filho, e o Pai recebia como filhos todos aqueles que cressem. 

O nosso Senhor Jesus, mesmo sendo Deus, e tendo todo poder e majestade para simplesmente não fazer nada por nós, decidiu se entregar, e foi fiel até o fim, colocando a vontade do Pai, Filho e Espírito Santo acima da dele, em toda a sua humanidade e sofrimento que vivia naquele momento. Ele não abriu mão de sofrer na cruz, Ele não afastou a dor que estava sentindo com as Suas palavras, assim como era capaz de expulsar demônios. Ele não aceitou o desafio de Satanás e transformou pão em pedra. Ele não aceitou o desafio dos homens e tentou comprovar ser o Filho de Deus descendo da cruz. Ele cumpriu TODA a vontade de Deus para salvação dos homens, em cada detalhe, em cada momento. Naquilo que era agradável, como também naquilo que era doloroso.

Concluindo...

Entenda que na vida você vai se deparar com situações nas quais terá que escolher fazer aquilo que aparentemente te faria mais feliz e que você compreende como certo; ou escolher aquilo que não vai te beneficiar diretamente, mas vai ser bom para as pessoas a sua volta. Vai ser bom não porque vai dar aos outros o que eles querem, pois dizer não também é desagradável para nós, porém necessário.

Vai ser bom porque aquilo que você está fazendo ou deixando de fazer aproxima a pessoa de Jesus. 

Desejo que você busque para sua vida que as pessoas olhem para você e vejam a Jesus Cristo. 

Que outros possam te imitar, sabendo que você imita Jesus.







sábado, 4 de março de 2023

As parábolas do Novo Testamento (Mateus 13)

Durante o tempo que viveu entre nós, um determinado dia nosso Senhor Jesus, dentro de um barco, ensinava uma multidão que estava na beira da praia. Ele falou sobre conversão, sobre o Reino de Deus, sobre o destino da igreja e o fim dos ímpios. O que as lições dele tinham  em comum?

Todas elas foram dadas através de parábolas:

  • Parábola do semeador (Mateus 13:3-8);
  • Parábola do joio e do trigo (Mateus 13:24-30);
  • Parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31-32);
  • Parábola do fermento (Mateus 13:33);
  • Parábola do tesouro escondido (Mateus 13:44);
  • Parábola do negociante (Mateus 13:45-46);
  • Parábola da rede lançada ao mar (Mateus 13:47-48);
  • Parábola das coisas novas e velhas (Mateus 13:52)
 O que são as parábolas? 

Nas palavras de Peter Walker, as parábolas são "histórias terrenas com significados celestiais - são normalmente relatos simples e vividos, tirados da vida cotidiana, que lançam [luz] sobre boas novas do advento do reino"

São histórias baseadas na vida, seja ela real ou fictícia, geralmente retratando um cotidiano conhecido pelo público ao qual está sendo direcionada.

E por que Jesus usava parábolas?

Ao mesmo tempo que as parábolas simplificavam a compreensão dos ensinamentos de Jesus para os mais simples, elas também tinham como objetivo manter sem entendimento aqueles a quem o Senhor não desejava salvar, o que já havia sido profetizado pelo profeta Isaías (Mateus 13:11-13 c/c Isaías 6:8-10).

Por um lado questões como eleição, o Reino de Deus, salvação e condenação, novo nascimento e afins eram trazidas de forma compreensível para pessoas que sequer sabiam ler e em alguns casos nem tinham conhecimento do Antigo Testamento. As parábolas traziam realidades comuns ao povo comum no tempo de Jesus, e à região na qual viviam. Era portanto uma forma extremamente eficaz e didática de comunicar verdades bíblicas.

Por outro lado, comunicar as verdades de Deus através de exemplos tão simples evidenciava a dureza do coração dos homens, e necessidade da ação do Senhor derramando entendimento. As parábolas nos mostram que por mais simples que seja a explicação que damos do evangelho, se o coração de um homem estiver endurecido para Deus ele não vai compreender. Se nem com coisas simples como a semeadura de plantas, a fermentação do vinho, a busca de tesouros, etc., um homem é capaz de entender o aspecto espiritual da sua vida, nada vai funcionar.

O que as parábolas tem para nos ensinar?

A grande lição das parábolas (além das que elas já ensinam em si mesmas) é a necessidade de apresentar a mensagem de forma eficaz para aquele que precisa ouvir. Resumindo em uma palavra: Contextualizar.

Contextualizar é relacionar o que está sendo ensinado com o cotidiano.



Usar parábolas nos demonstra que a mensagem pregada precisa ser efetiva. Jesus não se coloca de frente para uma multidão heterogênea, cheia de pessoas simples e sem estudo, algumas até mesmo sem conhecimento do texto judaico, e começa a explicar o Reino de Deus através de um discurso extenso, prolixo e minunciosamente detalhado. Ele simplifica a mensagem de algo que não é nada simples. 

Da mesma forma, não adianta tentar dar uma aula de EBD extremamente complexa e descontextualizada para um jovem que ouve música, faz as tarefas da escola, conversa nas redes sociais e assiste vídeos no TikTok com duração de 15 segundos ou menos. É preciso contextualizar a mensagem pra tornar ela compreensível. 

Não estou falando de criar artifícios para chamar atenção, não estou falando de tirar foto cheirando a bíblia, usar roupa de super-herói no púlpito durante o culto ou gravar vídeos com dancinhas ao som de worship. Estou falando de compreender que os primeiros 15 segundos do que você quer dizer precisam ser certeiros e efetivos, do contrário, você vai ser só mais um conteúdo competindo atenção com todos os demais. 

Eu queria não precisar contar com essa astúcia



Também não estou anulando a ação do Espírito Santo para trazer para Si e para o evangelho toda a reverência e atenção devida. Estou dizendo que não podemos usar a soberania de Deus em dar entendimento e chamar para Si os homens como muleta para justificar o descaso que muitas vezes temos de nos fazer compreendidos. Se somos os servos de todos os outros irmãos, precisamos fazer as coisas pensando no outro, e não no que EU ACHO MELHOR. 

Não adianta falar de Deus com exemplos de casamento, se as pessoas para as quais você fala são todas solteiras; não adianta explicar em termos filosóficos o problema da Teodiceia para uma criança de 10 anos; não adianta falar de alegria em meio a miséria para quem tudo tem. A mensagem precisa ser efetiva.

Jesus debatia a Lei com fariseus e outros doutores da Lei, e ainda assim, quando falava com as pessoas comuns, falava de semeadura, de fermento, de vinho, nascer de novo, etc. Ele não obrigava as pessoas a acompanhar seu nível intelectual (o que seria impossível), e sim tentava se fazer compreender  até mesmo pelo mais limitado dos homens na multidão.

Imagem exemplificando como era Jesus ensinando por parábolas



Precisamos aprender a usar parábolas hoje também, e falar as coisas de uma forma que as pessoas a nossa volta possam compreender a mensagem que temos a levar. Precisamos ser intencionais na forma como nos comunicamos com as pessoas a nossa volta.

Atividade proposta:

1 - Como você faria para aplicar o método de parábolas hoje?

2 - Reescreva uma parábola do capítulo 13 utilizando o seu contexto de vida.

3 - Você percebe a ação do Espírito Santo em endurecer o coração dos homens, tendo em vista que hoje temos milhares de obras que se propõem apenas a explicar as parábolas, e mesmo assim tem gente que não compreende?

4 - Reflita: será que a sua não está alcançando a pessoa que você deseja evangelizar porque você está tentando comunicar o Evangelho em termos que ela não compreende?

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